Xiaomi tem vários aparelhos muito bons, mas até agora nenhum dos que eu testei estava imune ao risco de vir com a versão “pirateada” da MiUI – a chamada Shop ROM. O Mi A1 é um smartphone intermediário que chega com uma proposta que não só elimina essa ameaça, como também traz o sistema do robozinho verde na sua versão pura graças ao programa Android One da Google.

Para melhorar, ele conta com um hardware muito bom, incluindo até um sistema de câmeras duplas com zoom ótico e 64 GB de espaço interno. Tudo isso com o preço baixo que já é marca registrada da Xiaomi. Vamos lá, que vou dar todos os detalhes sobre o Mi A1 agora na nossa análise, então continue lendo.

O puro creme do robô verde

A maior diferença entre o Mi A1 e outros celulares da Xiaomi é o sistema operacional, já que ele é o primeiro aparelho da fabricante a deixar de lado a interface MiUI – que tem uma boa quantidade de fãs, mas também alguns haters. Como parte do programa Android One da Google, o dispositivo vem de fábrica com a versão pura do Android Nougat, mas já ganhou uma atualização para o Oreo.

As únicas adições da fabricante são os apps Mi Remote, que permite usar o celular como controle remoto para aparelhos de várias marcas, e Feedback, que serve para relatar problemas ou sugestões para a empresa. Além disso, o aplicativo de fotos também é o da Xiaomi, o que possibilita tirar proveito das câmeras duplas.

Xiaomi Mi A1 review smartphone

O resultado da interface pura é que o Mi A1 pode até não ter várias funções legais que a MiUI leva para outros celulares da Xiaomi, mas o software do aparelho roda de forma extremamente lisa na maior parte do tempo. As únicas vezes em que notei alguma lentidão foi quando tinha acabado de ligar o celular, mas mesmo isso não acontecia sempre.

Além disso, o sistema puro diminui o tempo entre uma atualização ser liberada pela Google e chegar para o aparelho – e o Mi A1 já está garantido como um dos smartphones que vão receber o update para o Android P. Fora isso, a ausência da MiUI elimina o risco da Shop ROM, então você não vai ter que se preocupar em trocar a versão do software para não ter problemas.

Câmeras com altos e baixos

Outro ponto interessante do Mi A1 é o sistema de câmeras duplas de 12 MP na traseira. Já existem vários celulares intermediários que vêm com dois sensores na parte de trás, mas não consigo lembrar de nenhum abaixo dos R$ 1 mil que incluísse zoom ótico, coisa que o Mi A1 tem.

Em ambientes bem iluminados, as fotos tiradas com o dispositivo saem muito boas, com bastante detalhamento e cores ricas. O resultado é mais que o suficiente para você ficar pelo menos satisfeito. O foco é rápido, e os cliques são instantâneos, então não tenho mesmo do que reclamar até aqui. Os sensores duplos também permitem usar o modo retrato para desfocar o fundo, o que dá aquele efeito legal de destaque no objeto principal das fotos.

No entanto, as coisas mudam bastante no escuro. Os sensores têm dificuldade em acertar o foco, e, mesmo quando isso dá certo, há boas chances de as cores saírem apagadas. Dá para usar o flash ou o modo noturno para melhorar um pouco as coisas, mas mesmo assim é provável que as fotos noturnas fiquem cheias de ruídos – e esqueça o modo retrato nessas situações.

Na hora dos vídeos, o Mi A1 consegue gravar em 4K a 30 quadros por segundo. A qualidade da imagem fica boa, mas um sistema de estabilização acaba fazendo falta. Uma coisa com que você tem que tomar cuidado é a posição do microfone, que fica na parte de baixo do celular. É fácil acabar o cobrindo com a mão durante a gravação, e o som fica inaudível quando isso acontece. O celular também consegue gravar timelapse com boa qualidade e slow motion a 120 quadros por segundo, mas a resolução máxima da câmera lenta é apenas HD.

Indo para a câmera frontal, ela tem 5 MP e abertura de f/2.0. A qualidade sai aceitável em ambientes iluminados, mas é apenas OK. Nada que chame a atenção ou que impressione, o que é o esperado da maioria dos intermediários. Já no escuro, aí as selfies saem bem ruins mesmo. Como não tem flash frontal e a tela também não faz esse papel, nesse caso nem tem o que fazer.

Poder de intermediário digno

Indo agora para o quesito desempenho, o Mi A1 conta com tudo o que esperaríamos de um bom intermediário de 2017. O chip é o Snapdragon 625, e a memória RAM vem com um total de 4 GB, o que garante poder de fogo mais que suficiente para rodar de tudo sem grandes sofrimentos. Ocasionalmente, alguns jogos mais pesados podem não funcionar de forma tão suave quanto em um top de linha, mas isso não vai atrapalhar a sua diversão.

A versão que nós testamos aqui é a que vem com 64 GB de armazenamento, mas o Mi A1 também tem um modelo de 32 GB, que pode ser importado por um preço menor. Seja lá qual for a sua escolha, você vai poder usar um cartão micro SD para ter mais espaço para guardar músicas, vídeos e fotos se quiser. Sem falar no espaço ilimitado para imagens no Google Fotos, é claro.

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Benchmarks

Para ver como o Xiaomi Mi A1 se sai em comparação com seus principais concorrentes, o aparelho foi submetido a três aplicativos de benchmark. Os testes utilizados foram o 3DMark (Ice Storm Unlimited), o AnTuTu Benchmark 6 e o Vellamo Mobile Benchmark (HTML5 e Metal).

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O 3D Mark oferece uma série de testes para benchmark de smartphones. Entre eles, o Ice Storm Unlimited permite comparar diretamente entre processadores e GPUs. A resolução do display é um fator que pode afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor o desempenho.

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O app AnTuTu 6 permite testar interface, CPU, GPU e memória RAM dos dispositivos. Os resultados são fornecidos individualmente e somados para gerar uma pontuação total. E aqui também vale a máxima para os pontos: quanto mais, melhor.

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O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes aos smartphones, avaliando o desempenho do celular durante o acesso de conteúdo na internet por meio de navegadores no primeiro e a performance do processador no segundo. Novamente, números maiores indicam resultados melhores.

Display na medida

A tela é um ponto em que o MI A1 pode até não ser nenhum suprassumo da tecnologia, mas fiquei impressionado com a qualidade mesmo assim. O painel é IPS LCD, tem 5,5 polegadas e resolução Full HD, o que garante boa quantidade de detalhes em uma tela com um tamanho legal. A intensidade do brilho também é forte o bastante para você não ter dificuldades para usar o aparelho sob o sol, exceto talvez quando pegar algum reflexo muito direto.

No entanto, o que me impressionou mesmo foi a qualidade das cores. Elas são saturadas na medida certa e com um bom nível de contraste. Eu normalmente diria aqui que o resultado só não é tão interessante quanto o de um AMOLED ou Super AMOLED, mas nesse caso a diferença é tão pequena que você provavelmente só perceberia se colocasse um ao lado do outro. Aí, considerando o preço o Mi A1, é ponto para a Xiaomi mesmo.

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Design bonito, mas sem destaques

Seguindo para o design, esse é um ponto em que o aparelho não é original, mas manda bem. O visual lembra muito o do OnePlus 5, que por sua vez já era parecido com o iPhone 7 Plus. A principal diferença do Mi A1 nesse sentido é o leitor de digitais, que ficou na parte traseira. Mas se por um lado isso quer dizer que não rolou muita criatividade ou inovação, por outro dá para dizer que o celular é, sim, bonito.

A frente é em vidro com as bordas arredondadas, enquanto o corpo é todo em metal, incluindo os botões na lateral. Na parte de baixo, temos um conector USB Type-C, entrada para fone de ouvido e saída de som. A construção é sólida e se encaixa muito bem na mão, deixando a pegada confortável. Mesmo assim, o aparelho é bem liso.

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Falando nisso, posso testemunhar com bastante segurança que o Mi A1 é um aparelho muito resistente contra quedas. Tirando o Moto Z2 Force, que eu derrubava de propósito, esse aqui foi o dispositivo que deixei cair mais vezes até hoje – e algumas dessas quedas foram daquelas que doeram na alma. Sério. Por causa desses tombos, ele ficou com vários ralados nas quinas, mas nada além disso. A tela não trincou ou quebrou, e o aparelho não sofreu qualquer tipo de defeito.

A bateria deixa a desejar

De todos os pontos, a bateria do Mi A1 foi o que me deixou menos satisfeito. Ela tem 3.080 mAh, o que não é exatamente pouco, mas também acaba não rendendo muito. No nosso teste de stress, com reprodução de um vídeo no YouTube por 1 hora com o brilho da tela no máximo, o aparelho consumiu energia suficiente para durar exatamente 6 horas e 40 minutos. Não é dos piores números que eu já vi aqui, mas está longe de ser um dos melhores.

Na prática, o aparelho só consegue aguentar um dia inteiro longe da tomada se você o usar de forma moderada, sem passar muito tempo jogando, assistindo a vídeos ou tirando fotos. Usuários mais intensivos, como é o meu caso, vão ter que andar com o carregador por aí. Falando nisso, o Mi A1 leva cerca de 1 hora e 50 minutos para ir de zero a 100%.

Xiaomi Mi A1 review smartphone

Extras

O sensor de digitais da traseira fica em uma posição intuitiva que é fácil de alcançar. Esse lugar não é tão bom quanto se fosse na frente ou na lateral, porque não dá para desbloquear o aparelho e usar sem o tirar da mesa, por exemplo, mas isso é um incômodo pequeno. No dia a dia, ele funciona muito bem e desbloqueia a tela bem rápido.

A caixa de som do Mi A1 atinge uma boa intensidade e tem uma qualidade sonora decente, por mais que role um pouco de distorção nos volumes mais fortes. O problema aqui é a posição do alto-falante, que é bem fácil de cobrir com a mão quando você está usando o celular na horizontal. Isso pode não o incomodar dependendo de como você segura o smartphone, mas comigo acontece o tempo todo. É bem chato quando estou tentando usar a Netflix ou o YouTube, por exemplo.

Xiaomi Mi A1 review smartphone

O Mi A1 tem espaço para dois chips nano SIM na bandeja, mas um deles é híbrido para você poder usar um cartão micro SD se quiser. Aí você já sabe: quem quiser expandir o armazenamento vai ter que abrir mão de usar dois números ao mesmo tempo.

Vale a pena?

Considerando tudo que vimos até aqui, o Mi A1 traz um pacote competente para um smartphone intermediário. Quando você considera o preço, então, aí ele fica realmente interessante. Em lojas como a GearBest, o modelo de 32 GB está saindo por uns R$ 679, enquanto o de 64 GB fica em torno dos R$ 908 – mas vale lembrar que esses preços podem variar por causa de flutuações do dólar ou de promoções.

Como ele é um celular importado, você pode acabar sendo taxado na alfândega, o que costuma acaba custando uns R$ 200 a mais, e aí os valores totais pelas versões de 32 GB ou 64 GB acabam saindo respectivamente uns R$ 879 e R$ 1.108. Mesmo assim, precisamos avisar também que existe o risco de, em vez desses R$ 200, você ser taxado em até 60% do valor do aparelho, então é bom se preparar com uma grana extra por via das dúvidas.

Xiaomi Mi A1 review smartphone

Por esse preço, é difícil encontrar aparelhos vendidos no Brasil que tragam um pacote tão interessante. O poder de fogo é bom, as câmeras são decentes, o espaço interno é ótimo, e o Android puro e atualizado com rapidez é um ponto muito vantajoso. As maiores desvantagens são a demora na importação e a inexistência de assistências técnicas oficiais da fabricante aqui no Brasil – mas pelo menos lojas como a GearBest deixam você devolver o celular se ele vier com algum defeito de fábrica.

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E aí, o que você achou do Xiaomi Mi A1? Mande aí sua opinião nos comentários e qualquer dúvida que tiver sobrado, que eu respondo assim que puder. Se você ficou interessado em algum dos celulares que eu citei aqui, confira links com preços bem legais a seguir.

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