Quando Blomkamp anuncia um novo filme, todos ficam na expectativa para descobrir o que o homem por trás de Distrito 9 e Elysium tem em mente. Hoje, chega aos cinemas o filme “Chappie”, que, conforme já esperado, trata de um futuro repleto de novas tecnologias.

Com Sharlto Copley, Dev Patel, Sigourney Weaver e Hugh Jackman no elenco, o longa conta a história de uma criança talentosa, especial e repleta de dúvidas.

Bom, assim como as demais crianças, Chappie sofrerá a influência daqueles que o cercam e terá que confiar em seu coração para encontrar seu caminho no mundo e moldar sua própria personalidade.

Só que Chappie é um bocado diferente: ele é um robô. Ele é o primeiro do mundo com a capacidade de pensar e sentir. Criado pelo engenheiro Deon (Dev Patel), o robô acaba caindo em mãos errados e cresce sob os cuidados de bandidos.

Focando mais na comédia e na ação, “Chappie” tem uma série de reviravoltas, que incluem desde questões éticas até discussões sobre o problema de deixar a segurança nas mãos de robôs. Vale adiantar que o filme foi muito bem executado e consegue divertir de várias formas. Uma obra mais do que recomendada para quem gosta de tecnologia.

Alerta spoiler

Antes de dar continuidade à crítica, vale uma pausa para deixar bem claro que vamos abordar diversos detalhes da trama no desenvolvimento deste texto. É recomendável efetuar a leitura após ter conferido o filme, pois algumas informações aqui presentes podem prejudicar sua experiência no cinema. Nós avisamos.

Uma nova pegada

O diretor Neill Blomkamp é conhecido por seus filmes de ficção — e a familiaridade dele com o gênero garantiu seu nome na direção do próximo longa-metragem do Alien —, mas o estilo de direção (e roteiro) visto até agora era mais focado na seriedade e no debate de temas curiosos ou até mais polêmicos.

Em “Chappie”, podemos conferir um novo lado do cineasta. Conforme comentamos acima, o grande diferencial deste filme é a comédia. Pois é, quem diria que um filme sobre futuro e robôs poderia ser engraçado? As gargalhadas são bem naturais e o roteiro nos induz a cair nas graças do protagonista que age de forma inesperada a cada nova descoberta.

É importante ressaltar, contudo, que não se trata de uma obra de comédia pastelão. O que deixa o filme engraçado é justamente a situação inusitada, com gangsteres pouco ameaçadores, um robô atrapalhado, músicas bem apropriadas e os trejeitos que são pra lá de incomuns ao nosso amigo Chappie.

Vale constatar ainda que o filme consegue equilibrar a comédia com momentos dramáticos, em que chegamos a sentir pena de uma máquina, e cenas recheadas de ação com direito a um robô gigante à la Metal Gear. Aliás, é justamente em sequências regadas a adrenalina que o título consegue se sobressair, deixando a piadinha de lado e mostrando os perigos do futuro.

Intermediando a história dos robôs, temos um seleto grupo de atores (e até os músicos do Die Antwoord) que conseguem sustentar a trama sem dificuldades. Dev Patel e Hugh Jackman são muito importantes aqui, brincando perfeitamente de mocinho e vilão, mas o destaque mesmo fica para os artistas sul-africanos da banda de rap-rave que rouba a cena literalmente!

O elenco de apoio dá aquela sensação de que este é um futuro possível, onde ainda temos governos com decisões duvidosas e empresas que pensam no dinheiro acima de tudo. A escolha da África do Sul como palco principal vem a calhar, já que há cenários bem propícios para o desenvolvimento de algumas cenas-chave na trama.

Tecnologias avançadas e coerentes

Bom, deixando a trama um pouco de lado, vale comentar sobre um elemento que foi de suma importância para a construção do filme: a tecnologia. Trata-se de um ponto falho em muitas obras que retratam o futuro, já que alguns idealizadores têm ideias muito avoadas que não convencem o público ou que simplesmente estão tão distantes da realidade.

Felizmente, Blomkamp com seu tato preciso, ao criar o roteiro, optou por incluir soluções críveis que possibilitam a plateia abraçar a trama com afinco. Apesar de se passar em 2016, um ano muito próximo para algumas ideias, as tecnologias apresentadas não estão tão longes da realidade.

Teoricamente, a força policial robótica apresentada no filme não é algo impossível de criar, ainda mais por serem máquinas que não tem autonomia total. Com um pouco de esforço, poderíamos pensar em uma computação de nuvem muito avançada que ajudaria no controle dos androides.

O exagero mesmo do filme é o robô Chappie, que consegue desenvolver uma capacidade de inteligência absurda. O longa-metragem não perde muito tempo explicando como tudo surgiu e como funciona as novidades. As informações são jogadas na tela e você só precisa aceitar e acompanhar o desenrolar da trama.

Há no meio de tantas reviravoltas um ou outro absurdo (como um backup de zilhões de terabytes que é armazenado em um pendrive), mas pra quem “compra” a ideia de um robô com consciência humana, tais detalhes nem chegam a incomodar.

“Chappie” é um filme que prova a capacidade de Neill Blomkamp em trabalhar com diferentes gêneros, sem perder o fio da meada na questão tecnológica da coisa. Menos lições de moral, mais piadas, assim é o novo filme do cineasta que consegue divertir a plateia. Recomendamos ver no cinema.

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