Review Motorola One Action: o celular com “GoPro” embutida é bom?

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Motorola One Action é mais um smartphone da família de celulares da empresa que começou com o diferencial de trazer aparelhos com Android One, mas agora é mais focada em trazer aparelhos portando características e funções que vêm chamando a atenção do público. Tanto é que, em vez de adotar uma postura de lançamentos mais espaçados, de geração em geração, a linha tem novos smartphones chegando com bem mais frequência.

Prós
  • Boa relação de custo e benefício
  • Desempenho mais que digno
  • Updates garantidos com o Android One
  • Câmeras boas em geral
  • Visual moderno
Contras
  • Recarga demorada
  • Câmera de ação tem ressalvas
  • Ultrawide travado para fotos
  • Bateria apenas OK
  • Tela esticada demais para maioria do conteúdo atual

No caso do Action, o diferencial principal é um esquema de estabilização digital colocado na câmera ultrawide, que permite gravar vídeos estáveis como os de uma action-cam (GoPro, por exemplo) e com captura na horizontal mesmo segurando o celular normalmente, na vertical. Isso em um aparelho competente em geral, mas que também tem algumas limitações e está custando R$ 1.799 no site da Motorola. Será que vale a pena? Confira e depois compartilhe nosso review com quem estiver interessado.

Design

Vamos começar tirando do caminho o montão de características que o One Action tem em comum com o Vision. Primeiro, o design é praticamente idêntico, tirando a terceira câmera na traseira e o meio milímetro a mais de espessura no mais novo – o que na prática você só percebe ao segurar ambos simultaneamente.

Motorola One Action review

De resto, o Action tem a mesma combinação de frente em vidro e corpo em plástico de boa qualidade, carinha de intermediário de 2019 e um tamanho esticadão que encaixa bem em uma mão, mas força um ajuste da pegada para interação com elementos no topo da tela.

A câmera frontal no buraco no canto de cima também está aqui, no lugar de um notch mais comum. Embaixo fica a saída de som e o conector USB-C, na lateral direita estão os botões de energia e volume, a entrada para fone fica na parte de cima e o leitor de digitais continua fácil de alcançar no logo da traseira. O celular vem com um case na caixa.

Tela

Outra coisa igual entre o One Vision e o Action é a tela, que continua com o mesmo painel IPS LCD de 6,3 polegadas na proporção de 21:9 que a Motorola chama de CinemaVision. A resolução Full HD+ é boa, o brilho é OK se você evitar reflexos muito fortes e diretos e a cores e contrastes também estão legais.

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A única questão que pode incomodar é o formato esticadão, que ainda força a escolha entre tolerar barras pretas enormes dos dois lados ou esticar o conteúdo e perder pedaços das imagens nas partes de cima e de baixo. No futuro, os vídeos devem ficam mais compatíveis com esses padrões, mas ainda não estamos lá.

Hardware e desempenho

O hardware interno também não mudou, incluindo o processador octa-core Exynos 9609, 4 GB de RAM e 128 GB de espaço interno. É possível usar o segundo slot da bandeja para expandir a memória com um cartão micro SD, mas para isso é necessário abandonar qualquer plano de usar dois chips de operadora simultaneamente – a bandeja tem um slot comum nano SIM e um híbrido.

Com esse conjunto, o desempenho é muito bom em geral. O smartphone roda os aplicativos do cotidiano sem travamentos ou engasgos frequentes, e também consegue aguentar alguns jogos mais exigentes sem sofrer muito. Desde que você não tente colocar os gráficos no máximo, é claro.

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Benchmarks

Para ver como o Motorola One Action se sai em comparação com seus principais concorrentes, o aparelho foi submetido a quatro aplicativos de benchmark. Os testes utilizados foram o AnTuTu Benchmark 7.0, o Geekbench 4, o 3DMark (Slingshot) e PCMark.

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O app AnTuTu 7.0 permite testar interface, CPU, GPU e memória RAM dos dispositivos. Os resultados são fornecidos individualmente e somados para gerar uma pontuação total. E aqui vale a máxima para os pontos: quanto mais, melhor.

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O Geekbench 4 realiza testes intensivos para medir o desempenho tanto de núcleos individuais quando do conjunto da CPU, além de permitir mensurar a capacidade da GPU do aparelho para tarefas graficamente intensivas. Novamente, aqui temos um caso em que pontuações maiores são sinônimo de resultados superiores.

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O 3D Mark oferece uma série de testes para benchmark de smartphones. Entre eles, o Slingshot permite comparar diretamente entre processadores e GPUs. A resolução do display é um fator que pode afetar o resultado. Quanto maior a pontuação, melhor o desempenho.

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O PCMark mensura o desempenho do celular durante tarefas comuns de produtividade, como navegação na web, edição de vídeos e fotos e trabalho com documentos e dados em geral. Assim como nos outros casos, totais de pontuação maiores significam resultados melhores.

Software – Android

No software, o One Action também vem rodando o Android 9.0 Pie e faz parte do programa Android One. Ele tem a adição dos recursos mais famosos da Motorola, como os atalhos do Moto Ações e a Moto Tela. Nas configurações, ele permite que você troque os botões de navegação clássicos pelo sistema de gestos adotado nos Pixels da Google, ou então ative o sistema da própria fabricante – que para mim é um pouco mais prático. Como curtir mais um sistema de gestos ou o outro depende da preferência de cada um, é bom ter opções.

Seja como for, o software flui muito bem. A única ressalva que encontrei foi por causa do buraco da câmera no jogo Assassin’s Creed Rebellion. Na maioria dos games e apps que ocupam a tela cheia, o Action coloca uma tarja preta nessa parte para evitar problemas, mas nesse caso isso não aconteceu e um dos botões acabou semicoberto pela câmera. Não é o maior problema do mundo, mas pode incomodar – e se aconteceu com um aplicativo, provavelmente deve rolar com alguns outros, então é bom a Motorola e as desenvolvedoras ficarem de olho nesse tipo de coisa.

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Além disso, é bom lembrar que, como parte do programa Android One, o Action tem garantidas duas atualizações grandes do sistema do robozinho, além de updates frequentes de segurança por alguns anos.

Bateria e recarga

No caso da bateria, o Action vem com os mesmos 3.500 mAh que vimos no Vision, e a duração dela também é boa o suficiente para aguentar o dia inteiro fora da tomada com um padrão de uso que não seja muito intensivo. Você provavelmente só vai ter que se preocupar com recarga se passar várias horas por dia em games, gravando vídeos ou usando o GPS.

Falando em recarga, aqui é onde o Action sofre uma derrota para o Vision, já que ele não tem o carregador TurboPower da Motorola. Com o plug de 10 Watts que vem no kit deste modelo, a recarga de zero a 100% demoras mais ou menos 2 horas e 15 minutos.

Motorola One Action review

Câmera de ação e vídeos

Na traseira, o sensor principal tem 12 MP com abertura de f/1.8. Outro, de 5 MP e abertura de f/2.2, ajuda a detectar profundidade para o modo retrato. Por fim, há o mais diferentão: o ultrawide de 16 MP com abertura de f/2.2 e ângulo de visão de 118º – que é o que funciona como câmera de ação e tem várias peculiaridades:

1) Como o sensor está virado em 90º, é possível filmar na horizontal segurando o celular na vertical. Se você quiser gravar com o celular na horizontal sem o vídeo acabar no outro sentido, é necessário tocar em um botão no software de câmera para trocar para o sensor principal na hora de filmar;

2) A ultrawide conta com um sistema de estabilização eletrônica que reduz o campo de visão para garantir imagens quase sem chacoalhões. Esse recurso é o que a Motorola está vendendo como uma câmera de ação, e ele funciona muito bem. Ainda assim, é bom que existe a possibilidade de desativá-lo para ganhar mais angulação se você não se importar com as tremedeiras;

3) O sensor ultrawide foi feito para funcionar somente para vídeos. Se você queria tirar fotos de monumentos, cenários ou grupos grandes de pessoas, o indicado é se virar com a lente principal mesmo. Até é possível começar a gravar um vídeo com a ultrawide e tirar fotos durante, mas a qualidade fica longe do ideal. O que está rolando aqui é um bloqueio de software, o que é difícil de entender.

Motorola One Action review

Seja como for, com a action-cam você consegue fazer vídeos em Full HD a até 60 quadros por segundo, e a qualidade fica muito boa. Quem quiser fazer vídeos com o sensor principal da traseira ou com a frontal vai conseguir gravar em 4K a 30 fps, resultando em ótimo detalhamento de imagens, mas chacoalhões bastante perceptíveis por conta da falta de estabilização.

Fotografia

Quanto à fotos, no sensor principal as imagens ficam realmente muito boas em detalhamento, nitidez, cores e equilíbrio de exposição – especialmente durante o dia ou em ambientes bem iluminados. De noite, o resultado ainda é bom, perdendo um pouco de detalhamento, mas ainda entregando fotografias boas o suficiente para compartilhar.

A mesma coisa vale para selfies, com a diferença de que nível de detalhes cai bem mais no escuro – e aí os ruídos se tornam consideravelmente mais perceptíveis. Usar a tela como flash melhora a clareza, mas não ajuda tanto assim. O resultado nesse caso só quebra um galho.

Por fim, o desfoque do fundo do modo retrato fica bem legal tanto com a câmera traseira quanto com a frontal, e é possível desfocar o fundo e deixar apenas a parte focada colorida. Também há recursos de luz de palco e algumas outras coisas, mas nesses casos o recorte fica esquisito, então não recomendo.

Extras

Sobre o áudio, no One Action a saída única para mídia na parte de baixo tem um volume razoável e uma qualidade OK, mas nada impressionante. Essa posição continua fácil de cobrir com as mãos dependendo de como você segurar o aparelho ao jogar ou ver vídeos. O fone de ouvido incluso é um intra-auricular de boa qualidade, que é confortável de usar e tem som legal, por mais que não seja um acessório para audiófilos.

Por fim, o desbloqueio por meio do leitor de digitais também funciona bem e é rápido. Não chega ao mesmo nível do sensor biométrico de um smartphones top de linha, mas sua velocidade e precisão são mais que o suficiente para não incomodar.

Motorola One Action review

Vale a pena?

No site da Motorola, o One Action está sendo vendido por R$ 1,8 mil parcelados ou por R$ 1,53 mil à vista. Ao procurar nas páginas de varejistas, dependendo da promoção é possível encontrá-lo já por R$ 1,5 mil dividindo ou R$ 1,35 mil à vista.

Considerando o último valor, podemos dizer que o One Action é um aparelho com uma boa relação de custo e benefício. Por mais que o dispositivo tenha alguns aspectos questionáveis, como a falta da possibilidade de tirar fotos facilmente com a câmera ultrawide, ele é um aparelho capaz em vários sentidos.

Motorola One Action review

Ainda assim, como habitual, o maior problema é a concorrência, até por parte da própria empresa. Por mais que o conceito de um celular com câmera de ação seja legal e o resultado agrade, ele não chega ao mesmo nível de uma GoPro, que é mais portátil, capaz de resistir a água e de ser facilmente acoplada a encaixes distintos.

Olhando apenas para o aspecto de celular, o Moto G7 Plus, por exemplo, entrega diversas características até melhores por um preço que hoje já gira em torno dos R$ 1,1 mil. O G7 Power, por sua vez, traz um conjunto digno e uma bateria ótima por menos de R$ 900 – e sequer consideramos rivais importados ainda. Com isso, a compra o One Action fica recomendada somente para quem achar que vai tirar muito proveito das características específicas dele.

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O que você achou do Motorola One Action? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe o review com quem estiver interessando em um smartphone novo. Se estiver interessado em comprar um celular, não deixe de conferir os links que separamos a seguir. Aproveite também o nosso plugin para o Google Chrome e nossa página de descontos.

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