E a jornada finalmente chega ao final. Depois de esticar o máximo possível uma história que poderia ser contada em apenas quatro horas, Peter Jackson nos apresenta o desfecho dessa épica aventura que precede a tão famosa trilogia do “Senhor dos Anéis”.

O último longa-metragem da saga “O Hobbit” pega carona direta nos atos inacabados do segundo filme, onde veremos o dragão Smaug soltando sua fúria no mundo, enquanto a companhia dos Anões e Bilbo, liderados por Thorin, está faceira na Montanha Solitária.

Para quem não está a par da história, o capítulo final mostra Escudo-de-Carvalho obcecado pelo tesouro, o que forçará nosso amigo Hobbit a tomar decisões extremas e arriscadas. Não bastasse isso, os Orcs de Sauron e outros inimigos virão tentar abocanhar um tanto do ouro, culminando na batalha citada no título.

O filme tem tudo para impressionar com uma guerra alucinante (que pelo menos acontece e é bem detalhada) e muitas reviravoltas, mas será que o roteiro consegue surpreender os expectadores? Nós conferimos o filme e agora vamos comentar sobre os acertos e erros, tanto na história quanto nos quesitos técnicos.

Alerta spoiler

Se os detalhes acima já não foram spoilers o suficiente (apesar de que tudo que falamos está na sinopse oficial divulgada pela Warner Bros.), deixamos claro aqui que vamos abordar outros detalhes da trama no desenvolvimento desta crítica. É recomendável ler este texto após ter conferido o filme, pois algumas informações deste texto podem prejudicar sua experiência no cinema.

Olha o dragão! Onde? Já foi...

Não convém tratar de detalhes específicos sobre a aparição de Smaug, mas a verdade é que ele faz uma ponta tão reduzida no filme que ficamos nos perguntando se não teria sido mais inteligente colocar essa cena no fim da segunda película.

São apenas algumas manobras aéreas, uma ou outra fala e, num piscar de olhos, o dragão se foi. Tão logo, você será levado a esquecer da presença imponente desse ser mitológico e focar em uma batalha que não tem a mesma graça como poderia ter a luta prolongada contra o animal fabuloso.

Felizmente, as cenas iniciais do longa já servem para dar um ânimo na plateia, já que há muitos efeitos especiais e as destruições são bem projetadas. Claro, as situações apresentadas no começo da trama também servem para dar vigor ao restante, mas isso poderia ser feito de forma diferente e deixar o público muito mais extasiado.

A ação vale a pena

Tratando especificamente das cenas de guerra, não temos do que reclamar, pois elas seguem muito bem as batalhas apresentadas que já vimos em filmes anteriores da série. Os fatos são coerentes, as ações dos personagens fazem sentido e há uma cena de luta muito boa entre o bem e o mal.

Todas as ideias usadas no campo de batalha são válidas e garantem um ritmo frenético ao filme. Há um perfeito balanço na exibição das diversas frentes de combate, permitindo que acompanhemos todo o desenrolar dos acontecimentos de forma natural.

É claro que há muitos absurdos aqui, mas é preciso considerar que estamos tratando de personagens que viraram lendas, então é aceitável ver pequenos grupos detonando grandes exércitos. Temos também algumas ações inesperadas (e até ridículas), mas elas não afetam no resultado final.

Romance e personagens desnecessários

Deixemos a trama principal de lado, até porque ela é bem resolvida (ainda que com algumas inconsistências e fatos desanimadores), e vamos falar do que importa: aquela linguiçada para mostrar que era preciso ter três filmes.

Você se lembra daquele romance desnecessário apresentado no segundo filme? Então, ele toma forma e ganha forças nesta continuação. Pois é, são várias cenas de choro, melodrama, amor verdadeiro e outras coisas bobinhas que deixam muita gente refletindo sobre o que Peter Jackson pretendia com esse tipo de coisa.

Não fosse suficiente esse tipo de ideia, o último filme da saga consegue ser extremamente cansativo ao introduzir um personagem chato e irrelevante. Anote aí: o nome do personagem é Alfrid (interpretado por Ryan Gage), que você confere na imagem acima. Esse cara vai perturbar durante todo o desenvolver da história e no fim não vai ter agregado nada. Uma mancada sem tamanho!

Espichando o máximo possível

É impossível tratar de “A Batalha dos Cinco Exércitos” como um filme totalmente isolado, já que ele depende de toda a construção dos fatos apresentados em filmes anteriores. Não há como descolar um do outro. Além disso, uma comparação entre as partes é inevitável, já que acabamos tendendo a julgar qual foi melhor ou pior em diversos aspectos.

A verdade é que o desfeche da trilogia se sai melhor do que o miolo, mas não culmina em um fim épico ou consegue superar as expectativas que criamos lá no primeiro filme. Trata-se de uma obra deveras enrolada e espichada, que, apesar de caprichar na ação (com algumas ressalvas), deixa a desejar em vários pontos.

Em termos técnicos, Peter Jackson e sua equipe trabalham com maestria. Efeitos especiais de primeira, uma trilha sonora absurdamente linda composta por Howard Shore, atuações muito boas dos protagonistas e batalhas bem coreografadas são alguns dos destaques.

Entretanto, ao observar os detalhes, é possível que a plateia sinta algumas decepções ao ver que o filme dura mais de duas horas apenas para mostrar fatos irrelevantes, focar em um romance que não tem qualquer nexo com o todo e, claro, mostrar todas aquelas belas paisagens da Nova Zelândia.

Não fosse a enrolação, que já vem do segundo filme, certamente a obra poderia ser resumida em dois títulos com três horas de duração cada. “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos” entrega o final que muita gente já esperava, mas não surpreende.

Os roteiristas até tentam arrumar algumas coisas com lições de moral no fim — e jogam informações para ligar a obra com a trilogia do Senhor dos Anéis, já que ninguém sabia que um era continuação do outro —, mas é provável que os fãs de verdade não apreciem o resultado. É um bom filme para ver no cinema (ou em IMAX) por conta da ação e dos efeitos, porém você precisará de paciência com algumas ideias desnecessárias.

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