Famosa não somente por disponibilizar filmes e séries de várias empresas para que possam ser assistidos de onde quiser, na hora que desejarmos, a Netflix também vem investindo cada vez mais em conteúdos próprios, que incluem desde seriados até longas de excelente qualidade. Tentando seguir essa linha, a empresa reuniu Adam Sandler e um time de estrelas para produzir a comédia “The Ridiculous 6”, que estreia no serviço de streaming na sexta-feira (11).

Com direção de Frank Coraci (“Click”), o filme conta com Sandler no papel de Faca Branca/Tommy Stockburn, Terry Crews (“Mercenários”) interpretando Chico, Taylor Lautner (“Crepúsculo”) como Lil’ Pete, Jorge Garcia (“Lost”) vivendo Herm, Rob Schneider no papel de Ramon e Luke Wilson como Danny. Participações especiais também incluem Steve Buscemi, Danny Trejo, Vanilla Ice e muitos outros.

O filme humoroso de velho-oeste acompanha a história de Tommy, mais conhecido como Faca Branca, um homem branco que, ao perder a mãe, acaba sendo criado por índios norte-americanos e adquire habilidades sobre-humanas com facas, além de outros dons místicos. Após seu recém-conhecido pai, o criminoso Frank Stockburn, ser sequestrado, ele parte em uma jornada para resgatá-lo e acaba descobrindo seus cinco meio-irmãos, que se juntam a ele.

Alerta de spoilers

Antes de partirmos para a crítica propriamente dita, vale ressaltar que inevitavelmente acabaremos citando diversos aspectos do enredo do filme. Dessa forma, é recomendado interromper a leitura neste ponto caso você ainda não tenha assistido ao longa e se incomode de saber parte do que ocorre. Se já tiver visto o filme no Netflix ou não se importar com os spoilers, pode continuar sem problemas.

Ambientação excludente

Se você é fã ou ao menos costuma acompanhar as comédias de Adam Sandler, então sabe basicamente o que esperar da novidade, que conta com muitas piadas envolvendo gêneros, estereótipos, etnia, puns e fezes. Como sempre, esse tipo de humor é executado de tal forma que pode acabar tanto ofendendo quanto levando às gargalhadas, a depender do tipo de sensibilidade de cada espectador.

Independentemente do seu gosto por humor, é fato que há um problema com relação à ambientação do filme no velho oeste. Diferentemente de “Click”, que tratava de situações com as quais pessoas de qualquer país são capazes de se identificar, “The Ridiculous 6” exagera nas referências exclusivamente norte-americanas. Dessa forma, a menos que você seja um ávido consumidor de westerns e outros produtos da cultura dos EUA, muitos momentos acabam perdendo o impacto.

Isso não quer dizer que o longa não possui pontos engraçados, mas sim que ele dificilmente se tornará um grande sucesso internacional. Os trechos mais engraçados de “The Ridiculous 6” são justamente aqueles que envolvem mais a natureza humana – e nossas necessidades fisiológicas –, do que o ambiente do filme. A maior diversão do filme, no entanto, vem da interação das estrelas contratadas pela Netflix.

Brilho das estrelas

Enquanto o personagem de Sandler costuma manter um comportamento mais calmo e contido, isso contrasta fortemente com a personalidade de seus meio-irmãos, causando uma disparidade que intensifica os aspectos cômicos de cada um deles. É interessante ver Crews, com todos os seus músculos, fazendo o papel do humilde pianista Chico, e o versátil Schneider, que dessa vez vive o hispânico Ramon e arranca risos durante suas interações com seu burro de estimação.

Os maiores destaques, no entanto, ficam para Jorge Garcia e Taylor Lautner. O primeiro vive o grandalhão mudo Herm e surpreende ao proporcionar verdadeiras gargalhadas apenas por meio de suas expressões e seus grunhidos. Já o segundo brilha como o pateta Lil’ Pete, mostrando que pode se sair muito melhor como um ator de humor cheio de bobeira do que como um galã adolescente.

Em comparação ao outros cinco, Luke Wilson acaba bastante apagado, mas isso se deve mais à natureza compenetrada do personagem Danny do que à sua atuação, que consegue convencer. O elenco de apoio também conta com seus momentos divertidos, mas em geral não consegue tomar o centro das atenções – com exceção de Steve Buscemi, cuja participação reúne o asco e o humor de tal forma que dificilmente será esquecida.

Para quando sobrar tempo

De forma geral, é possível dizer que a boa atuação dos protagonistas se equilibra com a ambientação e o roteiro mal trabalhados para dar origem a um filme que pode até ser divertido, mas muito provavelmente não vai conseguir te matar de rir. É possível notar a qualidade das produções da Netflix no uso das câmeras e dos cenários, mas nem isso deve ser capaz de tornar o longa um grande sucesso internacional.

Somando todos os pontos, é possível dizer que os fãs dos atores envolvidos podem se divertir com “The Ridiculous 6” durante uma tarde ociosa, quando já tiverem esgotado as produções verdadeiramente empolgantes do catálogo do serviço de streaming. Já aqueles que procuram uma comédia realmente capaz de causar gargalhadas provavelmente vão se desapontar e terão que procurar algo a mais para assistir.

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