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Review Xiaomi Mi Mix 3: mais que uma tela sem notch

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Os aparelhos da linha Mi Mix da Xiaomi sempre tiveram a ideia de tentar trazer o máximo de tela para a frente dos celulares sem adotar notchs, mas as soluções escolhidas anteriormente, como a emissão de áudio pelo vidro e a colocação da câmera frontal na borda inferior, ainda tinham alguns problemas. Já no Mi Mix 3, a empresa conseguiu adotar um esquema bem mais interessante – o mecanismo de slider.

Prós
  • Carregador rápido e opção wireless
  • Software pouco polido
  • Ótima tela subaproveitada
  • Design belo e imersivo
Contras
  • Bateria fraca
  • Hardware com bom desempenho
  • Alto potencial para danos
  • Mais caro que concorrentes nacionais
  • Sem garantia e assistência técnica no Brasil

Mesmo com a volta da Xiaomi ao Brasil, essa família de smartphones ainda não tem previsão de chegar oficialmente ao território tupiniquim. Dessa forma, antes de decidir se vale a pena investir na importação do aparelho, confira agora a nossa análise completa – e caso conheça alguém que está interessado no dispositivo, compartilhe o review e avise sobre os links com desconto, localizados no fim do texto.

Trocando o notch por um gesto

O design é um dos principais destaques do Mi Mix 3, com a tela ocupando mais de 93% da frente do aparelho – sem notch ou buracos e com bordas finas. Fora o display e as margens, as únicas coisas na frente do celular são o LED de notificações e uma fenda para permitir a passagem do som do alto-falante, que fica oculto atrás da tela deslizável junto às câmeras frontais e ao flash.

Por padrão, usar o slider abre o app de câmera, mas você pode personalizar essa ação nas configurações para escolher abrir atalhos de ferramentas, determinar um app específico ou não fazer nada. Também é possível escolher alguns efeitos sonoros legais para serem reproduzidos sempre que o mecanismo for aberto ou fechado.

Xiaomi Mi Mix 3 review

O gesto de deslizar é fácil de fazer mesmo com uma mão só. No entanto, caso você costume andar com outras coisas no mesmo bolso que o smartphone, é comum ele enroscar e acabar abrindo, o que é um incômodo, mas não um grande problema. A preocupação maior é que o recurso pode deixar o aparelho mais frágil.

Mas é resistente?

Como o mecanismo é manual – não motorizado – é mais difícil que ele pare de funcionar. A Xiaomi garante que o sistema aguenta mais de 300 mil acionamentos, então a menos que você abuse provavelmente vai ficar tudo bem. O maior receio é o que pode acontecer caso aparelho fique muito molhado, já que ele não tem certificação de resistência contra água e a abertura pode facilitar a entrada de líquidos. Por fim, há ainda a possibilidade de dano em caso de quedas.

A tela do Mi Mix 3 é protegida pelo Gorilla Glass 5, o que ajuda um pouco, mas não garante a resistência. As laterais são de alumínio série 7.000 e a traseira é feita de cerâmica. Isso dá um visual bonito para o aparelho quando ele está limpo, mas a impressão é que basta pensar em encostar no smartphone para que ele fique sujo. O material da parte de trás é resistente contra riscos, mas quebra facilmente em caso de quedas. A Xiaomi inclui uma boa capa rígida na caixa, mas a parte de baixo dela é aberta para não atrapalhar o slider, expondo aquela parte do celular.

Xiaomi Mi Mix 3 review

Conforto e praticidade de uso

O case ajuda a dar uma pegada boa para o dispositivo, já que sem ela o Mi Mix 3 é bem liso. Seja como for, o tamanho e o peso do celular são relativamente grandes, então por mais que a utilização com uma mão só seja perfeitamente possível caso você não tenha mãos muito pequenas, o mais provável é acabar usando as duas mãos com frequência.

Ele não tem entrada para fones de ouvido, o que é ruim, mas pelo menos vem com um adaptador USB-C na caixa. Com a fina tela deslizável, o sensor de digitais continua na traseira, em uma posição fácil de alcançar e com funcionamento rápido.

Xiaomi Mi Mix 3 review

Além dos botões de energia e volume, o smartphone tem uma tecla extra, que por padrão ativa a Google Assistente. É possível customizar as ações que esse atalho faz a partir de uma lista no menu de configurações adicionais, mas as opções são poucas e não dá para escolher abrir apps específicos. Como isso faria mais sentido nesse caso do que fazer no slider, é difícil entender porque a Xiaomi liberou essa possibilidade na segunda opção e não na primeira.

Tela com potencial desperdiçado

A tela do Mi Mix 3 é um painel AMOLED de 6,4 polegadas na proporção de 19,5:9 com resolução Full HD, o que garante uma densidade de pixels mais que o suficiente para que tire ótimo proveito da maior parte dos conteúdos. As cores são boas no padrão, mas quem quiser pode mexer nas configurações para personalizar a temperatura e o contraste, e o resultado fica legal. Já o brilho máximo é forte o suficiente para permitir uso em ambientes externos sem muitas dificuldades.

Com isso tudo e com a tela sem obstruções, a experiência de jogar games ou ver vídeos no YouTube é muito boa em geral. No entanto, há uma ressalva importante aqui: alguns serviços de streaming pago, como Netflix e Amazon Prime, por exemplo, exigem uma certificação específica chamada Widevine L1 para transmitir vídeos em alta resolução.

Xiaomi Mi Mix 3 review

Infelizmente, o Mi Mix 3 não tem essa característica, o que significa que mesmo com uma boa tela Full HD, não é possível ver vídeos sequer em HD nessas plataformas enquanto a Xiaomi não se mexer para corrigir o problema. Por enquanto, não temos informações de quando – nem se – isso vai acontecer, então até lá a resolução máxima da Netflix no dispositivo fica abaixo dos 720p.

Câmeras das boas para fotos

Detalhando as câmeras, na traseira temos dois sensores de 12 MP, sendo um com abertura de f/1.8 e estabilização ótica e outro telephoto para zoom ótico de 2x e abertura de f/2.4. Já na frente fica um sensor principal de 24 MP com abertura de f/2.2 e um secundário de 2 MP só para dados de profundidade.

Em lugares bem iluminados, os resultados são muito bons tanto na câmera traseira principal quanto na de zoom e isso vale para fotos à distância e para macros. Em situações com luz mais desafiadora, de vez em quando o resultado pode sair desnecessariamente granulado, mas geralmente as imagens ficam boas também.

A mesma coisa vale para as selfies, que saem bem legais em lugares iluminados. O modo retrato tem um efeito bonito de desfoque, mas recomendo evitar o uso com a câmera contra a luz. O software tem ainda uma função de iluminação artificial com várias opções, mas isso é mais uma curiosidade do que algo realmente útil.

No escuro, as fotos da traseira também saem muito boas tanto na lente normal quanto na de zoom, e você pode ativar o modo noturno se quiser imagens com um pouco menos de ruído e com equilíbrio melhor entre pontos mais claros e áreas escuras. As selfies em ambientes com pouca luz mostram um pouco mais de ruído, mas quebram um bom galho em geral, ainda mais se você ligar o flash. Só não recomendo usar o modo retrato nesse caso.

O Mi Mix 3 vem ainda com uma função de inteligência artificial que promete detectar até 12 cenas e melhorar configurações automaticamente – e uma coisa legal é que dá para ativar e desativar isso rapidamente tocando no botão na parte de cima do software. Mesmo assim, não vi muita diferença ao ligar ou desligar o recurso. Vale avisar também que o embelezamento para selfies vem ligado, então quem quiser mais detalhes e naturalidade vai ter que desativar essa função tocando no botão de varinha mágica na parte de inferior do app.

Bom para vídeos também

O aparelho consegue gravar vídeos em 4K a 60 fps na traseira com uma estabilização OK, mas a 30 quadros por segundo o resultado é um pouco melhor. Na frontal, a resolução máxima é Full HD a 30 fps e o resultado é bastante estável. O Mi Mix 3 consegue gravar em super slow com 960 fps em Full HD e o resultado fica decente mesmo em ambientes internos, o que me surpreendeu. Ele também faz bons timelapses com velocidades ajustáveis.

Mesmo na versão que não vem com o processador Snapdragon 855, o aparelho da Xiaomi consegue fazer desfoque de fundo nos vídeos frontais, mas a resolução máxima é HD e o resultado não sai muito bom. É frequente que o aparelho erre o efeito bokeh nas gravações durante praticamente qualquer movimento.

Xiaomi Mi Mix 3 review

Aguenta o tranco

Seguindo para o hardware, o Mi Mix 3 vem com o chip Snapdragon 845, que é o melhor do ano passado. O modelo mais básico tem 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento, mas também há opções mais caras com 256 GB de espaço interno e com 8 ou até 10 GB de RAM – e é bom escolher bem sua variante, já que o celular tem dois espaços na bandeja de cartões, mas nenhum deles serve para expandir a memória.

A Xiaomi também lançou uma versão com o Snapdragon 855, que por enquanto está restrito a China e Europa e é difícil de encontrar. A versão que testamos é a mais básica, e mesmo nela o desempenho foi muito bom.

Xiaomi Mi Mix 3 review

O aparelho roda qualquer app ou jogo pesado sem qualquer problema e com agilidade, mesmo alterando entre tarefas. Os poucos engasgos que notei me pareceram mais culpa do software da Xiaomi do que do hardware. Por esse motivo, só recomendaria escolher os modelos mais caros se você quiser manter o aparelho por mais tempo sem perder muito desempenho.

Benchmarks

Para ver como o Xiaomi Mi Mix 3 se sai em comparação com seus principais concorrentes, o aparelho foi submetido a quatro aplicativos de benchmark. Os testes utilizados foram o AnTuTu Benchmark 7.0, Geekbench 43DMark (Slingshot Extreme) e PCMark.

O app AnTuTu 7.0 permite testar interface, CPU, GPU e memória RAM dos dispositivos. Os resultados são fornecidos individualmente e somados para gerar uma pontuação total. E aqui também vale a máxima para os pontos: quanto mais, melhor.

Xiaomi Mi Mix 3 antutu

O Geekbench 4 realiza testes intensivos para medir o desempenho tanto de núcleos individuais quando do conjunto da CPU, além de permitir mensurar a capacidade da GPU do aparelho para tarefas graficamente intensivas. Novamente, aqui temos um caso em que pontuações maiores são sinônimo de resultados superiores.

Xiaomi Mi Mix 3 Geekbench

O 3D Mark oferece uma série de testes para benchmark de smartphones. Entre eles, o Slingshot Extreme permite comparar diretamente entre processadores e GPUs em conteúdos acima do Full HD. A resolução do display é um fator que pode afetar o resultado. Quanto maior a pontuação, melhor o desempenho.

Xiaomi Mi Mix 3 3DMark

O PCMark mensura o desempenho do celular durante tarefas comuns de produtividade, como navegação na web, edição de vídeos e fotos e trabalho com documentos e dados em geral. Assim como nos outros casos, totais de pontuação maiores significam resultados melhores.

Xiaomi Mi Mix 3 PCMark

Interface boa, mas questionável

O Mi Mix 3 vem rodando de fábrica o Android 9.0 Pie modificado pela interface MiUI 10 da Xiaomi, que continua tendo uma experiência diferente do padrão no Android. O principal motivo é a falta da gaveta de apps, que não existe de forma nativa aqui. A interface tem várias opções legais de customização e um sistema de gestos que funciona bem depois que você se acostuma, mas quem preferir pode escolher navegar por meio dos botões clássicos.

Como mencionei mais acima, percebi alguns engasgos durante as semanas que passei usando o Mi Mix 3, mas mesmo isso só aconteceu poucas vezes quando estava saindo de algum aplicativo pesado para o gerenciador. Em geral, a experiência foi lisa e rápida, então curtir ou não do sistema depende mesmo é da experiência e das preferências de cada pessoa.

Xiaomi Mi Mix 3 review

Bateria fraca, recarga versátil

Um aparelho com uma tela do tamanho da que o Mi Mix 3 tem precisa de uma bateria grande, e nesse ponto senti que os 3.200 mAh do aparelho deixam a desejar. No meu padrão normal de uso, que é bastante intensivo, era normal chegar ao meio-dia com pouco mais de 25% de carga sobrando. Somente desligando o modo always-on e moderando bem o uso do aparelho consegui fazê-lo aguentar até a volta para minha casa ao fim do dia – ou então dando uma carga de tarde.

Nessa hora, o carregador rápido manda bem, preenchendo 51% da carga em 30 minutos e chegando a 90% em 1 hora. Depois desse ponto, o sistema desacelera o processo para evitar danos e chega a 100% em uma 1,5 hora. Outra coisa bem legal é que, mesmo no modelo básico, a caixa do Mi Mix 3 inclui uma base para carregamento wireless.

Xiaomi Mi Mix 3 review

Ela é um pouco mais lenta do que usar o cabo direto, levando 2 horas e 20 minutos para levar a bateria de zero a 100%, mas só o fato de estar inclusa no pacote já é algo muito interessante. Para ser perfeito, só faltou vir com um conjunto extra de cabo e plug de tomada – caso você tenha isso sobrando, vai poder deixar um kit em casa e outro no trabalho, por exemplo, e aproveitar o melhor dos dois mundos.

Extras

Quanto ao áudio, o Mi Mix 3 me desapontou um pouco. O speaker frontal só funciona para chamadas e o principal fica virado para baixo, em uma posição fácil de bloquear com as mãos. Além disso, o volume máximo não é dos melhores e a qualidade sonora é OK, mas nada impressionante.

A experiência é bem melhor usando fones de ouvido com cabo de boa qualidade, ainda mais se você mexer no equalizador que a Xiaomi incluiu no sistema. Uma pena que ele está escondido nas configurações avançadas e que não funciona para fones Bluetooth, o que seria legal para quem não quer andar por aí com o adaptador P2 para USB-C que vem na caixa.

Xiaomi Mi Mix 3 review

Vale a pena?

Infelizmente, o Mi Mix 3 não está entre os modelos da Xiaomi que vieram oficialmente para o Brasil em parceria com a DL, então para comprá-lo resta apenas a opção de depender de marketplaces ou de lojas importadoras. Na GearBest, o aparelho pode ser encontrado por preços a partir de R$ 2.755 na versão mais básica, mas isso não considera promoções e não inclui o frete, que pode sair bem caro.

Além disso, a importação pode demorar e você pode ser taxado pela alfândega. Nesse caso, a taxa pode ir de um mínimo de R$ 200 até um máximo de 60% do valor de venda para que o dispositivo seja liberado. Outra coisa importante é que a garantida oferecida pela DL para os aparelhos Xiaomi no Brasil não vale para importados, então no caso do Mi Mix 3 você não tem essa proteção e não poderá ser atendido pelas assistências técnicas autorizadas pela marca por aqui.

Com tudo isso em mente, não dá para negar que esse é um aparelho muito bom e que pode valer a pena caso você encontre uma boa promoção, mas sem isso não é muito difícil encontrar concorrentes por valores totais bem próximos e sem os riscos de importação.

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