O PRO 6 Plus é um smartphone de ponta que foi lançado noano passado pela empresa chinesa Meizu e que a Vi trouxe recentemente aqui para o Brasil. Se listássemos as especificações do dispositivo sem dizer qual é o seu modelo ou marca, seria fácil que qualquer um achasse que estamos falando do Galaxy S7, já que até o processador é o Exynos 8890 usado pela Samsung no seu top de linha de 2016.

Com isso em mente, muita gente acaba pensando que adquirir um Meizu PRO 6 Plus significa ter um aparelho com um desempenho tão bom quanto o da coreana, mas sem ter que lidar com os incômodos do TouchWiz, a interface dos smartphones da linha Galaxy. No entanto, a realidade é que as coisas não funcionam tão bem assim no chinês, que é um aparelho bom em geral, mas tem os seus problemas – e alguns são bem bizarros. Confira nossa análise a seguir para entender tudo.

Bom desempenho no geral...

O modelo do Meizu PRO 6 Plus que a Vi trouxe para o Brasil é o que vem com 64 GB de armazenamento. Por mais que essa versão tenha o mesmo processador Exynos que o S7 e a mesma quantidade e memória RAM, o clock da CPU octa-core é um pouco reduzido. Teoricamente, a diferença de processamento deveria ser pequena o suficiente para que a única forma de saber que ela existe seria nos testes de benchmark, já que o uso do aparelho no cotidiano seria tão bom quanto em qualquer top de linha.

Na prática, realmente é isso mesmo que acontece na maior parte do tempo. O celular não dá sinais de engasgos ou travamentos e consegue trocar de um app para outro e rodar sem dificuldades quase todos os aplicativos na Play Store. O problema aqui é a palavra quase, já que o dispositivo apresentou um desempenho bastante incômodo em alguns casos.

... mas não para tudo

O primeiro bug bizarro que percebi durante os testes foi quando tentei jogar Mortal Kombat, que é um título bem pesado e com gráficos exigentes. Ao abrir o game pela primeira vez, vi que ele simplesmente não tinha carregado as texturas. O resultado era algo simplesmente impossível de jogar, então desinstalei o app e instalei de novo por garantia, o que fez tudo parecer funcionar direitinho. No entanto, foi só esperar até o dia seguinte e abrir o game para encontrar o mesmo problema mais uma vez. Reinstalar o aplicativo resolve o bug, mas só temporariamente.

Depois disso, resolvi testar outros títulos parecidos. Injustice funcionou muito bem na primeira vez, mas no dia seguinte simplesmente não abria mais, a menos que eu deletasse e reinstalasse o app. Já Injustice 2, que é o mais pesado dos três que mencionei até agora, funcionou todas as vezes em que eu o abri. O único problema foi que, em alguns momentos, a luta sofre um pequeno lag, o que não impede você de jogar, mas pode interromper alguns combos e com certeza não é algo que se espera de um celular com o hardware que o PRO 6 Plus tem.

Outros títulos com gráficos pesados, como Uncharted e Asphalt Xtreme, não sofreram com bugs e rodaram com gráficos bonitos e lisos todas as vezes. Horizon Chase, que tem uma taxa alta de quadros por segundo, também funcionou sem qualquer queda de desempenho. Com isso em mente, talvez o celular tenha alguma dificuldade específica com a Unreal Engine.

Mas e os benchmarks?

A moral da história aqui é que o PRO 6 Plus tem um ótimo desempenho na maioria dos casos, mas sofre bastante com alguns softwares específicos. Como não temos como testar todos os aplicativos e jogos, talvez seja uma boa ideia procurar alguém que tem o celular e, antes de comprar, testar por uns dias para ver se ele roda tudo o que você pretende usar.

Para ver como o Meizu PRO 6 Plus se sai em comparação com seus principais concorrentes, o aparelho foi submetido a três aplicativos de benchmark. Os testes utilizados foram o 3DMark (Ice Storm Unlimited), o AnTuTu Benchmark 6 e o Vellamo Mobile Benchmark (HTML5 e Metal).

O 3D Mark oferece uma série de testes para benchmark de smartphones. Entre eles, o Ice Storm Unlimited permite comparar diretamente entre processadores e GPUs. A resolução do display é um fator que pode afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor o desempenho.

O app AnTuTu 6 permite testar interface, CPU, GPU e memória RAM dos dispositivos. Os resultados são fornecidos individualmente e somados para gerar uma pontuação total. E aqui também vale a máxima para os pontos: quanto mais, melhor.

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes aos smartphones, avaliando o desempenho do celular durante o acesso de conteúdo na internet por meio de navegadores no primeiro e a performance do processador no segundo. Novamente, números maiores indicam resultados melhores.

Tela das boas

Antes que você fique com a impressão de que o PRO 6 Plus só tem lados ruins, vamos deixar esses problemas de lado e falar de coisas em que a Meizu mandou bem – e o display foi uma delas. A tela do celular tem 5,7 polegadas e resolução Quad HD (2560x1440 pixels), o que garante que você vai conseguir imagens grandes e bem ricas em nível de detalhes.

O painel Super AMOLED tem um nível de contraste excelente e cores bem vivas, o que me agradou bastante na hora de ver vídeos. O brilho também é forte o bastante para que todas as imagens fiquem visíveis mesmo sob sol forte. Não tenho qualquer reclamação nesse quesito.

Design elegante

O design do PRO 6 Plus pode até não ser muito marcante, mas isso não quer dizer que ele não é elegante. As bordas do vidro se dobram na direção das laterais, o que deixa a frente do aparelho bastante bonita. Combinando isso com a espessura fina e com o metal fosco da traseira, o resultado total agradou bastante. Além disso, a pegada é muito confortável e o aparelho não é escorregadio.

Também não tenho queixas sobre a qualidade de construção. O metal da carcaça passa a sensação de ser resistente e não se dobrou ou arranhou durante o tempo que passei usando o smartphone. E por mais que o vidro não tenha a proteção do Gorilla Glass, ele não ficou riscado mesmo depois de vários dias de uso.

Interface com estilo próprio

No que diz respeito ao software, o Meizu PRO 6 Plus vem com uma versão modificada do Android 6.0 Marshmallow conhecida como Flyme. A interface traz algumas mudanças para o sistema operacional, com uma bandeja de notificações e menus de configuração que ironicamente parecem com os da TouchWiz da Samsung – mas as semelhanças param por aí. A maior diferença em comparação com o Android puro é a remoção total dos botões de navegação.

A substituição dos botões de navegação do Android por gestos é interessante, mas exige prática

No PRO 6 Plus, você precisa deslizar o dedo para cima a partir da borda de baixo para abrir o gerenciador de arquivos. Toque no leitor de digitais se quiser voltar ou o pressione para ir para a home. Esses gestos são bem práticos depois que você se acostuma com eles, além de liberarem um pouco de espaço na tela do aparelho. No entanto, você vai precisar praticar um pouco para se acostumar, especialmente para abrir o gerenciador de tarefas.

Outra coisa legal é que o PRO 6 Plus vem com a tecnologia 3D Press, o nome que a empresa chinesa deu para o force touch. Você pode pressionar os ícones de alguns apps com mais força para abrir um menu com opções, mas infelizmente isso só funciona com alguns aplicativos do sistema. Por isso, essa é uma função que provavelmente vai passar sem ser utilizada na maior parte do tempo.

Câmeras competentes

Indo para as câmeras, o sensor traseiro de 12 MP consegue fazer um bom trabalho para capturar imagens de dia ou de noite. As fotos saem com ótimo nível de detalhe e cores vivas, mas tonalidades mais fortes às vezes saem um pouco saturadas demais.

Mesmo assim, o aparelho consegue fazer fotos legais. O flash traseiro é forte, mas pode deixar as imagens um pouco esbranquiçadas se você estiver fotografando de perto. Sobre vídeos, dá para fazer boas filmagens em 4K e há até um modo de gravação em câmera lenta, mas o resultado desse último não é muito impressionante

O sensor frontal tem 5 MP e faz um trabalho competente na hora de tirar fotos em ambientes bem iluminados. Já no caso de o ambiente estar muito escuro, as selfies inevitavelmente acabam ficando granuladas – e como o celular não tem flash frontal, não há muito o que fazer para evitar isso.

O software da câmera tem alguns modos legais, o que inclui um modo manual para você poder afinar várias configurações do jeito que precisar. Também é possível fazer fotos panorâmicas e usar o recurso Refocus para mudar o foco de uma imagem depois que você fizer a captura. O celular tem ainda um modo embelezador, que deixa você alterar vários detalhes do próprio rosto. Aqui vale a recomendação: não coloque todos os medidores no máximo, caso contrário você vai acabar parecendo um ET nas selfies – como aconteceu comigo no registro abaixo.

Bateria OK

A bateria do PRO 6 Plus teve capacidade suficiente para aguentar 9 horas e 5 minutos de reprodução contínua de vídeo durante os nossos testes de estresse. Na prática, os 3.400 mAh de capacidade aguentam tranquilamente um dia inteiro longe da tomada com uso comum. Já se você for um usuário mais intensivo e passar muitas horas do dia jogando ou vendo vídeos, talvez tenha que se controlar só um pouco para ter certeza que vai ter energia sobrando até a noite.

A bateria do PRO 6 Plus aguenta mais de um dia fora da tomada com uso moderado

Mesmo assim, não é como se as pessoas que utilizarem o smartphone de forma mais intensiva fossem ter que se preocupar com o nível da bateria o tempo todo com o Meizu. Além disso, ao menos dá para ficar tranquilo sabendo que o celular tem carregamento rápido, conseguindo ir de 0% a 100% em mais ou menos 1 hora e meia.

Extras

Uma coisa que também vale a pena mencionar é o leitor de digitais, que no PRO 6 Plus fica na frente do aparelho, abaixo da tela. Ele é grande e tem uma posição boa, fácil de alcançar. Além disso, o registro de digitais é rápido e a leitura também – desde que o seu dedo e o sensor estejam limpos. Mesmo assim, é uma pena que não seja possível desbloquear o celular com digitais sem ligar a tela antes, coisa que dá para fazer nos smartphones da Motorola, por exemplo.

Antes de fechar, vale mencionar que o PRO 6 Plus vem com os mesmos problemas de áudio que são recorrentes em muitos aparelhos chineses. A saída de som até consegue atingir volumes fortes, mas distorce o som quando chega perto do máximo. A pior parte, no entanto, é que ela fica na parte de baixo do aparelho, o que significa que você vai acabar cobrindo o alto-falante com a mão quando for jogar ou ver vídeos no modo paisagem. E a caixa não inclui fone de ouvido.

Vale a pena?

O preço oficial que a Vi está cobrando pelo Meizu PRO 6 Plus aqui no Brasil é de R$ 2.199. Se você quiser, pode gastar R$ 2.499 para comprar o celular junto com o kit PhoneStation, que inclui o Vi Cast, que transmite imagens do smartphone para uma TV, e o Vi Center, que projeta um teclado laser em superfícies planas e serve também como power bank de 5 mil mAh.

Considerando que as especificações são as mesmas do Galaxy S7 e que o rival não apresentou os mesmos problemas com jogos, o preço oficial do PRO 6 Plus seria excelente somente se o dispositivo estivesse disponível por esse valor no ano passado. Hoje, é possível encontrar o top de linha de 2016 da Samsung até por menos de R$ 2 mil. Mesmo que a interface do Android seja diferente, o aparelho da Meizu não tem muita chance nesse caso.

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E aí, curtiu o Meizu PRO 6 Plus? Compartilhe a sua opinião e qualquer dúvida que tiver nos comentários abaixo. Quem quiser comprar o aparelho pode conferir alguns links com preços bacanas a seguir.

Opções de compra

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