Foi-se o tempo em que a conexão com a internet necessitava de um ritual preparatório e de muita paciência. Todo dia, esperávamos até à meia-noite para poder entrar na web.

O procedimento variava de acordo com cada pessoa. Algumas faziam um café para aguardar enquanto o modem realizava a comunicação com o provedor. Outras compravam um bolo pra comemorar quando a conexão chegava bem próximo dos 56 kbps.

Era uma época gloriosa que foi marcada por longos tempos de espera para carregar imagens JPEG de 100 KB. A trilha sonora era o tom de discagem seguido da sinfonia de ruídos que o modem produzia ao se conectar na rede mundial.

Tudo isso era muito legal, mas será que existia algum propósito nesse monte de barulhos? Acredite se quiser: todos os chiados tinham uma função e cada um servia para comunicar determinada mensagem.

Ampliar (Fonte da imagem: Reprodução/absorptions)

A programadora finlandesa Oona Räisänen elaborou a imagem acima com um esquema que mostra o que ocorre em cada etapa do processo de discagem. Hoje, vamos conferir o que cada ruído representava e como a conexão era estabelecida.

Discando para o provedor

Depois que seu modem estava devidamente configurado, bastava iniciar o bom e velho discador do Windows (ou abrir aqueles discadores personalizados), informar o telefone do provedor, o nome de usuário e a senha. Ao clicar em “Conectar-se”, o sistema entrava em ação e começavam os procedimentos de comunicação.

Nos três ou quatro segundos iniciais, o modem verificava se havia tom de discagem (da mesma forma como você faz antes de efetuar uma ligação em um telefone). Essa primeira etapa serve para garantir que a linha está operante e que é possível estabelecer qualquer tipo de contato. Em seguida, ele discava o número que você informou na configuração do discador.

(Fonte da imagem: Reprodução/Big Net)

Assim como em um telefonema, o modem também precisa de respostas para saber que não está falando sozinho. É justamente por isso que, se você colocasse um número aleatório na configuração, ele não conseguiria estabelecer uma conexão e, possivelmente, você até ouviria a voz de alguém atendendo ao telefone.

Trocando informações básicas

Depois de discar, o modem no computador aguarda uma resposta do provedor. O aparelho remoto (um modem capaz de se comunicar com diversas máquinas simultaneamente) inicia uma transação em códigos em V.8 bis e solicita que seu PC informe suas capacidades.

O modem no computador responde ao código V.8 bis e solicita mudar o tipo de conexão para o modo de transferência. Além disso, o hardware da sua máquina envia suas capacidades, informando o país de origem e até mesmo a fabricante.

Para dar continuidade à conversa, os dois modems continuam se comunicando para saber quais modulações estão disponíveis. A ideia nesta etapa é desabilitar a supressão de ecos e iniciar a troca de informações na linguagem mais avançada possível (V.32, V.42 LAPM, PCM V.90/V.92 e assim por diante).

(Fonte da imagem: Reprodução/Laercio)

Essa parte é algo que difere uma conversa de computadores de outra de humanos. Quando pessoas se comunicam via telefone, em um determinado momento uma realiza o papel de falante, e outra faz o de ouvinte — depois, esse quadro se inverte. Os computadores podem falar e ouvir ao mesmo tempo, o que chamamos de conexão Full-Duplex.

Testando capacidades e estabelecendo conexão

Após saber o que cada um pode fazer e estabelecer um protocolo para troca de informações, o provedor verifica qual a velocidade máxima para a linha. Uma vez estabelecido que o modem suporte uma conexão de 52.600 bps (aproximadamente 51 kbps), por exemplo, o provedor informa ao modem que ele não pode reduzir a energia.

Agora, todo aquele chiado no fim da música indica que as duas partes estão estabelecendo a transmissão e se certificando de que há uniformidade no sinal. Por fim, mais alguns dados em códigos binários são trocados e equalizados para garantir a otimização do sinal.

Finalmente, o alto-falante do modem fica em silêncio e toda a troca de dados é realizada sem que o usuário ouça barulhos. A partir desse momento, as informações só podem ser verificadas através dos softwares no sistema. Caso a conexão seja finalizada, o usuário ficará sabendo quando o modem reproduzir um pequeno estalo.

Nas atuais conexões de ADSL, boa parte dessa rotina não existe mais, visto que as linhas são dedicadas, ou seja, não é preciso mais discar para um determinado número de provedor. Basicamente, o que muda atualmente é que os modems são externos, possuem configurações próprias e já têm parâmetros específicos quanto às velocidades máximas.

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