O diretor Quentin Tarantino é um dos mais aclamados nomes de Hollywood. Ainda que existam algumas pessoas que relutem quanto à genialidade do cineasta, todos os filmes elaborados por esta mente criativa são elogiados e não é por acaso.

Agora, depois de uma longa novela de indecisões de Tarantino quanto à realização do seu oitavo longa-metragem, finalmente podemos apreciar sua obra, que, não por coincidência, recebe o nome de “Os Oito Odiados”.

No filme, acompanhamos um enredo que, como você deve supor, entrelaça as histórias de oito personagens, são eles: O Caçador de Recompensas (Samuel L. Jackson), O Carrasco (Kurt Russell), O Confederado (Bruce Dern), O Cowboy (Michael Madsen), O Mexicano (Demián Bichir), O Pequeno (Tim Roth), A Prisioneira (Jennifer Jason Leigh) e O Xerife (Walton Goggins).

Esses sujeitos peculiares, quase que clichês do faroeste, têm seus caminhos cruzados quando uma nevasca acaba os colocando sob o mesmo teto. Ao longo de pouco mais de três horas, o espectador confere uma trama recheada de tensão, acompanhando as discussões calorosas, recheadas de humor e banhadas em sangue no melhor estilo tarantinesco.

“Os Oito Odiados” agrega os principais ingredientes do diretor em uma história envolvente (ah sim, o roteiro é do próprio Tarantino), com fotografia de cair o queixo (graças ao genial Robert Richardson, que você já conhece de “Kill Bill”, “Ilha do Medo” e por aí vai), trilha sonora de Ennio Morricone (que dispensa comentários) e um elenco genial.

O estilo Tarantino de contar histórias

Se você já viu alguns dos filmes de Quentin Tarantino, possivelmente já sabe que o cineasta é especialista em roteiros bem construídos, que apresentam inúmeros personagens e tentam ilustrar a importância de cada indivíduo em uma determinada história. O filme segue o esquema clássico de capítulos, como já vimos em outras obras.

Sem precisar se esforçar muito, podemos relacionar facilmente os elementos de base deste filme com os de “Cães de Aluguel”. Temos vários personagens que não se conhecem sendo forçados a conviver em situações bizarras e passando um bom tempo em um único ambiente.

É claro que as semelhanças param na parte estrutural do filme, mas os fãs do cineasta certamente vão reconhecer vários elementos de construção ao longo da projeção. As cenas são boladas de forma cautelosa, com diálogos que soam quase como poesia (uma poesia mais moderna e recheada de palavrões, claro) e um incrível cuidado aos detalhes.

O detalhamento de alguns acontecimentos enriquecem as histórias contadas pelos personagens e a plateia fica apenas conjecturando o que é verdade e o que é mentira. O prolongamento do filme ajuda nesse sentido, já que é preciso muitas cenas para introduzir os personagens, contar os detalhes e ainda semear a dúvida na cabeça do espectador.

Faroeste com elegância, bom humor e muito sangue

Este não é o primeiro filme em que Tarantino se arrisca a brincar no velho oeste. Antes de “Os Oito Odiados”, já pudemos conferir o cineasta bancando o ator em “Sukiyaki Western Django” e mostrando sua criatividade em “Django Livre”.

Acontece que “Os Oito Odiados” tende para o faroeste mais clássico, com muitos close-ups durante os diálogos, planos gerais para mostrar as belas paisagens, longas sequências para ilustrar as histórias da diegese, poucas alternâncias de cenários e muita trilha sonora para aumentar a tensão.

O resultado é um filme belíssimo, que capta o estilo dos faroestes antigos, mas que se sobressai ao agregar elementos característicos do diretor. Os destaques, além do excesso de palavrões, ficam para os diálogos que exageram de humor (às vezes, cruéis e racistas) e as cenas mais ousadas que espirram sangue por todo lado.

É bom constatar que, assim como já vimos em outras obras de Tarantino, é muito difícil dar pesos iguais para todos os personagens em um filme tão cheio de detalhes, por isso, dois atores que já são figurinhas carimbadas se sobressaem: Samuel L. Jackson e Kurt Russell.

A escolha no elenco é acertada, principalmente nesses dois sujeitos que conseguem desenvolver os diálogos de tal forma a conduzir o público a emergir de cabeça nesta nevasca de mentiras. De um lado, Russell leva tudo para um viés mais sério; do outro, Jackson rouba a cena com sua astúcia e seu linguajar mais solto.

Assim como já aconteceu com outros filmes de Tarantino, esta obra também deve dividir opiniões. Alguns vão achar genialidade pura, outros talvez não encontrem nada de sensacional, mas o filme tem seus diferenciais e certamente é muito bem executado.

Particularmente, eu fiquei satisfeito com “Os Oito Odiados”, tanto por ser uma obra de faroeste (que eu gosto muito) quanto pela história bem contada (sério, o roteiro é muito legal). É difícil eleger o melhor filme de Tarantino, portanto vou me abster neste sentido. O filme é recomendado pelas várias considerações apontadas acima, mas ainda mais porque ele foi gravado em Cinemascope 70 mm.

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