OnePlus 7 Pro: ainda vale a pena um ano depois? [Review]

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Desde o primeiro smartphone deles, a OnePlus construiu uma reputação por sempre trazer os celulares Android mais rápidos e com especificações excelentes por um preço menor que os rivais. Ano passado, eles começaram lançando os modelos 7 e 7 Pro, e por mais que alguns meses depois ambos tenham ganhado sucessores na forma dos OnePlus 7T e 7T Pro, foi o 7 Pro que muitos nomes de peso da tecnologia recomendaram como o melhor custo-benefício e experiência de uso geral entre os top de linha de 2019.

Entre as idas e vindas de aparelhos e as várias mudanças por aqui do final do ano passado para cá, nunca consegui dar prioridade para o review desse modelo e acabei intercalando algumas semanas de teste dele com meses focado em outras coisas. Agora, consegui finalmente passar o mês testando esse aparelho – o que somado aos outros períodos de testes deve dar cerca de 3 meses de contato com ele no total –, de forma que estou bem preparado para explicar se o OnePlus 7 Pro ainda vale a pena em 2020.

Design belo e sem recortes

Começando pelo design, o smartphone é bem bonito, com a tela indo de ponta a ponta sem qualquer notch ou buraco e com margens bem finas – graças à câmera motorizada. Falando nela, vale avisar que qualquer parte móvel é mais frágil e está sujeita a falhas, mas até agora não tive qualquer problema. Além disso, o mecanismo se retrair sozinho quando detecta quedas, o que é bom, mas não elimina a necessidade de tomar cuidado com isso e não depender dessas coisas.

O vidro Gorilla Glass Cinco com as laterais curvas na frente e atrás dá aquele estilão elegante com o qual já estamos acostumados. O celular vem com um case na caixa e com uma película na tela, mas depois de tanto tempo de uso o plástico protetor estava bastante arranhado. O resultado depois de um mês é a presença de alguns riscos bastante finos, quase imperceptíveis, mas que estão lá se você procurar. Por mais que a estrutura do celular seja de metal e o Gorilla Glass traga um pouco mais de resistência, é bom manter em mente que vidro é vidro, então use a capinha e película para proteger o aparelho.

Também vale o aviso: o OnePlus 7 Pro não tem certificação de resistência contra água. Isso veio só nos OnePlus 8 e 8 Pro. É preciso ainda falar que o modelo que testamos agora é um aparelho bem grande, quase do mesmo tamanho que o Galaxy S20 Ultra, e é bem pesadinho também, então usar com uma mão só fica complicado.

Fora isso, os botões de volume estão do lado esquerdo e o de energia fica do direito, embaixo da chave que serve para deixar o celular para tocar, só para vibrar ou totalmente silencioso. O conector dele é USB-C e não há entrada P2 para fones e nem fone USB-C ou adaptador na caixa.

Tela excelente

Indo agora para a tela grandona de 6,67 polegadas, ela ocupa quase a frente inteira do celular sem qualquer obstrução, o que é bem legal tanto para o uso comum quanto para jogar e consumir conteúdo. A OnePlus chama a tecnologia do painel de AMOLED Fluido, isso porque além de ter a vantagens de cores vivas e pretos profundos comuns dos AMOLED, ela oferece suporte a HDR10+ e tem taxa de atualização de 90 Hz.

O maior framerate faz com que tanto o uso comum quanto as jogatinas no celular fiquem com movimentos mais fluídos, e é possível perceber isso durante o uso mesmo em games que não oferecem suporte a taxas maiores que 60 Hz. Não é algo que chegue a oferece alguma vantagem competitiva e também não vai mudar sua vida, mas é gostoso de usar e você fica sim mal-acostumado.

O OnePlus 7 Pro permite que você use a taxa de 90 Hz mesmo na resolução máxima, que é Quad HD+, mas reduz automaticamente a taxa para 60 Hz em situações específicas em que números maiores não seriam necessários – como na Home, por exemplo. Isso porque manter os 90 Hz faz a bateria drenar bem mais rápido para que o celular consiga ativar e desativar os pixels mais vezes. Quem quiser, pode ir ao menu de configurações para fixar a taxa de atualização em 60 Hz e aumentar a duração da bateria quando precisar – e isso pode ser uma boa ideia, já que porque a bateria é um ponto fraco do aparelho.

OnePlus 7 ProOnePlus 7 Pro (Imagem: Derek Keller / TecMundo)

Software bem feito

O OnePlus 7 Pro vem de fábrica com o Android 9.0 Pie, mas basta atualizar para que ele fique com o Android 10 rodando com a interface OxygenOS. Como é costume quando falamos dos aparelhos da marca, o software continua sendo uma das melhores versões do Android. O visual é limpo, bem próximo do estilo adotado nos Pixels da Google, mas quem procurar vai encontrar um monte de recursos extras e opções variadas de customização.

O sistema de navegação por gestos é parecido com o da Samsung, mas sem as barrinhas brancas visíveis na parte inferior da tela. Arraste para cima na esquerda ou direita da margem de baixo para voltar, e no meio para ir à home. Deslize da mesma forma e segure o toque para abrir o gerenciador de apps. Para abrir a gaveta de apps, basta deslizar para cima também, mas sem começar na borda. Esse sistema não é o ideal para mim, especialmente quando você está usando o celular na horizontal e tem que pensar em qual dos lados está a borda certa para navegar, mas funciona bem no resto do tempo.

Como parte do Android 10, o modo escuro para o sistema está disponível, assim como os recursos de bem-estar digital e mais uma infinidade de funções que vocês já estão cansados de saber. Na esquerda da home, ainda encontramos os cards da OnePlus, que não são muito úteis, mas são personalizáveis. Só nos OnePlus 8 que a fabricante desistiu de vez e adotou a tela da Google. Independente disso, o que era verdade para o OxygenOS antes continua valendo aqui: ele é muito rápido, fluído e responde extremamente bem.

Desempenho delicioso

Falando em responder bem, vamos falar do desempenho. O OnePlus 7 Pro foi o campeão Android de desempenho em benchmarks por um tempo ano passado, e isso é perceptível no uso. Ele vem com o Snapdragon 855 e tem opções com 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento, ou com 8 GB de RAM e 256 GB de espaço interno. Há ainda uma versão especial com 12 GB de RAM, mas ela é mais rara.

Eu testei o modelo com 8 GB de RAM e isso foi mais que o suficiente para que ele tirasse absolutamente tudo de letra. O uso cotidiano é bastante ágil, e com a taxa de atualização elevada e as otimizações da OxygenOS parece mais ainda. Os apps abrem instantaneamente, ficam um bom tempo no plano de fundo e trocar de um para o outro é muito fácil e rápido. Ele também não tem qualquer problema com apps e games mais pesadões. Resumindo: usar e jogar qualquer coisa nele é uma verdadeira delícia.

Câmeras ótimas

OnePlus 7 Pro OnePlus 7 Pro (Imagem: Derek Keller / TecMundo)

As câmeras são algo que sempre vejo muita gente criticando nos aparelhos da OnePlus, especialmente nos reviews que são feitos bem perto da data de lançamento. No meu caso, como normalmente demoramos para receber os importados para testar, quando os dispositivos finalmente chegam a fabricante já liberou um monte de atualizações para as câmeras e elas acabam ficando no nível que se espera de um top de linha do ano. Foi exatamente o que aconteceu com o 7 Pro.

Na parte de trás ele tem 3 câmeras. A principal de 48 MP com abertura de f/1.6 e estabilização ótica, a ultrawide de 16 MP com ângulo de 117º e abertura de f/2.2 e uma teleobjetiva de 8 MP com zoom ótico de 3x, abertura de f/2.4 e estabilização ótica também.

Com a lente principal, as fotos ficam lindas durante o dia, acertando as cores e detalhes mesmo em situações com bastante exposição de luz, o que exigem bastante do HDR. A ultrawide também manda bem no claro e fiquei feliz de não notar distorções ou perda de detalhes nos cantos. A telefoto manda bem com boa iluminação, por mais que o zoom de 3x não seja tão impressionante assim hoje em dia.

De noite, a lente principal ainda mantém uma qualidade decente, mas isso fica bem melhor se você usar o modo de Paisagem Noturna. Aliás, vale destacar aqui que esse modo não só clareia os pontos escuros, remove ruídos e melhora a nitidez das fotos, mas também equilibra pontos com luz forte demais. A ultrawide produz imagens bem lavadas no escuro, então eu evitaria para não ter que ficar insistindo com o modo noturno nela, e a teleobjetiva até consegue resultados dignos de noite, mas tende a perder o foco com qualquer descuido. Resumindo: em geral, são câmeras excelentes e dignas de um top de linha, mas que ainda não se igualam às dos melhores concorrentes.

Vídeos e selfies

O OnePlus 7 Pro consegue fazer gravações em 4K a 60 fps e o resultado é legal, mas a estabilização não fica muito boa se você se mexe muito. Se for esse o caso, melhor reduzir para 30 quadros por segundo. Ele tem ainda slow motion e timelapse com qualidade ok. Na câmera frontal, a resolução máxima é Full HD e a estabilização digital faz um bom trabalho.

Falando na câmera de selfies, ela é boa para fotos em locais bem iluminados, e durante a noite tem resultados até legais, mas ainda acontece uma ligeira perda de detalhamento e um pouco de ruído no fundo. Quando você ativa a câmera frontal, leva uma fração de segundo até que ela se abra, mas isso não chega a irritar no app de câmera.

Bateria OK, recarga ótima

O OnePlus 7 Pro vem com 4.000 mAh de bateria, e a duração disso está completamente atrelada não só a quanto você usa a tela, mas também como. Com a taxa de 90 Hz ativada, é muito fácil zerar as reservas de energia do aparelho com pouco mais de 5 horas com a tela ligada – ou bem menos que isso se você passar a maior parte desse tempo em jogos online que consomem bastante energia. Em tempos de celulares que passam de 10 horas com a tela ligada sem problemas, não dá para considerar esse um bom resultado.

É possível reduzir a taxa de atualização do display para 60 Hz se quiser garantir algumas horinhas a mais de uso, e isso realmente funciona, mas para isso você abre mão de um pouco da experiência fluída que dá destaque para esse aparelho.

Pelo menos o aparelho vem na caixa com o carregador Warp Charge de 30W, o que dá uma bela sobrevida para ele mesmo com pouco tempo na tomada. Nos nossos testes, em meia hora ligado ele foi de zero a 61%, e em 1 hora na tomada ele chegou a 91%. Depois disso ele desacelerou e completou a recarga em cerca de uma 1 hora e 20 minutos. Por fim, ele não tem suporte a recarga sem fios.

OnePlus 7 Pro OnePlus 7 Pro (Imagem: Derek Keller / TecMundo)

Extras

Por mais que o 7 Pro não tenha entrada P2 para fones de ouvido e não venha nem com fones USB-C, nem com adaptador na caixa, nem tudo são más notícias no quesito áudio. Isso porque ele conta com alto-falantes estéreo para mídia, sendo um em cima da tela e voltado para a frente e outro na parte de baixo do aparelho.

Com isso, por mais que dê para cobrir a saída de baixo com a mão dependendo de como você segurar o celular, o som ainda sai sem grandes problemas. Em situações normais, o áudio tem um volume legal e boa qualidade, mas também não é nada que vá substituir um speaker dedicado ou agradar audiófilos.

Sobre o leitor de digitais ótico, posicionado sob o vidro da tela, não há muito o que ressaltar ou criticar. Na minha experiência, ele consegue ler os dedos cadastrados com boa velocidade e sem problemas frequentes, mas também não impressiona.

Vale a pena?

Okay, então é OnePlus 7 Pro é um baita aparelho bom e o único ponto fraco é a bateria, mas pelo menos a recarga rápida compensa. Posso comprar agora então, né? Calma porque as coisas não são tão simples assim. Normalmente eu ressaltaria que, por ser um aparelho importado, você tem que pensar na demora da importação, na taxa de até 60% se ele passar na alfândega e no fato de que ele não tem assistência técnica autorizada aqui no nosso país, mas também diria que se isso não for problema para você, então tudo bem. Só que dada a situação atual do Brasil e do mundo, surgiram mais alguns obstáculos.

O primeiro deles é o preço. Pelas ofertas que encontrei em lojas como GearBest e Amazon gringa, o OnePlus 7 Pro mais barato está saindo por cerca de US$ 576, o que com a cotação atual dá mais de R$ 3 mil só na conversão direta – sem somar as taxas todas, o frete e tudo mais. Só com isso, por mais que ele seja um aparelho bem legal, já daria para encontrar rivais excelentes por aqui que têm o mesmo preço e não vêm com os mesmos problemas de garantia e assistência no Brasil, como o Galaxy S10 Plus e o Zenfone 6, só para dar dois exemplos.

Além disso, pelo menos agora, em maio de 2020, essas lojas de importação não estão enviando smartphones para o Brasil, então não dá nem para esperar até acontecer uma daquelas promoções-relâmpago.

O que sobra para quem desejar muito o OnePlus 7 Pro é procurar importadores que já têm o aparelho em sites como o Mercado Livre, onde a opção mais barata que encontrei para ele saia por R$ 4,3 mil. Dá para achar até o RoG Phone 2 por bem menos que isso. Ou seja, considerando tudo isso, esse aparelho só vale a pena se você encontrar alguém passando adiante um modelo usado em ótimas condições por um preço muito amigável.

Mas e você, o que você achou do OnePlus 7 Pro? Mande a sua opinião e qualquer dúvida que tiver sobrado nos comentários abaixo, que nós ficamos sempre de olho e respondemos quando possível.

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