E a tão aguardada versão cinematográfica de “Cinquenta Tons de Cinza” finalmente chega às telonas de todo o Brasil para agradar aos fãs que esperavam ansiosamente pelo Sr. Grey.

Com direção de Sam Taylor-Johnson (de "O Garoto de Liverpool") e roteiro de Kelly Marcel (de "Walt nos Bastidores de Mary Poppins"), o longa-metragem conta apenas os acontecimentos do primeiro livro de E. L. James.

Para você que não sabe nada sobre a história, vale uma pequena introdução. Em “Cinquenta Tons de Cinza”, acompanhamos o início e parte do desenvolvimento do relacionamento entre Christian Grey (Jamie Dornan), bilionário de 27 anos que tem gostos peculiares, e Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma jovem estudante que trabalha em uma loja de ferramentas.

A grande polêmica do filme — que obviamente está na história original do livro — é justamente a ousadia sexual do Sr. Grey e a forma como a história entre ele e Anastasia se desenvolve. Dito isso, fica a dúvida: rola safadeza no filme? Não muita, e é aqui que temos o principal problema do filme.

Para resumir rapidamente e evitar que você sofra com spoilers, vamos direto ao ponto. O longa-metragem que deveria mostrar ousadia e deixar a plateia boquiaberta não consegue ir muito além de um romance banal e de cenas mais cômicas do que excitantes. Vamos discorrer sobre o assunto para ver o que deu errado.

Alerta spoiler

Antes de prosseguirmos, vale ressaltar que vamos abordar diversos detalhes da trama do filme no desenvolvimento deste texto. Recomendamos que você leia apenas depois de assistir, pois muitas informações aqui presentes podem prejudicar sua experiência no cinema. Nós avisamos.

Roteiro vago

Eu não faço ideia de como o livro conta a história entre Grey e Steele — e também pouco me importa, já que não estou fazendo uma comparação entre as duas mídias e que os protudores e roteiristas deveriam ter pensado em um público muito maior —, mas a verdade é que o filme tem um desenvolvimento muito lento dos personagens e até bem vago.

Tudo bem que o senhor bilionário é um ser cheio de mistérios, mas chegar ao fim da película (que se arrasta mais do que jegue no banhado) e só descobrir que a mãe dele era usuária de crack é muito frustrante.

É bem possível que muitos expectadores simpatizem mais com o mordomo Taylor do que com o próprio Christian. Tal qual a personagem principal, as pessoas que assistem a este primeiro filme ficam confusas e até irritadas com o desenrolar da trama.

Não bastasse esse problema, o roteiro tem uma série de furos. É compreensível que o homem com barriga de tanquinho tenha muito dinheiro e possa ter alguns contatos que facilitem sua vida, mas ele não é o Batman e nem tem espiões espalhados pelo mundo para conseguir seguir uma pessoa tão de perto (e, se tem, o filme deveria mostrar isso).

Há inúmeras situações em que ele simplesmente aparece e não há qualquer explicação de como isso acontece. A cena em que ele faz uma surpresa na casa dela também é bizarra, já que em momento algum ela deu a chave ao rapaz.

O mais bizarro é ver o filme se contradizer. Depois de todo um mistério construído em volta do personagem principal e ele repetindo várias vezes que não gosta de romance, nos deparamos com uma cena de passeio em helicóptero com direito a trilha sonora romântica. Enfim, esses são apenas alguns exemplos de como a história é falha e mal contada.

Tinha que ser mais explícito!

Errar no roteiro é uma coisa que (não deveria, mas) acontece. Agora, não dá para entender por que foram tão tímidos na hora das cenas sensuais. O filme que deveria chocar o mundo com uma relação apimentada não passa de uma exibição dos acessórios de um sex shop.

O longa-metragem apenas dá leves pinceladas sobre algumas das possíveis brincadeiras e práticas inusitadas do Sr. Grey. As cenas são bem leves e estão mais para nu artístico do que para algo ousado e impressionante. Parte da limitação é a falta de sequências mais explícitas.

Quem pensa que vai ver genitálias e atos completos está completamente enganado. O filme parece mais um romance qualquer com cenas de “esfrega-esfrega” com direito a um ou outro acessório mais sadista.

A fotografia e a direção até que vão muito bem, e isso porque estamos falando de gente profissional que sabe o que está fazendo. A trilha sonora é possivelmente o grande destaque, já que consegue ser mais sensual e ousada do que as imagens. No fim das contas, o resultado geral é decepcionante. Uma pena!

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