Eu sou um crítico realmente chato, ainda mais quando sei que estamos falando de um filme que não tem qualquer objetivo cinematográfico. Particularmente, eu já achava a receita de “Os Mercenários” bem ruim, mas, mesmo sabendo que não havia uma história a ser contada, era possível aceitar a ideia de ressuscitar algumas estrelas que estavam desaparecidas.

Financeiramente, os dois primeiros filmes da série “Os Mercenários” não foram estrondosos, decepcionando principalmente se considerarmos a receita alcançada nos Estados Unidos. Insistir em um terceiro longa foi um capricho bem desnecessário, mas Sylvester Stallone fez questão de continuar na história e trazer mais amigos para a brincadeira.

Em “Os Mercenários 3”, temos boa parte da gangue de volta, incluindo Wesley Snipes, Mel Gibson, Antonio Banderas e Harrison Ford. A história é mais do mesmo: tiroteio desenfreado, só piadas boas (estou sendo sarcástico em nível máximo), enredo estúpido e explosões desnecessárias. Mas nem tudo é ruim — vamos ver o que pode ser extraído de bom dessa obra “magnífica”.

Alerta spoiler

Antes de entrarmos em detalhes específicos da trama, vale uma pausa para deixar o alerta: esta crítica contém spoilers. Se você continuar lendo, pode saber de alguma informação que acabará estragando o aproveitamento do filme. Nós avisamos.

Uma história sobre família

A projeção começa já em uma cena repleta de ação, na qual vemos o grupo de mercenários resgatando ninguém menos que o próprio Wesley Snipes, que fazia parte do bando, mas que estava preso por uns bons anos. As cenas de tiroteio começam aqui e não param por um bom tempo. O exagero é constante e é claro que o grupo continua suicida e destemido.

Estamos falando de uma sequência que envolve um helicóptero voando baixo, um trem em alta velocidade e uma metralhadora automática disparando tiros infinitamente — não tem como ser ruim, certo? Na verdade, o excesso proposital já perdeu a graça há um bom tempo, mas, para quem pretende ver apenas mais do que já foi demonstrado no primeiro filme, talvez o ritmo (pelo menos no começo do longa) seja excelente.

Bom, o que rola em seguida é que Stallone se encontra com um inimigo (Mel Gibson) num tiroteio e a coisa fica feia. Para resumir, basicamente o protagonista da história abandona o bando de velhinhos, dizendo que tem medo de que eles se machuquem (pois é, agora ele resolveu se preocupar com a saúde dos amigos), e chama novos — despreparados e representados por atores ainda piores — para combater o vilão do filme.

É claro que, no meio do todo, alguma coisa dá errado, mas felizmente os velhos amigos vão voltar para ajudar. Afinal, como eles deixam claro no filme, “Os Mercenários” é tipo uma família que não vai deixar barato. Enfim, o roteiro é bem fraco, previsível e entediante. O sono pode ser mais atraente do que os acontecimentos no longa-metragem.

É hora de se aposentar

Assim como aconteceu nos primeiros filmes, em “Os Mercenários 3” temos toda a galera reunida mostrando seus músculos, atirando sem parar, fazendo piruetas e sobrevivendo a todo tipo de desgraça. Não tem quem pare os mercenários e, mesmo que a ideia seja levar o estereótipo ao extremo, isso pode ser um tanto cansativo.

Com todo o respeito a Schwarzenegger, Stallone, Gibson e toda a turma de velhinhos que nos conquistou no passado, o recado é bem simples: o tempo de vocês já passou. Tá na hora de ir pescar, jogar bingo ou fazer qualquer outra coisa. Tanto os atores da “velha guarda” quanto os novatos atuam de forma igualmente ruim, então o filme fica bem sem sal mesmo.

Não que seja certo ou que eu esteja falando isso para incentivar a pirataria (longe disso, você não deve baixar o filme), mas, de certa forma, aqueles que agiram na ilegalidade deram sorte, pois é sacanagem pagar estacionamento (ou mesmo passagem de ônibus) para ver este filme no cinema — isso sem contar o valor do ingresso.

O roteiro é preguiçoso e espichado ao máximo, sendo que há mais inimigos genéricos do que uma temporada inteira de Power Rangers. Além disso, rolam muitas explosões desnecessárias (apenas para demonstrar que eles são bons de explodir coisas) e diálogos bem rasos.

Apesar de ser fraco, o filme tem sim uma gota de esperança em uma ou outra piadinha, sendo que o destaque fica para Arnold Schwarzenegger, que precisa apenas falar “Get to the Chopper” para deixar tudo bem engraçado. Os efeitos especiais também não deixam a desejar, o que pode ser um consolo considerando o restante dos problemas do filme.

Para quem curte ritmo frenético, exageros e está disposto a gastar duas horas de vida, “Os Mercenários 3” é um prato-cheio. Agora, se você tem mais o que fazer (talvez ver a mudança de corda da sua vó na capoeira), então recomendamos que aguarde até que o filme seja lançado em VHS, sendo uma boa pedida para aquele dia em que você está com muito sono e vai dormir depois dos cinco primeiros minutos.

Aos comentaristas de plantão

Só para esclarecer, todo esse texto é uma opinião própria sobre o filme "Os Mercenários 3", não significando que se trata de uma verdade absoluta. Aqueles que gostaram do filme, podem fazer suas críticas positivas e recomendar aos amigos.

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