"Tablets são muitas vezes os primeiros computadores das pessoas." (Fonte da imagem: Reprodução/Salon)

Uma pesquisa divulgada ontem (10) pela Gartner confirmou o que olhos mais atentos já enxergavam: em comparação com os dois primeiros trimestres do ano passado, as vendas de PCs caíram 10,9% nestes primeiros seis meses de 2013 — apenas 76 milhões de unidades foram vendidas mundo afora.

De acordo com Mikako Kitagawa, diretor de análises da empresa responsável pelo levantamento dos números, “a redução do mercado de PCs está diretamente ligada ao encolhimento dos computadores – tablets caros e robustos têm sido usados por mercados emergentes e por empresas desenvolvidas”.

O pesquisador comenta também que os gadgets “têm sido o primeiro computador para muitas pessoas, que na melhor das hipóteses podem estar adiando a compra de PCs”. Na região do Pacífico Asiático, por exemplo, essa foi a quinta queda consecutiva registrada nas vendas de personal computers, refletindo o que se notou de forma majoritária no restante do mercado mundial.

Na opinião de Kitagawa, o ano de 2012 marcou o fim do reinado dos PCs. “A área de notebooks também entrou em colapso com isso”, diz o executivo ao referir-se ainda à “era dos computadores de bolso” (representada por smartphones e tablets, sobretudo).

Quem ganha quando todos perdem?

Apesar da divulgação dos tais dados, as fabricantes de PCs competem de modo acirrado entre si, colocando assim outra questão em xeque: esse setor de mercado estaria mesmo morrendo? De qualquer forma, fato é que a Lenovo desponta em termos de comércio mundial nesta “competição entre perdedores”, como comenta John Koetsier, redator do site VentureBeat. O desfalque computado pela empresa foi de apenas 100 mil unidades neste primeiro quarto de ano (se considerado o desempenho da companhia no primeiro trimestre de 2012).

Nos EUA, a queda nas vendas não foi drástica. (Fonte da imagem: Reprodução/Allwebuseful)

Nos Estados Unidos, contudo, a HP mantém-se líder nas vendas de PCs — cerca de 300 mil computadores foram negociados pela empresa. É curioso notar que os consumidores estadunidenses parecem não ter sentido de modo drástico a invasão dos computadores de bolso nesses últimos meses: uma queda de apenas 1,4% foi registrada nas vendas de desktops na terra do Tio Sam.

Outros motivos

“Nossos resultados preliminares indicam que essa redução no mercado [de PCs] é atribuída ao crescimento sólido do mercado profissional”, explica Mikako Kitagawa referindo-se a outra variável que tem influenciado o tal setor de tecnologia. “Três das maiores fornecedoras de PCs profissionais [HP, Dell e Lenovo] apresentam registros de crescimento superiores às taxas [de desenvolvimento] dos Estados Unidos. O fim do suporte ao Windows XP fez com que o mercado profissional dos EUA se atualizasse”, diz o especialista.

Novos perfis de usuários

E o que poderia justificar a preferência dos consumidores por computadores cada vez mais portáteis? Para Isabelle Durant, também pesquisadora da Gartner, “o declínio acentuado aconteceu, em parte, devido à mudança nos padrões de uso de notebooks e tablets; o mercado de PCs foi exposto a reduções de estoque em função dessa fase de transição para os novos produtos [mobiles de alto desempenho]”.

Gadgets robustos têm influenciado o mercado dos PCs. (Fonte da imagem: Reprodução/Businessweek)

Então o que pensar? Parece prudente, ao menos neste primeiro momento, adotar uma postura cautelosa frente aos resultados apresentados e entender, agora, que a tecnologia computacional enfrenta uma mutação. Dispositivos cada vez menores e não raro até mais robustos que desktops são gadgets encontrados comumente nos bolsos de quem usa os tão conhecidos mobiles nessa era plena de inclusão digital.

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