Lenovo Legion Phone Duel: monstro nos games, atrasado na festa

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Se você queria uma prova de que os smartphones gamers são mais do que uma modinha passageira, o fato de que mesmo com os preços elevados desse segmento a gente agora tem opções de duas marcas diferentes para comprar oficialmente aqui no Brasil é exatamente essa prova.

O Legion Phone Duel é o celular para jogos da Lenovo que acaba de chegar oficialmente aqui ao nosso país com distribuição da Motorola que, para quem não sabe, pertence à Lenovo. Ele traz toda a estética gamer e o hardware poderoso que a gente espera desse tipo de aparelho, incluindo alguns recursos únicos, tanto do segmento como um todo quanto dele especificamente.

Só que, por mais que ele tenha chegado agora ao Brasil, lá na gringa ele foi lançado em julho do ano passado, o que quer dizer que as especificações dele já não são o que há de mais novo no mundo dos smartphones. Agora que eu passei mais de uma semana testando esse Legion, eu vou falar para vocês se eu acho que ele ainda dá conta do recado em 2021.

Design

No design, você não vai encontrar aquela sutileza que a ASUS aprendeu a ir colocando na sua linha ROG de smartphones gamers. A Lenovo meteu o pé fundo no estilo gamer, então na traseira de vidro você encontra um visual com linha arrojadas, cores fortes com um efeito reflexivo bem chamativo, partes texturizadas nas pontas para o aparelho ficar menos liso e, é claro, um grande LED colorido que você pode deixar piscando quando tiver notificações, durante os jogos ou até quando estiver carregando.

Dá para customizar tudo isso e eu prefiro desligar para economizar energia, mas a decisão é sua. Além do vermelho que eu testei, o Legion Phone Duel vem com uma opção em azul, que é quase tão chamativo quanto. Na traseira você também vê que o flash LED, que pode servir de lanterna, e as câmeras duplas estão em uma posição diferente, mais no meio da traseira, e dá para ver o mecanismo da câmera frontal.

Ela é uma daquelas câmeras motorizadas que abrem quando vai ser usada e fecham quando você para ou quando detectam que o celular está em queda. Nesse pouco tempo que eu fiquei com ele, o mecanismo parece bem durável, mas eu não ouvi falar sobre muita gente que teve problemas com isso em outros celulares motorizados. Para eu ter certeza mesmo, só forçando a barra e provavelmente estragando fazendo algo que ninguém em sã consciência faria na vida, ou então passando muito tempo com ele, e eu não vou fazer nenhuma das duas coisas.

Uma vantagem da câmera frontal nesse esquema é que o celular não tem notch ou furo para câmera na tela, o que é ótimo. Isso não quer dizer que ele não tem bordas na frente, porque ele tem sim e elas são até que grandinhas, mas aqui isso tem algumas funções. Primeiro, serve para abrigar os alto-falantes duplos frontais, um de cada lado da tela; segundo, também ajuda a dar uma pegada melhor para o celular na hora de jogar com ele na horizontal, o que é a ideia.

Aliás, até o fato de a câmera frontal ser na posição que é, saindo da lateral, indica que esse aparelho foi feito pra ser usado principalmente na horizontal. Além disso, assim como os ROG Phones, ele tem uma entrada USB-C para baixo e outra na lateral oposta à da câmera, assim dá pra carregar ou ligar um dos acessórios dele enquanto você joga. Mas por enquanto a Motorola não trouxe nenhum dos acessórios dele para o Brasil.

Lenovo Legion Phone DuelLenovo Legion Phone Duel (Imagem: Lenovo)

O botão de volume fica ao lado do conector na lateral, o que eu não achei uma posição ideal porque eu acabava apertando sem querer com alguma frequência. O botão de energia fica do outro lado, em cima do módulo da câmera frontal. Nessa mesma lateral ficam os sensores ultrassônicos que você pode configurar para funções diferentes em cada jogo, e que são um dos pontos que realmente dão vantagem competitiva em games online quando usa um aparelho com esse recurso.

Além da posição na tela onde o toque nesses sensores vai equivaler, no software Legion Realm do celular dá pra configurar a sensibilidade, o que deixa o uso deles bem intuitivo e fácil.

Fora isso tudo, vale falar que esse é um celular bem grande e pesado, o que combina também com o fato de que você vai usá-lo na horizontal a maior parte do tempo. Usar com uma mão só, mesmo na vertical, fica difícil até para quem tem mãos grandes.

  • Dimensões (AxLxE): 16,92x7,85x0,99 cm
  • Peso: 239 gramas

Tela

O Legion Phone da Lenovo conta com uma tela AMOLED Full HD+ de 6,65 polegadas e taxa de atualização máxima de 144 hertz. Ou seja, é a melhor configuração de tela disponível para smartphones gamer hoje, e é muito parecida com a que a gente viu no ROG Phone 3.

O tempo de leitura também é reduzido, assim ganha-se vantagem competitiva e, se você e um oponente com um celular comum tocarem na tela ao mesmo tempo, o seu toque é registrado primeiro e você tem mais chances de sair vitorioso.

Sobre a taxa de atualização, o benefício é que, quanto maior o número, mais fluidos ficam os movimentos, então você teoricamente tem condições de responder mais rápido. E eu digo teoricamente porque, por mais que seja até fácil perceber a diferença entre uma tela de 60 Hz ou uma de 90 Hz, você já tem que estar jogando em um nível bem avançado para notar o salto de 90 Hz para 120 Hz.

Já nas telas de 120 Hz para 140 Hz você tem que estar em um nível realmente de pro-player para tirar vantagem dos frames extras. Isso sem falar que a grande maioria dos jogos competitivos ainda não chegam nem perto dessa taxa de quadros por segundo.

Nesse celular com as configurações máximas, PuBG ficava travado em 40 Hz, Call of Duty chegava ali nos 60 Hz e Pokémon Go girava um pouco acima dos 70 Hz. Tem games que conseguem chegar nos 144 Hz? Tem, como por exemplo o Alto’s Adventure, e a experiência realmente fica ótima, por mais que eu mesmo não consiga diferenciar entre isso e 120 Hz. Mesmo assim, ainda não são todos os jogos que tiram vantagem dessa tela.

Câmeras

Na traseira, ele vem com uma principal 64 megapixels com f/1.9 e PDAF e outra ultrawide 120° de 16 MP e f/2.2. Normalmente, a principal junta quatro pixels em um para fazer fotos de 16 MP, mas você pode usar o modo de 64 MP se quiser mais detalhamento em troca de menos HDR.

De um jeito ou de outro, as fotos da principal são ótimas durante o dia, por mais que de vez em quando as cores pareçam um pouco esbranquiçadas. À noite, as imagens também saem legais, e você ainda pode usar o modo Cena Noturna para melhorar cores e detalhamento.

A ultrawide também consegue fazer boas fotos durante o dia, mas a Lenovo errou um pouco na interface do app de câmeras aqui. Para acessar a ultrawide, você tem que clicar no botão de zoom para ir de 1x para 2x, depois de novo para 1x e só no terceiro toque você vai para os 0.6x ultrawide.

Também dá pra chegar lá fazendo o gesto de pinça ao contrário, mas seria legal ter uma forma mais simples, como já existe em praticamente qualquer outro smartphone. Enfim, à noite as fotos na ultrawide saem ainda boas, mas com menos detalhes e mais ruído. Tem um modo macro que usa a ultrawide para permitir imagens de pertinho, e nesse caso, o resultado sai melhor que o de muitas câmeras macro dedicadas que a gente vê por aí.

Ele também consegue fazer vídeos em 4K a 30 frames por segundo na traseira e o resultado tem boa qualidade e uma estabilização até que digna. Usando o modo Duplo, você consegue gravar com a câmera frontal e a traseira ao mesmo tempo, tanto em um modo lado a lado quanto em Picture in Picture.

Parece com o que vimos no Galaxy S21, só que aparentemente esse aqui tinha primeiro. E no modo Picture in Picture do Legion Phone você pode deixar o fundo da frontal transparente e até usar uns efeitos de realidade aumentada se quiser.

E falando na câmera frontal, o Legion Phone tem um sensor de 20 MP com f/2.2. Desativando o modo embelezador para não ficar parecendo um boneco de cera, as selfies saem legais durante o dia, mesmo contra a luz. À noite elas ainda ficam razoáveis, mas têm mais ruído, o que dá pra resolver usando a tela como LED e ajustando a intensidade como você preferir.

Câmera traseira

  • Câmera principal: 64 MP | Lente 80° |
  • Abertura f/1,9
  • Câmera híbrida – ultrawide
  • Macro: 16 MP | Lente 120° | Abertura f/2,2
  • Zoom digital: 8x foto | 5x vídeo
  • Zoom óptico: 2x
  • Flash: LED

Câmera frontal

  • Câmera principal frontal: 20 MP | Lente 82° | Abertura f/2,2

Desempenho

O hardware é um ponto forte aqui. Por mais que o chip seja o Snapdragon 865 Plus (3,09 GHz Octa-Core) e a versão vendida aqui no Brasil seja com 12 GB RAM, esse conjunto ainda é mais que o suficiente para rodar de tudo sem o menor problema.

Sério, ele aguentou tudo o que eu coloquei pra rodar no máximo e sem demonstrar qualquer sofrimento, mesmo quando esquentava. Aliás, nos jogos mais exigentes e em sessões longas, ele já esquenta um bocado, mas não chega a incomodar.

Entretanto, quando eu tentei jogar e fazer streaming ao mesmo tempo, aí sim o negócio ficou feio. Se eu não estivesse usando a capinha que vem junto na caixa, teria sido difícil continuar segurando de tão quente que ele ficou. Nesse ponto, eu gostaria que a Motorola tivesse trazido um cooler pra ele parecido com o que vem com alguns modelos do ROG Phone.

Sobre o armazenamento, ele vem com 256 GB na versão vendida por aqui. A bandeja tem espaço para dois chips de operadora, mas não para um cartão de memória. Ah, e o Legion Phone Duel é compatível com redes 5G, mas não com o padrão DSS que algumas operadoras estão implementando aqui no Brasil. Então pra usar o 5G por aqui você terá que esperar a instalação das torres Sub-6 GHz no futuro.

Interface

O poder do hardware é acompanhado por algumas funções legais no software da ZUI12, que é a versão gamer da Lenovo para o Android 10. A marca, aliás, disse que ele vai receber uma atualização para o Android 11 e não prometeu mais nada, então esse é um ponto que vale considerar se você se importa.

Enfim, a interface vem com algumas opções de temas, com ícones mais quadradinhos e fundos de tela animados para quem quiser a opção mais gamer, ou então com ícones redondinhos e fundos mais simples para quem prefere o Android mais padrão. A bandeja de notificações tem um estilo próprio de que eu até gostei, mas de resto o sistema em si tem um funcionamento fluido e bem próximo do normal do Android.

Como esperado, os principais destaques estão nas opções de customização da taxa de atualização da tela e nos recursos focados nos jogos. Sobre a tela, você pode escolher deixar a taxa de atualização em 60 Hz, 90 Hz, 120 Hz ou 140 Hz, e aqui eu preferi deixar em 90 Hz para aproveitar uma boa fluidez na navegação sem desperdiçar bateria. E aí tem uma opção para saltar a taxa automaticamente para o máximo sempre que um jogo for aberto.

Os recursos gamer podem ser customizados no app Lenovo Realm, incluindo a qualidade de gravações de replays, o nível de sensibilidade dos botões laterais e outras funções interessantes. Aí, quando você abre um jogo, deslizar de cima para baixo na tela abre a interface de recursos para os jogos. Ali você consegue ver a velocidade e o ping do seu Wi-Fi e 4G lado a lado pra ver qual está melhor, controlar o brilho da tela e volume do áudio com facilidade.

Também é possível ver a taxa de quadros por segundo atual do jogo aberto, a temperatura do processador e até o consumo atual da sua GPU e CPU. Tocando no botão Rampage, você ativa o modo de desempenho máximo, que não é um overclock, mas sim uma forma de forçar o aparelho a usar o máximo da sua capacidade nominal de CPU e GPU.

E você consegue acessar várias outras funções, como a gravação dos últimos 15 segundos do seu jogo, a customização dos botões laterais, ativar o modo streaming, tirar screenshots, controlar chamadas e notificações e várias outras coisas. E se quiser abrir a aba de notificações, tem de deslizar para baixo novamente encostando no meio da parte de cima dessa interface, o que eu levei um tempo para me acostumar.

Uma coisa que eu preciso falar é sobre o modo streaming, que nos meus testes pareceu ter potencial e deixa você gravar seu rosto enquanto transmite o jogo ao vivo e permite sobrepor isso com transparência e tudo na sua live. Só que eu não consegui de jeito nenhum fazer o celular gravar a minha voz ao mesmo tempo. Às vezes ele pegava só o áudio do jogo, às vezes nem isso, e aí ficava totalmente mudo, o que eu imagino que não é nada bom pra um streamer. Pode ser que seja só um problema do aparelho que está comigo, mas se não for a Lenovo precisa corrigir isso.

Bateria

O Legion Phone Duel vem com reservas de 5.000 mAh divididas exatamente no meio em duas baterias separadas. Na prática, isso não afeta a duração das reservas de energia, mas sim a capacidade de recarga. Na minha experiência, em geral ele aguentou o dia inteiro de uso moderado, mas quando eu abusava um pouco mais dos jogos online era normal ele pedir uma carguinha no meio da tarde com pouco mais de 6 horas com a tela ligada.

Ou seja, os 140 Hz têm um custo alto aqui, mesmo que a maioria dos jogos não aproveite isso. Nesse ponto, o ROG Phone 3 se sai melhor, até porque a bateria dele é um pouco maior.

Bateria Legion Phone DuelBateria Legion Phone Duel (Imagem: Motorola/Divulgação)

Aqui no Brasil, o Lenovo Phone Duel vem com um carregador Hyper de 45 watts da Motorola, o que por conta própria garante uma recarga bem rápida, que vai de zero a 100% em menos de 1 hora e 5 minutos.

Aqui no Brasil, o celular até vem na caixa com um segundo cabo USB-C, mas como o carregador é só um Hyper da Motorola, ele não tem as duas entradas, então para aproveitar o potencial máximo você vai precisar de um segundo carregador de 45 W e de 2 tomadas. Nesse caso, a promessa é que o aparelho conseguiria estar cheio em meia hora. Como 1 hora de recarga já é um tempo bem rápido, eu não acho isso realmente necessário.

Extras

Eu já falei aqui que o celular tem dois alto-falantes frontais, mas faltou falar que eles são bem fortes e têm uma qualidade legal, então são bons tanto para jogos quanto para outros conteúdos. O aparelho não tem entrada para fone e nem vem com um fone USB-C, mas pelo menos inclui um adaptador na caixa.

Além disso, ele conta com uma capinha que eu já mencionei e uma película para proteger a tela. O sensor de digitais é óptico sob o vidro. Ele nem sempre acerta de primeira, mas também não erra muito e é rápido para desbloquear o celular. Ah, e vale falar que ele não tem certificação de resistência a água nem recarga sem fios, mas até onde eu sei nenhum celular gamer tem essas coisas.

Vale a pena?

Pelo que a gente viu até agora, o Lenovo Legion Phone Duel é um ótimo celular gamer, com funções que dão vantagem competitiva e um hardware que não é exatamente atual, mas está lado a lado em quase tudo com o ROG Phone 3, o outro grande celular gamer que a gente tem disponível aqui no Brasil. A maior desvantagem deste aqui é a duração da bateria, mas ele compensa com uma recarga melhor, mais memória RAM e o dobro do armazenamento.

Para mim, a maior desvantagem deste aqui em comparação com o rival é o timing, o que causa uma bela discrepância nos preços. O Legion Phone Duel foi lançado agora com preço cheio de R$7.200 a prazo, ou R$ 6.480 à vista.

Já o ROG Phone 3 já pode ser encontrado a partir de R$ 5.700 à vista, o que é uma diferença considerável mesmo com menos memória. Ambos são bem caros, não me entenda mal, e por mais que eu adorasse ter qualquer um deles para poder jogar à vontade, eu jamais pagaria esses valores por celular algum, mas, se é pra escolher, por enquanto o custo-benefício aqui está com o ASUS.

É como se o Legion tivesse chegado atrasado para a festa, e aí vai precisar ficar esperto para poder competir. Vamos ver se daqui a uns meses a Lenovo e a Motorola abaixam o preço o suficiente para ele valer mais a pena.

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Afiliação:
Smartphone Asus ROG Phone II, 128GB
Smartphone Asus ROG Phone III, 128GB

Lenovo Legion Phone Duel: monstro nos games, atrasado na festa