Pense na seguinte situação: você acaba de comprar um computador. A primeira reação é ir correndo para casa e instalar todos os arquivos necessários para usar a máquina o quanto antes. Após alguns segundos, está tudo lá: drivers instalados, atualizações no sistema operacional feitas e tudo funcionando no disco rígido, que possivelmente terá a letra C. 

E é aí que fica a pergunta: você tem ideia do motivo que faz com que muitos computadores tenham essa bendita letra como padrão para os discos rígidos? 

História antiga 

Os primeiros relatos de computadores utilizando letras para denominar dispositivos de armazenamento é antiga, e nos leva de volta à década de 60. Nesse período, nos sistemas operacionais de máquinas virtuais da IBM (como o CP-40 e o CP/CMS), elas foram usadas para indicar unidades lógicas. Porém, com a chegada do CP/M, da empresa Digital Research, elas passaram a ser usadas para dar ao usuário uma ideia mais específica de qual era o dispositivo de armazenamento físico. 

A ideia de usar letras para dar ao usuário uma ideia mais específica de qual era o dispositivo de armazenamento físico ganhou força com a chegada do CP/M

Duas décadas mais tarde, a IBM tentou usar o sistema operacional CP/M no IBM Personal Computer, mas acabou se envolvendo em uma negociação que não chegou a um acordo. Há indícios de que provavelmente isso tenha relação com o fato de Dorothy Kildall, esposa de Gary Kildall, criador do CP/M, não ter assinado um acordo de confidencialidade com a IBM sem o consentimento de seu marido, que estava viajando à época. 

Um fato curioso é que tais decisões sempre ficavam para a senhora Kidall, e tal recusa acabou irritando os representantes da IBM. Acredita-se que tal movimento tenha sido motivado por Gerry Davis, advogado da Digital Research, mas não há nenhum tipo de fundamento concreto para basear tal informação. 

Entretanto, posteriormente o criador do CP/M e sua esposa embarcaram em uma viagem de férias e acabaram encontrando Jack Sams, representante da IBM, no voo. Ao que tudo indica, nessa ocasião eles acabaram entrando num acordo informal, que Kidall diz não ter sido honrado pela IBM. Já Sams diz que nada disso aconteceu, colocando um pouco mais de lenha nessa fogueira. 

IBM, Microsoft e a letra C

Reza a lenda que, após essa tentativa, a IBM deixou de usar o CP/M para negociar com a Microsoft. Nesse período, a empresa de Bill Gates tinha comprado uma licença para criar um clone do CP/M chamado 86-DOS (ou QDOS). Ele acabou adaptado para o novo computador da IBM e, após algumas mudanças, passou a ser conhecido como MS-DOS (PC DOS para a IBM). 

Além de um sistema parecido, a Microsoft também pegou emprestado o sistema de letras de unidades de disco (que usava a ideia dos sistemas da IBM). Como os primeiros computadores não vinham com opções de armazenamento interno por conta do alto custo (ainda que discos rígidos existissem desde a década de 50), eles traziam um leitor de disquetes de 5,25” que eram rotulados como “A” em sistemas como o MS-DOS. 

Porém, em alguns casos as máquinas vinham com dois drives, fazendo com que a letra “B” também fosse usada. Logo, quando leitores de disquetes de 3,5” passaram a ser incluídos nos computadores, se tornou comum ver as letras “A” e “B” sendo utilizadas. 

Com o passar do tempo, especificamente na década de 80, as unidades de disco rígido se tornaram padrão em muitos computadores. Como as duas primeiras letras do alfabeto já eram utilizadas para os disquetes, o novo dispositivo, que era o terceiro, acabou recebendo a letra “C” – e isso não mudou mesmo depois que ele passou a ser o principal meio de armazenamento das máquinas.

E sempre foi assim? 

Claro que, atualmente, existe a possibilidade de alterar a letra usada para designar o disco rígido do seu computador. Entretanto, o MS-DOS não usou o “C” como padrão para os discos rígidos em todos os sistemas: no Apricot PC lançado em 1983, por exemplo, as letras “C” e “D” eram destinadas aos disquetes, enquanto “A” e “B” ficaram para a principal unidade de armazenamento. 

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