Entre as novidades do mundo tecnológico nos últimos dois meses, duas delas mexeram especialmente com a imaginação de comerciantes e consumidores brasileiros: a chegada da Nikon ao país e a negociação da Foxconn, fabricante de produtos da Apple, para produzir componentes no Brasil.

São muitos os benefícios que esses acordos podem trazer em curto prazo, desde uma possível queda nos preço dos produtos, devido a cargas mais brandas de impostos, até a facilidade em encontrar assistência técnica e lojas especializadas. Mas o país em si também recebe vantagens, incluindo os olhares de empresas de eletrônicos de todo o mundo.

Os recentes acontecimentos mostram que a economia brasileira está com uma imagem positiva lá fora. Mas quais seriam esses aspectos positivos? Compensa mesmo investir em produção no Brasil? O Tecmundo analisa qual é a situação atual da nação nesses aspectos – e como podemos ficar ao firmarmos essas parcerias.

Consumidores sem freios

O brasileiro é um comprador em potencial de produtos eletrônicos. Seja pelo aumento do salário mínimo, pela estabilidade econômica ou baixa do dólar, o resultado não muda: eletrônicos de todos os tipos têm público no país. Segundo pesquisa recente da Accenture, nossa população é a recordista de consumo em 15 produtos da área.

Ou seja, mesmo com as reclamações sobre a carga de impostos, não ligamos em trocar de aparelho. Segundo a pesquisa, por exemplo, 55% dos brasileiros comprou um novo celular no ano passado. Por esse resultado, é possível até apostar que uma gigante dos celulares pode ser a próxima a desembarcar no Brasil. Além dos telefones, o consumo de câmeras e televisores também recebe destaque.

E tudo o que essas companhias mais desejam é público: pouco adianta instalar uma filial em um país que possui outras preferências. Afinal, os US$ 12 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) que devem ser injetados pela Foxconn e os US$ 10 milhões (cerca de R$15 milhões) por parte da Nikon precisam ser recuperados através do lucro com vendas.

Imagem positiva

Por mais que fique a impressão de que algo está errado com o país, possuímos uma boa influência mundial na área da economia. Parte disso se dá pelos bons índices econômicos alcançados nos últimos tempos, como a valorização da moeda (no dia da publicação deste artigo, um dólar é o equivalente a R$ 1,57), o aumento do salário mínimo nacional (para R$ 545) e o crescimento do PIB acima da média mundial no ano passado (aumento de 7,5%).

Além disso, somos considerados uma das grandes nações em crescimento, talvez ainda em destaque por ser um dos poucos países que superou com sobras  a crise econômica de 2009 – e não desacelerou desde então.

O amadurecimento de nossas finanças ajuda também no crescimento de contas bancárias: em 2010, foram registrados 63 mil milionários no país, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Isso significa, em uma hipótese otimista, que temos milhares de pessoas dispostas a investir em setores como o de eletrônicos.

Mão na massa

Além de toda a estrutura disponibilizada, o Brasil possui uma mão de obra altamente qualificada em todas as áreas, com destaque para um mercado de engenheiros que está em crescimento. Segundo o Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, cerca de 100 mil empregos seriam gerados com a chegada da Foxconn/Apple por aqui.

Os funcionários recebem, além da vaga, um treinamento na área, tornando-os aptos para futuros trabalhos, caso não permaneçam no emprego por muito tempo. A situação é benéfica para os dois lados: um deles recebe a força braçal, enquanto o outro ganha uma capacitação.

O país ainda oferece vastos terrenos para a criação de fábricas, não só em capitais, mas também em cidades interioranas desenvolvidas ou regiões metropolitanas. O que falta é valorizar essas áreas, talvez com a criação de uma nova zona franca de exportação, como a que temos em Manaus e que também passou por algumas mudanças recentes.

As pedras no caminho

Se tudo parecia favorável para as gigantes se instalarem no país, sempre surgem alguns obstáculos que podem atrasar ou até impedir que esses negócios sejam firmados. Um dos mais terríveis problemas é a burocracia. A assinatura de contratos e permissões pode levar de oito meses a dois anos, apenas para que as fábricas garantam a permissão de instalação – fora o tempo de construção dos locais.

Além disso, outros países com características semelhantes às nossas também querem uma fatia dos investimentos dessas companhias. Rússia, Índia e China (que formam o BRIC, grupo de países considerados emergentes, juntamente com o Brasil) são consideradas nações igualmente aptas a receberem empresas. E com o número de benefícios em jogo, ganha quem oferecer o plano com mais isenções fiscais e menos demora em entraves burocráticos.

A Foxconn, por exemplo, vem da China, uma das campeãs em exportação de eletrônicos. Para sair de sua terra natal e gastar tempo e dinheiro para investir em um país estrangeiro, a empresa requisitou, segundo o jornal Folha de São Paulo, uma série de privilégios, como um auxílio no transporte das mercadorias e menor cobrança de impostos para concluir e manter as instalações.

No momento, ainda não é possível dizer se o país vai aceitar todas as exigências propostas. Desde a visita da presidente Dilma à China, entretanto, notou-se a necessidade de mudança na política fiscal para ajudar ainda mais as empresas estrangeiras, pois o Brasil acabaria saindo muito atrás dos concorrentes com o modelo empregado atualmente.

Se o Brasil vai receber mais empresas do ramo dos eletrônicos, só o tempo e os resultados obtidos com os acordos já firmados poderão nos dizer. Por enquanto, ao menos dá pra dizer que o país está tentando fazer a sua parte.

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