Ah, os anos 90. Quem é mais novo e não se lembra bem dessa época, pode se assustar com essa informação: os Macintosh, da Apple, eram um fracasso de vendas, em um cenário dominado pelos PCs e Windows. Para tentar equilibrar os números, a Maçã então resolveu licenciar seu sistema operacional, o MacOS, para terceiros. O resultado foi ridículo — logo abaixo continuamos essa história — e o que pouca gente sabe é que vários clipes parodiam a própria Gigante de Cupertino e a concorrência. Esse baú foi aberto pelo ex-funcionário Dave Garr.

Como resultado do licenciamento da Apple para terceiros, surgiram vários clones de Macintosh de baixa qualidade

Em 1994, apesar de estarem presentes em uma fatia significante entre os fabricantes de computadores, os Macintosh ainda estavam muito presos ao passado e ofereciam acessibilidade e funcionalidades que pareciam complicadas. Para piorar, a maioria dos softwares no mercado era incompatível e o visual das máquinas também já estava datado.

A solução do CEO Michael Spindler foi tentar fazer algo que a Google conseguiu realizar com o Android atualmente. Ele ofereceu o licenciamento de seus produtos para vários grupos. A Bandai, por exemplo, criou um console que rodava o MacOS. A Power Computing, assim como a Radius, foram liberadas para produzir clones de Macintosh.

E nesse cenário nasceu o hilário vídeo “I Think We’re a Clone Now” (“Acho Que Somos um Clone Agora”), em que Garr exibe seus fantásticos falsetes para tirar uma onda com Spindler — que provavelmente não deve ter visto isso na época. Note as referências a Michael Dell e ao ex-CEO da Maçã na época, John Sculley, entre outras boas sacadas que contextualizam bem como era o mercado de tecnologia desse período:

Calma que tem mais

Isso tudo foi descoberto somente no início dos anos 2000, quando um blogger postou o vídeo, posteriormente deletado — o que rendeu relatos no The Guardian e na Wired. Mais de uma década depois, Garr decidiu subir os vídeos por conta própria e até adicionou mais conteúdo inédito, para a alegria de todos.

Esse material conta com sátiras inspiradas em hits como “Can’t Touch This”, do MC Hammer; “Killing Me Softly”, de Charlie Fox; “The Tears of a Clown”, de Smokey Robinson & The Miracles; e “I Want You Back”, dos Jackson 5, com direito ao trecho: “Oh dealer give me one more chance/to return Windows/won’t please let me/exchange it for a Mac”. Confira abaixo.

Bem, como todo mundo por aqui deve saber, o cenário todo mudou quando Steve Jobs voltou para a Apple em 1997. Ele encerrou os licenciamentos para terceiros e comprou a Power Computing por US$ 100 milhões, para acabar com os clones.

Em seguida, lançou uma nova versão do MacOS, o 8, que tinham o suporte de uma linha estreante de processadores, os PowerPC G3 (substituídos pelos da Intel em 2005). As vendas subiram e depois da chegada do designer Jony Ive e do visual arrojado que acompanha a empresa até hoje, os computadores da Maçã se tornaram produtos premium.

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