Art Thompson fala sobre os obstáculos no desenvolvimento do projeto (Fonte da imagem: Reprodução/Red Bull Stratos)

Você deve ter acompanhado aqui no Tecmundo o salto histórico de Felix Baumgartner, que quebrou vários recordes ao pular de uma altura de 39,45 quilômetros do solo e alcançar uma velocidade maior do que a do som. Contudo, realizar tal “experiência radical” com sucesso não foi uma tarefa fácil.

Vários preocupações e obstáculos deram muita dor de cabeça para Art Thompson, diretor de toda a parte técnica do projeto Red Bull Stratos. Em entrevista ao site Engadget, Thompson revelou quais foram as maiores dificuldades que sua equipe teve que superar.

Disjuntores personalizados

“Uma das primeiras coisas que me surpreenderam foi assumir que outros projetos espaciais do passado haviam resolvido os problemas com os disjuntores em grandes altitudes e em condições de vácuo”, explica Thompson. Os disjuntores são peças cujo trabalho é detectar curtos-circuitos e eliminá-los rapidamente interrompendo a corrente elétrica. O dispositivo usa, para isso, um sistema de detecção de superaquecimento em áreas do circuito.

“No vácuo, um disjuntor convencional não funcionaria, pois não há nenhuma atmosfera lá para o calor sair, fazendo o dispositivo quebrar.” A equipe de Thompson precisou então criar disjuntores especiais, controlados remotamente do solo, para monitorar corretamente eventuais sobrecargas e superaquecimentos.

Cápsula precisou de disjuntores especiais que operam no vácuo e em grande altitude (Fonte da imagem: Reprodução/Red Bull Stratos)

Cisalhamento do vento

“Também houve problemas para planejar o lançamento do balão. Nós sabíamos que havia bastante chance de ocorrer cisalhamento do vento em uma altitude próxima dos 45 mil pés, com várias rajadas vindas de direções e altitudes diferentes.” O engenheiro explica que, nessas condições, o vento poderia cortar o balão como se fosse uma faca.

“Para nossa sorte, durante o voo, a condição se estabilizou e todos os ventos estavam rumando para o oeste, a 150 milhas por hora.”

Cisalhamento do vento poderia cortar o balão (Fonte da imagem: Reprodução/Red Bull Stratos)

Analisando os dados

“O que eu mais amo na fotografia é que ela combina perfeitamente com a ciência”, diz Thompson. “E também com a biomedicina, nos permitindo monitorar a pressão cardíaca, respiração, temperatura da pele e forças aplicadas no corpo. Com a ajuda dos vídeos de alta resolução, temos uma ferramenta perfeita para análise de dados.”

Equipe do projeto agora poderá analisar como o corpo humano age em condições extremas (Fonte da imagem: Reprodução/Red Bull Stratos)

O engenheiro afirma que, nos próximos meses, sua equipe estará estudando todas as reações do corpo de Felix, desde seu salto até o momento em que ele coloca seus pés no chão. O projeto Red Bull Stratos, além de ter quebrado vários recordes, pode significar um grande passo para a medicina entender melhor as reações do corpo humano em condições extremas como aquelas a que Felix foi submetido.

Fonte: Gizmodo, Engadget

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