Proibir o uso de smartphones em sala é um hábito cada vez menos comum nas escolas norte-americanas – e não por demanda dos estudantes, mas dos pais. É o que revelam os resultados de uma pesquisa do National Center for Education Statistics, dos Estados Unidos. De acordo com o órgão, o índice de escolas públicas daquele país que proíbem o uso de aparelhos eletrônicos em suas instalações caiu de 91% para 66% entre 2009 e 2016.

Quem pensa que a mudança na postura dos educadores tem a ver com alguma flexibilidade na aceitação do uso de redes sociais pelos alunos, porém, engana-se. A demanda, na verdade, é dos pais, que querem garantir a possibilidade de comunicação com os filhos a qualquer momento.

Em entrevista ao Gizmodo, Liz Kolb, professora da School of Education da Universidade de Michigan, disse que a pressão dos pais tem relação direta com o aumento da evidência, na mídia, de questões de segurança envolvendo as escolas norte-americanas. “Os pais acreditam que o fato de os filhos terem um celular à mão pode ser útil no caso de uma eventualidade”, completou.

No último incidente com um atirador numa escola norte-americana, em fevereiro deste ano, os celulares protagonizaram um papel importante. Na ocasião, quando 17 pessoas foram assassinadas na cidade de Parkland, na Flórida, os alunos pediram ajuda, entraram em contato com parentes e compartilharam detalhes sobre o caso em tempo real graças aos smartphones.

O estado de Nova York foi o primeiro a derrubar completamente, já em 2015, o veto ao uso de celulares nas escolas, permitindo que cada instituição definisse suas próprias regras. A tendência, agora, parece apontar para que mais escolas adotem a mesma postura, especialmente diante da crescente sensação de insegurança.