Uma cidade de porte médio do interior, localizada no sudeste dos Estados Unidos, vem chamando atenção por um fator relativamente incomum para um município com quase 170 mil habitantes: a velocidade da internet. No lugar, os cidadãos podem contratar um serviço público de conexão à internet com um plano de 1.000 Mb/s por US$ 70 mensais.

Convertendo o valor em reais com a cotação de hoje, é possível afirmar que os cidadãos de Chattanooga pagam pouco mais de R$ 150 por mês para se conectar a web com a incrível velocidade de 1 gibabit por segundo. O serviço, oferecido pela prefeitura do lugar, possui ainda outros planos mais baratos, como o de 100 Mb/s a US$ 58 (quase R$ 130) mensais.

“Isso realmente alterou a forma como nós pensamos em nós mesmos enquanto cidade”, afirma Andy Berke, prefeito de Chattanooga. “Somos uma cidade de tamanho médio do sul — para nós, ser a linha de frente da curva tecnológica em vez da ponta traseira é uma verdadeira conquista”, conta o líder do município à CNN.

Serviço público e de qualidade

Contrariando os principais modelos privados de telecomunicações de basicamente todo o mundo, Chattanooga oferece uma alternativa pública, estatal, aos seus cidadãos. A empresa responsável por gerenciar o serviço é a Electric Power Board (EPB), oferecendo conexões mais rápidas e mais baratas do que as principais companhias do setor.

Segundo o Akamai Technologies, a velocidade média de conexão nos Estados Unidos é de 9,8 megabits por segundo, ou seja, mesmo o plano mais “básico” ofertado pela Electric Power Board é 10 vezes superior à média alcançada por quem acessa a internet nos EUA.

Projeto ousado e combatido pela concorrência

O projeto começou em 2008, quando a cidade de Chattanooga iniciou a construção de uma rede de energia “inteligente”, com fibra óptica e capaz não apenas de transmitir energia, mas também o tráfego da internet sem qualquer prejuízo para as ambas.

Rede de energia inteligente da EPB

“Não parece que o setor privado vai oferecer conectividade de alta velocidade de verdade para este mercado”, reclama o porta-voz da EPB Danna Bailey. Nos Estados Unidos, as prestadoras de serviços de telecomunicações investiram US$ 210 bilhões desde 1996 em infraestrutura relacionada às redes de internet, segundo a Associação Nacional do Cabo e das Telecomunicações dos EUA, mas a oferta não alcançou Chattanooga.

De acordo com a CNN, como há pouca concorrência no setor de banda larga, acabam tendo poucos incentivos de fato para que as operadoras invistam em tecnologia para incrementar a sua própria infraestrutura. Essa falha não significa, porém, que o setor privado veja com bons olhos a iniciativa do município de Chattanooga.

A prefeitura da cidade foi processada por empresas locais que oferecem serviços de banda larga e também pela Comcast, segunda maior fornecedora de internet dos EUA e maior rede de TV a cabo do país. De qualquer forma, com um aporte de US$ 111 milhões do Departamento de Energia da cidade a ideia foi levada adiante e a nova rede está em funcionamento desde setembro 2009.

O sucesso é grande: atualmente, a EPB tem 5 mil clientes empresariais e mais de 57,5 mil clientes residenciais. Eles têm acesso a um pacote com TV, telefone e internet, algo semelhante ao serviço oferecido por várias concorrentes privadas da empresa municipal de Chattanooga.

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