Não é novidade que a tecnologia 3D vem abalando o mercado de entretenimento. A cada dia, mais filmes são lançados em três dimensões, seja com formato para grandes telas ou para televisores. Para muitos, a popularização do sistema é evidente: em 2011, é esperado que até mesmo aparelhos mobile cheguem às lojas com telas 3D, com sistemas que dispensam o uso de óculos.

Entretanto, muitos especialistas ainda enxergam a tecnologia com bastante receio: além de trazer diversos problemas para alguns espectadores e ser um sistema que não se adapta a qualquer tipo de filme, ele pode ameaçar a arte do cinema, deixando técnicas tradicionais de lado para priorizar grandes explosões.

O começo de tudo

Diferente do que muitos pensam, o 3D é um sistema bastante antigo. Ele apareceu pela primeira vez em desenhos, no ano de 1838. A visualização era possibilitada por um estereoscópio criado pelo cientista britânico Charles Wheatstone. Na década de 50, a tecnologia já era utilizada comercialmente nos Estados Unidos.

Fonte da imagem: Wikipedia

Nos anos 80, parques da Disney já contavam com cinemas 3D que exibiam imagens bastante impressionantes para a época. Na mesma década, alguns espetáculos já traziam até mesmo os princípios da tecnologia 4D, adicionando algumas experiências sensoriais aos brinquedos dos parques temáticos.

Mas então por que a tecnologia 3D só está se destacando nos últimos anos? Bom, isso não é inteiramente verdade. O 3D já teve altos e baixos desde suas primeiras aparições. Mas, para a maioria das pessoas, desta vez o sistema veio para ficar.

Um dos motivos para o crescimento vertiginoso do uso da tecnologia é o filme Avatar (2009). Para desenvolver o longa metragem com 100% do tempo em 3D, o diretor James Cameron precisou criar novas câmeras, possibilitando um total controle daquilo que era filmado. Antes disso, filmes com a tecnologia exibiam apenas algumas cenas em três dimensões.

Isso ocorria para que os espectadores não sentissem náuseas pela longa exposição ao conteúdo. Com o sistema de lentes duplas, desenvolvido pela Sony em conjunto com a equipe de Cameron, o problema diminuía consideravelmente, além de proporcionar uma experiência 3D completa.

Já no primeiro final de semana em cartaz, Avatar arrecadou cerca de US$232 milhões. Metade de seu custo total de produção. Pouco tempo depois, o longa tornou-se o filme de maior bilheteria de todos os tempos.

Isso alavancou a produção de filmes em terceira dimensão, ampliando significativamente o número de salas de cinema com a tecnologia. Para se ter uma ideia, em todo o mundo, após o lançamento de Avatar, as salas com suporte ao sistema 3D saltaram de 5.000 para 6.700 (quase 40%), em apenas seis meses.

Mas por que filmes 3D podem não fazer sucesso?

Efeitos limitados x Alto custo

Alguns especialistas acreditam que a experiência 3D não traz tantos benefícios se comparado a um filme comum. Alguns ousam dizer que, se não houvesse cenas em que coisas são “atiradas” em direção à plateia, todos esqueceriam que estão assistindo a um filme em terceira dimensão.

Se você já viu aqui no Baixaki como funciona o sistema 3D, deve saber que nosso cérebro é o responsável por unir as imagens projetadas na tela, criando a sensação de profundidade. Isso ocorre porque, naturalmente já vemos o mundo em 3D. Se pensarmos desta forma, é possível entender o motivo pelo qual algumas pessoas simplesmente não acreditem no 3D: não há nada de novo em enxergar três dimensões.

Como o cinema 3D custa, em média, o dobro do valor do ingresso comum, não é difícil imaginar espectadores frustrados com experiências pobres ao sair da sala de projeção. Com o tempo, muitos podem se desmotivar a gastar mais dinheiro para ver um filme 3D, caso ele não contenha muitas cenas de ação, em que explosões e objetos se projetem à sua frente. Para fazer estes efeitos especiais, um filme precisa ser pensado em 3D desde o começo.

O custo para produzir filmes como Avatar, em que as imagens são captadas em 3D, são muito mais altos do que a conversão de imagens. Por isso, esta última técnica é a que vem sendo aplicada na maior parte dos filmes que são lançados mundialmente. Então, voltamos para o questionamento inicial: vale a pena pagar a mais para ver cenas sem qualquer tipo de ação apenas por apresentarem profundidade?

Ao analisar esta situação, é fácil perceber que filmes produzidos em 2D e convertidos para 3D acabam não tendo vantagens o suficiente para agradar a maioria dos usuários. Para saber mais a respeito da conversão de filmes do sistema 2D para 3D, confira este artigo do Baixaki, que esclarece as principais questões do assunto.

Arte x Tecnologia

Para muitos diretores e cineastas, o crescimento do 3D pode fazer com que outros itens de um longa metragem sejam deixados de lado. Por exemplo, efeitos de alta tecnologia podem ser usados para esconder um roteiro mal elaborado.

Neste caso, a arte cinematográfica estaria empobrecendo em detrimento de uma tecnologia. Grande parte dos críticos de cinema concorda com esta opinião. Roger Ebert é um deles. O jornalista, crítico do “Chicago Sun-Times”, já teve um artigo publicado na “Newsweek” em que defendia a morte do 3D. Sem qualquer receio, Ebert traz uma lista de nove itens que amparam seu ódio à tecnologia.

Em meio às suas teorias, o jornalista apresenta os bons roteiros como os maiores responsáveis pela possibilidade de se dispensar a tecnologia. Ele chega a dizer que jamais conseguiria imaginar um roteiro de drama sendo produzido em 3D. Ebert cita filmes como “Precious”, “Fargo” e “Casablanca”, como trabalhos que dificilmente teriam maior sucesso por apresentarem cenas em três dimensões. Para ele, na maioria dos casos, o 3D não acrescenta nada à experiência do espectador.

Enjoos e dores de cabeça

Até mesmo com a tecnologia empregada por James Cameron em Avatar, muitas pessoas sentem-se mal ao assistir filmes com efeitos em terceira dimensão. Isso ocorre porque alguns pequenos problemas nos olhos – como desequilíbrios musculares, que não trazem qualquer efeito em circunstancias normais – podem resultar em situações desagradáveis ao assistir imagens em3D.

O movimento natural dos olhos é enxergar as coisas com ângulos levemente diferentes, o que não ocorre nas filmagens em terceira dimensão. Este pequeno deslocamento confunde o cérebro, que não está preparado para interpretar esta nova experiência visual. Por se tratar de um mecanismo natural do corpo humano, grande parte dos espectadores acaba tendo esta experiência negativa se expostos à tecnologia por longos períodos de tempo.

Imagens escuras

Uma das características das imagens 3D é que elas têm taxas de brilho menores do que as convencionais. Em certos casos, filmes em três dimensões podem perder cerca de 80% do brilho se comparados a produções em 2D. Isso acontece porque, ao dividir a imagem em duas para criar o efeito, perde-se metade da luz – cada parte vai para um olho.

Como, no cinema, as salas ficam em total escuridão, é um pouco mais difícil para o público notar a diferença, porém, em filmes produzidos em duas dimensões e posteriormente convertidos para 3D, a diferença é gritante: pelo menos um terço da luminosidade é perdido.

Isso tudo faz com que a qualidade da imagem não seja satisfatória. A unidade básica de medida das taxas de iluminação em telas de cinema é o foot-lamberts. Uma boa produção em 2D tem uma média entre 14 FL e 16 FL, enquanto os filmes 3D contam com números entre 2 FL e 4,5 FL (como é o caso de Avatar).

Com uma taxa de 3 FL, praticamente perde-se a noção das cores e as imagens ficam completamente sem vida. Isso faz com que o público não possa apreciar da melhor maneira a imersão que a tecnologia proporciona.

3D? Que 3D?

O que poucas pessoas sabem é que, nada menos do que 10% da população mundial simplesmente não consegue ver 3D. Porém, estes números podem ser ainda piores: alguns estudos comprovam que, aproximadamente, 56% das pessoas têm disfunções que atrapalham de alguma forma a visualização de filmes em terceira dimensão.

Outro problema é para pessoas que têm apenas um olho: infelizmente, para elas é impossível enxergar com nitidez imagens com destaque em mais de um plano. Não estamos falando que poucos milhões de pessoas possam derrubar definitivamente uma tecnologia, mas com certeza, este é um dos pontos a serem analisados em uma discussão.

As diferentes aplicações do 3D

A popularização do sistema

Após a estreia do filme de James Cameron, o céu se tornou o limite para o sistema 3D. Grandes expectativas passaram a se formar em torno dos novos formatos desta tecnologia, abrindo espaço para diferentes aplicações das imagens em terceira dimensão. Aquilo que começou nas telas dos cinemas já faz parte do cotidiano de muitas casas em todo o mundo.

Mas mesmo com os televisores 3D invadindo o mercado, o produto não vem fazendo tanto sucesso quanto se esperava.  No Japão, por exemplo, o modelo 3D Regza da Toshiba, que não necessita de óculos, teve apenas 500 unidades vendidas em seu mês de lançamento, metade do que o fabricante esperava comercializar.

Aparentemente, o motivo da falta de interesse nos modelos 3D ainda seja o alto custo do produto, se comparado a televisores de alta resolução sem a tecnologia que permite visualizar imagens em três dimensões. Esta tendência pode se reverter com a introdução de novos modelos no mercado, diminuindo o preço dos produtos. Entretanto, esta situação demonstra que os consumidores ainda não estão dispostos a pagar muito a mais pelo 3D.

Além dos televisores, a nova aposta deste mercado agora é para aparelhos mobile. Embora o sistema também não seja novidade (em 2003, a Sharp já havia lançado no Japão um celular com display 3D), a possibilidade de carregar pequenas telas que exibem conteúdos em terceira dimensão, agrada a muitos usuários.

Rumores apontam para uma expansão deste mercado após o lançamento da nova linha de gadgets da Apple, que deve ganhar um sistema de visualização de 3D sem a necessidade de usar óculos.

Games 3D

Ao contrário do cinema 3D, games cheios de ação tornam-se uma experiência completamente nova para os usuários. A imersão possibilitada pela tecnologia impressiona os jogadores e, por isso, desenvolvedores de games estão ampliando a cada dia o suporte para a visualização em três dimensões.

Com isso, a impressão não é mais de ser um espectador, mas o usuário passa a fazer parte do game. Por isso, títulos desenvolvidos para serem jogados em três dimensões podem ganhar bastante espaço no mercado. As sensações ao se jogar em 3D acrescentam muito à experiência. Aqui no Baixaki, você pode conferir um artigo especial sobre a tecnologia aplicada ao mercado de jogos.

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A tecnologia 3D está crescendo a todo vapor, mas você acredita que ela dominará o mercado cinematográfico, mudando definitivamente a forma como assistimos filmes? Cenas de ação criadas em três dimensões podem ser realmente impressionantes, mas será que vale a pena pagar a mais para ver um filme apenas por apresentar profundidade? Você acredita que o 3D seja uma tecnologia definitiva, que se apresentará em todos os tipos de roteiro nos próximos anos?

Queremos saber sua opinião: comente deixando suas apostas para o futuro do 3D!

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