As possibilidades inauguradas por ferramentas de desenvolvimento de aplicativos abrem portas a entusiastas – o sonho de se construir um software que, em semanas, pode estar valendo milhões é uma das imagens que mais encantam programadores mundo afora. Mas a realidade é mais dura: de acordo com relatório emitido pela última edição da VisionMobile (Developer Economics), 50% dos desenvolvedores de iOS e 64% dos desenvolvedores para Android operam abaixo da “linha de pobreza”, ganhando cerca de US$ 500 por mês por app.

O estudo leva em conta respostas de mais de 10 mil desenvolvedores de 137 países que foram entrevistados durante os meses de abril e maio deste ano. A constatação afirma que uma pequena fração de aplicativos é responsável por gerar a maior parte da receita à App Store (somente 1,6% dos desenvolvedores fazem de fato dinheiro com seus apps).

Os que “têm-nada”

Quatro categorias de desenvolvedores foram, a partir do relatório, definidas: os estimados 2,9 milhões de programadores dividem-se entre os que “têm-nada”, os “afetados pela pobreza”, os “persistentes” e os “ricos”. Dos 47% de desenvolvedores enquadrados sob a ficha dos que “têm-nada”, 24% deles não possuem infraestrutura adequada para a criação de apps – o restante (23%) ganha menos de US$ 100 por mês.

Computadores limitados ou dificuldades de divulgação de aplicativos são algumas das causas que levam os desenvolvedores a não obterem sucesso com suas empreitadas. Ainda conforme relata a pesquisa, 35% dos desenvolvedores para iOS ficam nesta categoria; 49% dos que “têm-nada” dedicam seus esforços ao desenvolvimento de extensões para Android. Do total deste grupo, 35% não estão interessados em fazer dinheiro (são “exploradores” ou “amadores”, afirma a Developer Economics).

“Afetados pela pobreza” e “persistentes”

A parcela que reúne os “afetados pela pobreza” é de 22%. Os desenvolvedores pertencentes a este grupo ganham de US$ 100 a US$ 1 mil por aplicativo mensalmente. Deste total, 15% deles ganham de US$ 100 a US$ 500 por mês; 7% chegam a adquirir uma receita mensal entre US$ 500 e US$ 1 mil por extensão publicada.

Os “persistentes” têm mais sorte: 19% dos desenvolvedores chegam a ganhar entre US$ 1 mil e US$ 10 mil por mês – receita esta que se adequa ao valor padrão pago a desenvolvedores profissionais ou até mesmo capaz de gerar boas condições de vida “no final das contas”. Aplicativos pertencentes a esta categoria, porém, são mais complexos e exigem maiores esforços e tempo por parte de seus criadores – o que pode levar um entusiasta à falência.

Quem realmente ganha dinheiro

Mais de US$ 10 mil entram para os bolsos de 12% dos desenvolvedores a partir da publicação de um app: 17% dos “ricos” trabalham na criação de aplicativos para iOS; 9% chegam a ganhar boa receita durante o desenvolvimento de extensões para Android. Para se ter uma ideia, vale mencionar que os 100 jogos mais baixados via App Store nos EUA podem gerar cerca de US$ 10 mil por dia a seus desenvolvedores.

Mas somente 1,6% dos programadores ganham mais de US$ 500 mil mensais – esta pequena parcela conta, inclusive, com desenvolvedores que ganham dezenas de milhões de dólares por mês. “Mais de 50% das produtoras de aplicativos não são sustentáveis em níveis de ‘receita concorrente’ mesmo se excluirmos os desenvolvedores a tempo parcial – que não precisam fazer dinheiro para continuar”, afirma o relatório. 

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