Quando o assunto é drone, muita gente acha que o aparelho é mais para ser admirado, para ver os especialistas usarem. Seja para simples brincadeiras no ar ou para capturar material em foto ou vídeo, esses veículos aéreos não tripulados em miniatura parecem distantes do consumidor comum por diversos motivos.

A fabricante DJI quer acabar um pouco com essa imagem, ao mesmo tempo que apresenta um dispositivo com alto padrão de qualidade. O TecMundo colocou as mãos no drone Phantom 4 e o testou no ar para entender se esse modelo é tão visionário quanto falam. Confira a seguir e no vídeo acima a nossa análise completa.

Especificações técnicas

  • Peso total: 1,380 kg
  • Diagonal: 350 mm (sem hélices)
  • Velocidade máxima de subida: 6 m/s
  • Velocidade máxima de descida: 4 m/s
  • Velocidade máxima: 20 m/s ou 72 km/h (modo Sport)
  • Tempo de voo máximo: cerca de 28 minutos
  • Distância do sensor de obstáculo: 0,7 metro a 15 metros
  • Resolução de vídeo: 4K a 24 fps; 2,7K (2704×1520) a 24, 25 e 30 fps; Full HD (1920×1080) a 24, 25, 30, 48, 50, 60 e 120 fps; HD (1280×720) a 24, 25, 30, 48, 50 e 60 fps
  • Bitrate máximo de vídeo: 60 Mbps
  • Formato de vídeo: MP4 / MOV (MPEG – 4 AVC/H.264)
  • Sensor da câmera: 12 MP (1/2.3”)
  • Lente: 20 mm com f/2.8 e campo de visão de 94º
  • Velocidade do obturador: 8s -1/8000s
  • Tamanho máximo de imagem: 4000×3000 pixels
  • Formatos de foto: JPEG, DNG (RAW)
  • Bateria do drone: 5.350 mAh
  • Bateria do controle: 6.000 mAh
  • Frequência do controle: 2.4 GHz a 2.483 GH
  • Temperatura para operação: 0°C a 40°C
  • Localização: GPS / GLONASS

É um pássaro, um avião?

Primeiramente, é preciso esclarecer em que tipo de categoria o Phantom 4 se encaixa. Diferentes modelos de drones possuem as mais variadas funções, que definem o foco do produto e seu público-alvo. No caso desse lançamento da DJI, ele é sempre descrito como uma câmera voadora. Assim, o produto não é exatamente um brinquedo (apesar de existirem drones com esse propósito) nem recomendado para menores de 18 anos, por conta dos perigos e da responsabilidade.

Profissionais de fotografia e vídeo são os mais beneficiados com o produto

Apesar de ser muito bom em voo e de fato ser divertido controlá-lo, o segmento de profissionais da fotografia e do vídeo — ou quem planeja entrar no ramo agora com esses novos produtos — é o mais beneficiado com o produto. Ainda assim, vale ressaltar que, de toda a família da fabricante, ele é o mais acessível ao consumidor “comum”.

Tony Stark ficaria orgulhoso

O Phantom 4 faz evoluções pontuais no visual sem deixar de ter o estilo tradicional de um quadricóptero e manter o padrão “premium” do design. A carcaça do modelo é de magnésio, que reduz o peso do modelo sem perder a rigidez da estrutura, minimizando a vibração e aprimorando o voo.

As quatro "caudas" que concentram as hélices se tornaram mais finas e a estrutura da câmera se destaca menos, fazendo parecer que o drone e a máquina fotográfica são um único dispositivo. Com essa e outras simplificações, o centro de gravidade do drone fica mais bem posicionado no núcleo, melhorando o desempenho em estabilidade, velocidade, economia de energia e precisão de comandos.

Os motores, posicionados fora da estrutura de propulsão, melhoram o sistema de resfriamento do drone e também deixam o visual mais  elegante. Já as hélices possuem um sistema de instalação extremamente fácil de ser aprendido, com um esquema de fixação que parece frágil de início, mas é realmente seguro.

Muita calma nessa hora

Por conta do alto custo do produto e da complexidade envolvendo o sistema em si, são muitas as recomendações de leituras, tutoriais e avisos antes de voar. Isso vale especialmente se a pessoa nunca utilizou um dispositivo assim antes.

A altitude máxima é de 500 metros, mas você precisa tomar cuidado com o ambiente em que está — longe de fios, preferencialmente — e com as regulações de uso do espaço aéreo do país. No Brasil, a Aeronáutica ainda proíbe voos em locais com grande concentração de pessoas, a não ser que uma autorização prévia seja concedida pelo órgão e por quem estiver abaixo dele durante o voo.

Os olhos do fantasma

A câmera principal do Phantom 4 captura vídeos a uma resolução de até 4K a 24 frames por segundo (fps) e Full HD ou 1080p a até 120 fps, caso você queira um material em slow motion. A nova lente esférica tem um campo de visão de 94º e reduz distorções e ruídos, além de aumentar o brilho dos cenários e permitir um foco preciso na gravação.

O sistema de estabilização de imagem se destaca por deixar a imagem o mais “parada” possível, mesmo com um pouco de vento no local. Trata-se de um trabalho em conjunto entre a estrutura do gimbal (o suporte que segura a câmera), a haste em "U" (que serve também de base para o drone) e quatro câmeras — além da usada para captura de vídeo — para definição precisa de posicionamento e localização. A qualidade da imagem, tanto em vídeo quanto em imagens estáticas, é bastante alta e agrada inclusive quem usa o material para fins profissionais.

Para a pós-produção do material coletado, o software do drone oferece 10 perfis com esquemas de cores diferenciados, de acordo com a sua necessidade. No modo de foto, a resolução é de 12 MP e há suporte para capturas no formato RAW, sem perda de qualidade na transposição do material. O Phantom 4 também suporta perfis de lentes de softwares de edição, como Photoshop e Lightroom.

Uma mãozinha da tecnologia

O acessório principal é mesmo o controle remoto, com direcionais sensíveis na medida certa e botões de fácil acesso. Só não se esqueça do app DJI GO, que é a “tela” em que você assiste ao conteúdo gravado e faz outros movimentos. Ele opera em dispositivos com iOS 8.0 ou superior e Android 4.1.2 ou superior, mas um tablet é mais recomendado para a experiência completa. O dispositivo não fica pesado ou desconfortável, já que há um ajuste na base que o deixa bem estável. Veja aqui a lista e aparelhos ideais no item "Recommended devices".

Apesar de parecer complicada demais no início, a combinação do app com o controle é bem-feita e intuitiva. Aos poucos, você descobre cada função e se familiariza com a necessidade de dividir a atenção entre o veículo no céu e o que é exibido no display. Vale lembrar que o drone pode apresentar limitações de comando via app no modo de voo autônomo, além de não responder tão bem conforme a bateria vai ficando baixa.

Mil e uma formas de pilotar

Pilotar um modelo profissional como o Phantom 4 não é algo impossível para quem nunca lidou com drones ou aeromodelos, mas exige prática e cuidado. O controle remoto tem vários botões de configuração e mudança de modos, assim como o app apresenta janela de configurações. Decolagem e pouso demandam um pouco mais de prática, mas nada impossível também.

Um dos destaques da movimentação é o sistema de detecção e desvio de obstáculos, que funciona como uma inteligência artificial. A partir dos sensores ultrassônicos e das câmeras adicionais, ele para automaticamente e fica apenas flutuando caso se depare com um obstáculo (no modo normal) ou o contorna e segue o caminho (em modos como ActiveTrack ou Smart Return Home). Há avisos sobre a proximidade de objetos, mas o modo apenas atua com obstáculos que venham de frente para o drone. Caso algo esteja na direção dele pelos lados ou na traseira, não há tamanha precisão.

E só escolher

São três modos de pilotagem. O “Positioning” é o básico e usa o sistema de obstáculos para estabilizar, navegar entre obstáculos ou seguir um objeto móvel. O “Sport” é igual ao anterior, mas com adições para ficar mais potente no voo — ele chega a 72 km/h, sendo que a velocidade máxima tradicional é apenas metade disso. Por fim, o “Attitude” opera sem GPS e Obstacle Sensing, utilizando só o barômetro. Ele é mais indicado para ambientes fechados e para quem dominou os outros dois modos.

O Phantom 4 é cheio de modos extras. Com o “TapFly”, você envia o drone para a direção que quiser usando toques no display. Já o “ActiveTrack” trava o foco em uma pessoa ou um objeto e segue o alvo naturalmente com a lente, mantendo-o sempre enquadrado. Por fim, o “Return To Home” é um mecanismo inteligente em que o drone retorna ao local de decolagem sozinho. Isso é especialmente útil se você ainda não tiver muito controle do aparelho e não souber pousar direito, por exemplo.

Falta um gás

O Phantom 4 combina um sistema de propulsão moderno, um corpo aerodinâmico e uma bateria de maior tamanho e capacidade. Ao todo, o tempo de voo é 25% maior que o do Phantom 3. Só que, apesar de ser um dos drones profissionais com maior duração de bateria do mercado, o modelo ainda é bastante limitado: ele só opera durante algo entre 20 e 28 minutos, com mais ou menos 1 hora para voltar a ter 100% da carga. Essa contagem depende ainda de fatores externos, já que um dia com muito vento faz o aparelho precisar se estabilizar com maior frequência, consumindo mais energia.

Quem precisa do drone para gravações profissionais ou pretende usá-lo fora de casa por bastante tempo necessita de uma fonte de recarga próxima ou de baterias extras. Nenhum dos dois itens acompanha o produto no pacote original, e novas baterias são caras, portanto exigem um investimento ainda maior do consumidor — que já vai se desapegar de uma alta quantia só pelo drone em si.

Vale a pena?

O Phantom 4 é um drone top de linha indicado não só porque é o modelo mais recente da DJI — uma das mais tradicionais no ramo —, mas por ser um dos mais inteligentes e semiautônomos do mercado. Sem dúvidas, ele é um dos melhores e mais modernos do ramo, com avanços de gerações de experiência da fabricante. As tecnologias que mais se destacam são o sistema de desvio de obstáculos e o estabilizador da câmera, capaz de produzir belas imagens em 4K.

Apesar da grande resistência contra quedas e pancadas, é bom não abusar: danos podem custar caro.

O design é bem trabalhado e também pensado para melhorar o desempenho. São vários modos de voo para diversão e uso profissional e, apesar de gerar um estranhamento inicial para quem não tem experiência com esse tipo de aparelho, é possível que quase qualquer um (sem precisar ser um aeromodelista profissional, por exemplo) treine para dominar os comandos. Apesar da grande resistência contra quedas e pancadas, é bom não abusar: danos podem custar caro.

São dois os grandes “poréns” em relação ao Phantom 4. O primeiro deles é a bateria, que melhorou, mas ainda se esgota rápido demais. Quem vai fazer filmagens longas precisa de uma fonte de energia próxima ou adquirir baterias extras, que são acessórios caros.

E, entrando na categoria de preço, o valor é de fato um pouco assustador. No exterior, pelo site da DJI, ele custa US$ 1,4 mil. No Brasil, você o encontra por R$ 8.454 à vista. Já as baterias custam US$ 169 (R$ 1.139). É caro? É, bastante. Contudo, para quem está disposto a ter um drone para chamar de seu e de cara levar para casa um modelo que é um primor em sua categoria, o preço proibitivo se torna, na verdade, um grande investimento.

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O DJI Phantom 4 foi cedido ao TecMundo pela Drone Store para a realização desta análise. Clique aqui para conhecer a loja!

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