Com missão de limpar a barra da franquia após criticada adaptação de 2007, o novo filme “Hitman: Agente 47” estreia na quinta-feira (27) para reapresentar ao público as aventuras do assassino geneticamente modificado e sem sentimentos. Com Rupert Friend no papel do protagonista, Hannah Ware como a conturbada Katia van Dees e Zachary Quinto interpretando o rival John Smith, a longa tem uma trama cheia de buscas, perseguições e muitas mortes.

Já nos primeiros minutos somos apresentados ao agente 47, um assassino de elite que é fruto de décadas de pesquisas – com aprimoramentos sobre seus 46 clones anteriores – e é conhecido apenas pelos dois números finais do código de barras tatuado em sua nuca. Segundo o enredo, o protagonista teve seu genoma alterado para se tornar mais rápido, forte e inteligente do que os seres humanos comuns, além de não ser afetado por medo, dor, culpa ou amor.

A história começa quando corporação Syndicate envia seus times para caçar o único cientista capaz de reabrir o programa de criação desses assassinos, o doutor Litvenko – que está foragido há décadas. Nesse momento, uma organização misteriosa envia 47 para encontrar a única pista que pode levá-lo ao pesquisador antes da gananciosa empresa, a sorrateira Katia van Dees. E é aí que começam a surgir os problemas do filme.

Alerta de spoilers

Antes de partirmos para a crítica propriamente dita, vale ressaltar que inevitavelmente acabaremos citando diversos aspectos do enredo do filme. Dessa forma, é recomendado interromper a leitura neste ponto caso você ainda não tenha assistido ao longa e se incomode de saber parte do que ocorre. Se já tiver ido ao cinema ou não se importa com os spoilers, pode continuar sem problemas.

Enredo assassinado

Por mais que a premissa acima abra espaço para uma história emocionante, os problemas do roteiro não demoram a dar as caras. Logo em um de suas primeiras cenas, o fato de Katia buscar avidamente por um homem que não sabe quem é e por motivos que também desconhece já soa estranho. Isso só se agrava quando descobrimos, algumas cenas depois, que ela esqueceu quem era seu próprio pai, mesmo sem razões plausíveis para essa amnésia seletiva.

Para alguém com "genes desenvolvidos especificamente para sobrevivência", até que Katia confia facilmente em desconhecidos

Filha de um renomado geneticista, também não demora para que possamos perceber que a mocinha possui alguns dons incomuns, permitindo que ela ouça e “veja” coisas a partir de grandes distâncias, aparentando ter até capacidades premonitórias. Ainda assim, isso não impede que ela seja completamente enganada e caia facilmente na lábia de John Smith.

Nesse caso, porém, é preciso admitir que as ações iniciais do agente 47 facilitaram as coisas para o vilão, já que realmente é mais fácil confiar em alguém que diz estar tentando te salvar do que em um estranho ameaçador que sai atirando na sua direção em um espaço público. Essa atitude, aliás, também parece abrir um buraco no roteiro, já que a suposta inteligência aprimorada do assassino deveria permitir que ele pensasse em uma abordagem mais discreta e eficiente.

Poder e ação não faltam

Os exemplos de atitudes sem sentido continuam ao longo da história, minando boa parte do potencial que uma trama tão cheia de personagens fortes e supostamente inteligentes poderia ter. Por outro lado, é inegável que a maioria das cenas de combate e perseguição foram pensadas para demonstrar todas as habilidades de 47 e seus rivais de forma empolgante – ainda que alguns momentos envolvendo carros acabem com efeitos especiais de qualidade duvidosa.

A forma como ele subjuga seus oponentes não deixa dúvidas de que estamos vendo um assassino extremamente letal e sem remorso

Logo na primeira cena do longa já nos deparamos com uma demonstração da versatilidade e capacidade de planejamento do protagonista, que trata seus alvos como peões em um campo de xadrez. Além disso, a forma calma e fria como ele subjuga seus oponentes e os elimina – seja com armadilhas ou em combate direto – não deixa dúvidas de que estamos vendo um assassino treinado, extremamente letal e sem remorso.

A expressões, atitudes e ações dos personagens, aliás, são todas reforçadas pela boa atuação de Friend, Ware e Quinto. Os atores conseguem passar convincentemente todo o mistério, confusão, medo, ansiedade e demais sentimentos dos protagonistas – ou a ausência deles, no caso de 47. Isso se torna ainda mais impressionante quando voltamos a considerar a falta de força do roteiro.

Dos games para as telas

Ainda que a trama não seja bem trabalhada, é preciso ressaltar que as cenas de ação não são o único ponto positivo de “Hitman: Agente 47” – especialmente se você for fã da franquia de jogos na qual o filme se inspirou. Além da fiel caracterização do assassino, chegamos a notar que vários momentos do longa lembram missões típicas que estariam presentes nos títulos para video games.

Não somente vemos o assassino despachando friamente seus inimigos em combates corpo a corpo e com armas de fogo, mas também há momentos de infiltração em ambientes fortificados e vigiados, uso de disfarces, movimentos sorrateiros calculados e outras mecânicas vindas direto dos jogos. Além disso, o longa não economiza nos easter eggs para os fãs dos games, retratando até mesmo coisas como um assassinato envolvendo uma banheira e uma torradeira ligada.

De forma geral, a soma de todos esses aspectos faz de “Hitman: Agente 47” um filme que pode até divertir, mas que dificilmente terá força para se tornar uma franquia cinematográfica de sucesso. Se você for capaz de ignorar o roteiro cheio de buracos, é possível encarar o longa como uma daquelas tramas de ação ideais para se assistir de forma relaxada e sem pensar muito durante uma tarde preguiçosa. Uma pena que o desenrolar do enredo o impede de atingir todo seu potencial.

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