O lendário herói Hércules ficou famoso ao longo dos séculos por sua força absurda e seus grandes feitos. O filho de Zeus com a humana Alcmena tem inúmeras histórias, sendo que muitas já foram retratadas em filmes, animações e séries televisivas (quem não curtiu as peripécias do herói encarnado por Kevin Sorbo não sabe de nada).

No começo do ano, tivemos uma adaptação do semideus nos cinemas, e agora poderemos conferir mais uma aventura de Hércules. O novo longa-metragem estrelado por Dwayne Johnson, que chega nesta quinta-feira às telonas, vem para contar a história em que o herói ajuda o Rei Cotys (John Hurt) a combater Rhesus (Tobias Santelmann) e salvar a Trácia.

Com direção de Brett Ratner (que trabalhou em “A Hora do Rush” e “Dragão Vermelho”), o filme mostra de forma resumida os 12 trabalhos de Hércules e logo parte para a história principal. Para você que pretende conferir o longa no cinema e não quer ler muita coisa, podemos adiantar que ele está bom, até melhor do que o esperado.

Particularmente, eu esperava um filme completamente comercial e fantasioso. Ainda bem que ele foi bem diferente. Saí surpreso do cinema e não tenho dúvida de que muita gente que gosta da mitologia e deste personagem genial vai se identificar com o novo Hércules. Falemos sobre os detalhes que deixaram este filme legal.

Alerta spoiler

Antes que você continue a leitura, precisamos fazer uma pausa para o aviso de sempre: esta crítica contém spoilers. Se você continuar lendo, pode saber de alguma informação que acabará estragando o aproveitamento do filme. Nós avisamos.

Surpreendentemente bom

Infelizmente, não tenho como falar do filme sem entregar talvez o ponto fundamental da trama — fique tranquilo, não vou contar o fim da história —, já que este é o motivo que o faz ser tão surpreendente.

A grande verdade é que o novo Hércules não vem para mergulhar ainda mais na mitologia e manter o personagem em sua glória. Parte da lenda ainda está presente na película com Dwayne Johnson, mas o destaque fica na desconstrução mitológica.

Já no começo do filme temos a grata surpresa de rever o personagem Iolaus (Reece Ritchie), o sobrinho de Hércules que sabe como contar uma boa história — na série, ele era um amigo que lutava e acompanhava o herói.

Além dele, conhecemos também o vidente Amphiaraus (Ian McShane), o mercenário Autolycus (Rufus Sewell), um homem nascido na guerra chamado Tydeus (Aksel Hennie) e a belíssima amazona Atalanta (Ingrid Bolsø Berdal), que é muito habilidosa com arco e flecha. Os atores que dão apoio fazem muito bem seus papéis, deixando a película divertida e bem diversificada.

Esse grupo de amigos anda sempre junto com Hércules, sendo que eles são parte fundamental da construção do mito. Muitas das traquinagens contadas aos sete ventos sobre o semideus são, na verdade, ciladas elaboradas pela trupe. Basicamente, isso quer dizer que não rola uma idolatria sem fim ao Hércules.

Resgatando memórias

A história de “Hércules” não tem nada de grandioso. Ela é bem estruturada, tem um bom desenvolvimento, mas o ponto máximo da trama é bem previsível. Isso quer dizer que a história não vai ser a melhor de todos os tempos, sendo apenas mais uma aventura entre as tantas que o herói já viveu em adaptações anteriores.

Algo que agrada na película é a forma como o personagem é desenvolvido. A apresentação inicial é bem rápida e direta, apesar de haver certo exagero. A contextualização acontece conforme Iolaus vai contando ao público as aventuras do herói. Entretanto, a aproximação com o público acontece aos poucos, conforme vemos o caráter e as ideias de Hércules.

Devo confessar que, sempre que anunciam um filme estrelado por Dwayne Johnson, eu fico com um pé atrás, já que seu currículo é marcado por obras razoáveis. Entretanto, considerando que o personagem Hércules pode ser um brutamonte, eu tinha a noção de que o The Rock poderia acabar se saindo bem.

Temos aqui um personagem mais “família”, em vez de um herói interessado em mulheres ou apenas glória e dinheiro. E Johnson conseguiu se sair melhor do que o esperado. Não que ele vá ganhar Oscar ou coisa do tipo, mas a atuação é convincente, tanto nos momentos dramáticos quanto na hora em que ele resolve “descer o pau” na galera.

Obviamente, o herói nem sempre trabalha em equipe, sendo muito eficiente no campo de batalha e mostrando uma força absurda quando preciso. Nesse sentido, o ator escolhido é ideal, já que ele é enorme e muito forte. O astro realmente é um Hércules da vida real.

Agora, a parte emocional do personagem também ficou convincente, algo notável nas cenas em que ele fala da mulher e dos filhos. Aliás, uma pena que Megara, a esposa de Hércules (Irina Shayk), aparece tão pouco.

Para conferir no IMAX

Algo que vem a calhar para deixar o filme mais interessante é a moderação na ação. O filme não é apenas uma sequência de combates desenfreados. Há tempo para contar a história, desenvolver os personagens e inserir detalhes importantes. As lutas são bem coreografadas e ficam ainda mais interessantes por conta das estratégias dos protagonistas.

A parte de efeitos visuais foi muito bem feita. Os monstros são gigantescos e bastante verossímeis. As cenas de guerra e de destruição também não deixam a desejar e convencem o espectador de que a Grécia antiga é bem real (ainda que as cenas tenham sido gravadas na Croácia e na Hungria). O trabalho sonoro do filme também foi caprichado, tanto na musicalidade quanto nos sons ambientes.

Ainda que não seja livre de falhas, o filme ficou muito melhor do que eu imaginava. “Hércules” com The Rock é uma boa pedida para quem gosta dessa proposta mitológica e quer ver mais do que apenas criaturas gigantescas e histórias com deuses.

Entretanto, é importante salientar que aqueles que forem ao cinema pensando que vão ver um filme ampliado do que é mostrado no trailer podem acabar se decepcionando, já que a proposta desvia das imagens e cenas exibidas para divulgação.

Os efeitos tridimensionais não são incríveis, mas enganam bem. A experiência em IMAX vale a pena.

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