Mesmo se você não for um daqueles fãs incondicionais de quadrinhos, as chances são de que você já se deparou com algum trabalho de Frank Miller – e, o mais provável, curtiu a produção. Duvida? Bom, o veterano da indústria do entretenimento já bolou personagens como Elektra – nas HQs do Demolidor –, é o responsável pela criação dos trabalhos originais que inspiraram os filmes das franquias “300” e “Sin City” e, de quebra, roteirizou “RoboCop 2” e “RoboCop 3”. Com um histórico invejável, o artista foi o convidado de honra e grande homenageado da Comic Con Experience 2015.

Para selar a parceria, o evento escolheu o badalado Auditório Cinemark para abrigar um painel especial de tributo ao norte-americano. Com o espaço com lugar para cerca de 2,5 mil pessoas abarrotado de geeks de todas as idades, Frank Miller foi ovacionado em sua entrada no palco para uma bate-papo com o apresentador Marcelo Hessel. Mesmo parecendo estar bastante debilitado e exercitando ao máximo o seu lado rabugento, o astro das histórias em quadrinhos falou de sua carreira, da sua relação com os produtos derivados das suas obras e até revelou um novo trabalho que está por vir.

Caminho duro

Durante a conversa, Miller explicou que as coisas não foram exatamente fáceis no começo da sua vida como desenhista. Apesar de adorar trabalhar com arte, por exemplo, ele teve que se tornar um autodidata na profissão, já que as escolas tradicionais do ramo não aceitavam seu ingresso nas aulas por conta do estilo pouco ortodoxo das suas figuras. Mesmo quando conseguiu entrar na indústria dos quadrinhos, teve que lidar com os pagamentos nada generosos da época.

Ele contou que, para fazer parte da primeira geração de artistas a realmente fazer dinheiro e viver de quadrinhos, teve que trabalhar muito, aceitando praticamente qualquer trabalho que caísse na sua mesa. Conforme foi ganhando mais notoriedade, as editoras começaram a pagar mais por página, o que garantiu um salário mais estável todos os meses. Miller, no entanto, se recordou que só quando foi para a Marvel é que pôde juntar o útil ao agradável e uma grana com o que gostava.

Chamado pela empresa para fazer alguns “trabalhos de gaveta” – que cobririam eventuais buracos no cronograma de lançamentos –, ele logo se apaixonou pelo Demolidor, um herói que, naquele momento, era bem pouco popular e estava prestes a ser cancelado. De forma resumida, ele pediu para trabalhar na revista do “homem sem medo”, a Marvel deu carta branca e ele simplesmente revolucionou o personagem, criando algumas das sagas mais épicas do vigilante de Hell's Kitchen.

Como sua série "A Queda de Murdock" na revista do Demolidor está sendo usada parcialmente na série produzida pelo Netflix, Miller foi questionado se havia assistido ao material. Sua resposta? Um curto e grosso: “Não”. Como a pergunta se estendeu para abordar o que o artista achava da assassina profissional Elektra ser incluída no projeto da Marvel em parceria com o serviço de streaming, o homenageado do dia foi além e disse que “eles podem chamar ela do que quiserem, mas não vai ser a Elektra de verdade”.

Projetos e momento emocionante

Apesar de guardar um certo ressentimento quanto aos negócios de Hollywood e dizer que não aprova quase nada do que se vê hoje em dia no cinema, Miller admitiu que essa mídia é a plataforma mais poderosa que existe para se contar uma boa história e até que gostaria de voltar a produzir para esse mercado. Falando em retornos, o autor, que anda trabalhando na terceira saga da franquia do Cavaleiro das Trevas – The Dark Knight III: The Master Race –, confessou que gostaria de criar um projeto semelhante ao de Batman, mas contando uma história do Superman na qual Bruce Wayne é o cara mal.

Esse desejo de criar uma trama com o personagem da DC, no entanto, não foi a maior revelação – nem a mais bombástica – durante o painel, já que, respondedo a dúvidas do público, Miller disse com todas as letras que a sua próxima investida nas HQs é um novo álbum da série Sin City, chamada por ele de “Sin City 1945”. Apesar de não ter revelado muitos detalhes da futura revista, o veterano explicou que a trama deve envolver um agente secreto lutando contra os nazistas. Será que já dá para reservar uma cópia do trabalho, hein?

Outro ponto alto do painel foi a presença de um leitor de longa data de Miller, que na sua vez de fazer perguntas ao mestre disse que “300” foi o quadrinho que mudou a sua vida e que o fez virar um aficionado pelo segmento. Bastante emocionado, ele pediu que o norte-americano autografasse aquele exemplar histórico da saga dos espartanos. Frank Miller, além de descer do tablado e ir assinar a publicação, abraçou o fã e deixou que ele tirasse uma porção de selfies desse momento único da CCXP 2015.

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