Há alguns meses, a Nickelodeon liberou o primeiro trailer do filme que suspostamente trará as Tartarugas Ninja de volta ao hype. Depois disso, outros teasers, imagens e diversos detalhes foram liberados para deixar os fãs na expectativa.

Bom, mesmo sem ser liberado, o filme gerou polêmica, algo que se atribui principalmente às mudanças nos visuais dos personagens. A verdade, contudo, é que os fãs têm receio de que o novo longa-metragem “manche” a memória das Tartarugas lá da década de 1990.

Eu, particularmente, gostava muito das Tartarugas Ninja, mas nunca fui um dos maiores fãs. Tenho boas lembranças dos filmes antigos, mas acredito que um remake não estraga o que foi feito anteriormente. Assim, fui conferir a nova adaptação sem ficar comparando com as antigas. Devo dizer que o novo filme não é muito bom, mas ele tem o seu porquê de existir.

Reviver uma boa história é sempre interessante, mas uma produtora que se arrisca dessa forma sabe que deve tomar alguns cuidados. Boa parte da essência das Tartarugas Ninja está aqui, mas há uma série de elementos que acaba levando o filme a ser apenas meia-boca. Vamos falar mais a fundo sobre o que presta e o que deixa a desejar.

Alerta spoiler

Antes de entrarmos em detalhes específicos da trama, vale uma pausa para deixar o alerta: esta crítica contém spoilers. Se você continuar lendo, pode saber de alguma informação que acabará estragando o aproveitamento do filme. Nós avisamos.

Uma história fraca

O roteiro de “As Tartarugas Ninja” é muito mais focado nos humanos do que nas tartarugas. Primeiro, conhecemos a missão das tartarugas (que é proteger Nova York), algo que é apresentado de forma inteligente e dinâmica, com umas animações bem elaboradas.

Em seguida, conhecemos a personagem April (interpretada por Megan Fox) enquanto ela investiga o Clã do Pé. A apresentação da personagem é longa, mas, durante sua investigação, a jornalista nos leva a conhecer personagens importantes da trama, como o empresário Eric Sacks, que em teoria quer ajudar o mundo, e os vilões liderados pelo temível Destruidor.

É curioso que o vilão principal não tem um plano concreto até metade do filme, mas, após descobrir que as Tartarugas estão vivas, a história muda completamente e nossos heróis terão que correr contra o tempo para evitar que o Destruidor solte uma toxina perigosa sobre a cidade de Nova York.

Depois de tudo isso, finalmente sabemos quem são as tartarugas (o que comentaremos mais pra frente). Por ora, vamos nos ater aos humanos. Bom, a maioria deles é desnecessária e previsível. A April até tem um pouco de conteúdo, mas ela logo fica desinteressante.

Felizmente, por incrível que pareça, a belíssima Megan Fox consegue ser mais do que apenas um rostinho bonito ou um corpinho atraente. Aliás, quero deixar aqui o meu muito obrigado a Nickelodeon por não apelar para cenas de exibição do corpo feminino sem necessidade (só tem uma cena desse tipo, mas você nem vai notá-la no meio da correria).

O personagem Eric Sacks (interpretado por William Fichtner) é bem vazio, sendo apenas um enxerto na história. O Clã do Pé é ridículo. Composto por soldados mal treinados que apenas usam armas comuns para tocar o terror na cidade (era melhor se eles soubessem lutar de verdade, como já vimos em histórias anteriores), esses adversários parecem apenas bandidos comuns. Quanto ao Destruidor, vamos falar sobre ele posteriormente.

Finalmente, vamos conhecer as tartarugas!

“As Tartarugas Ninja” parte do pressuposto que essa é uma história completamente inédita, sendo necessário contar quem são os personagens, de onde eles vieram e o motivo que os leva a lutar contra o mal. Isso é importante, afinal, uma nova geração está prestes a conhecer as tartarugas, o que justifica as explicações intercaladas de forma inteligente no roteiro.

Apesar de haver uma grande enrolação no começo, dando um foco demasiadamente desnecessário à personagem April (é justificável falar sobre a jornalista, mas o filme é das Tartarugas, portanto podiam cortar um pouco da enrolação), é explicado direitinho quem são os heróis.

As apresentações são rápidas, então você vai ter que ficar bem ligado para decorar os nomes (caso ainda não conheça os répteis lutadores), as armas e o jeitinho de cada um. É contado como elas cresceram tanto, como aprenderam a lutar e quem é o mestre Splinter.

Entretanto, não é porque este é um filme novo que a Nickelodeon deveria mudar as características básicas dos personagens. O visual realmente está bizarro. As tartarugas parecem ter sido moldadas com base no Shrek. Estão gigantes, desajeitadas e nem parecem tão ninjas.

Todavia, é bem evidente que elas são adolescentes e têm ligações claras com as tartarugas que conhecemos no passado. Elas ainda adoram pizza, fazem piadinhas constantemente e curtem coisas de jovens (como skates, gadgets eletrônicos, improvisam na musicalidade e por aí vai).

Essas tartarugas não manjam de ninjutsu!

Muito bem, vamos recapitular. Temos tartarugas, que, claramente, são adolescentes (algo notável pelo comportamento irresponsável) e que são mutantes (talvez até demais). Agora, uma pergunta que fica no ar: cadê a parte ninja?

Pois é, elas ficaram tão grandes que acabou ficando difícil ter agilidade para se esconder nas sombras e pegar os inimigos de surpresa. Sabe aquela cena do trailer em que o Rafael está escorregando na neve e detona um veículo ao trombar com ele? Então, esse é mais ou menos o nível de “luta” das tartarugas.

Elas ficaram tão monstras que usam a força bruta para derrotar os inimigos. Para que usar as artes marciais e se você pode jogar inimigos para todos os lados? Fica um bocado tosco, mas talvez seja a melhor forma de atrair a atenção da criançada. Seguindo a tendência do Hulk, os lutadores também são à prova de balas. Fica difícil de processar tantas novidades.

Splinter e Destruidor salvam o filme

Se por um lado as tartarugas não são muito boas nas lutas, o mestre Splinter é um ratão que dá um show de artes marciais. Ele participa pouco, mas quando aparece rouba completamente a cena e faz as tartarugas parecerem meros coadjuvantes.

O Destruidor está bem mais poderoso do que conhecemos em outras histórias. Usando um traje que parece muito com a armadura do Samurai de Prata (o inimigo do Wolwerine), o vilão consegue dar muito trabalho para as pobres tartarugas.

O plano do Destruidor é bem bobo, mas justificável se considerarmos o restante do que é contado. Certamente, os roteiristas poderiam ter caprichado mais e colocado outros motivos, mas parece que optaram pelo mais simples. Dá até impressão de que essa é apenas mais uma ideia boba que o vilão tinha em um dos episódios do desenho.

Um filme pra vender bonequinhos!

Apesar de deixar a desejar em boa parte, o filme não é de todo ruim. Há um aproveitamento de diversos elementos que sempre fizeram parte dos desenhos/filmes das tartarugas. Eles estão sempre fazendo piadinhas (algumas até que valem o esforço pra dar uma risada), adoram pizzas e sabem trabalhar em equipe.

Fica bem evidente que o filme é para a criançada, seja por as bonitas lições de amizade e família ou pela ausência de uma violência mais brutal. Além disso, como outras tantas franquias atuais, a reinicialização da série deixa claro que a ideia é conquistar uma nova geração e, claro, vender muitos produtos de merchandising.

A musicalidade é uma das partes boas, com uma trilha que acompanha bem o ritmo frenético da ação (que começa e não para mais). Uma pena que o tema principal só toca nos créditos, pois ele combina perfeitamente com as tartarugas.

Enfim, o novo longa de Rafael, Michelangelo, Donatelo e Leonardo não é ruim, mas, com um pouco de esforço, poderia ser muito bom e deixar todo mundo satisfeito.

“As Tartarugas Ninja” estreia nesta quinta-feira (14 de agosto) nos cinemas brasileiros.

Só pra constar: a Paramount Pictures e Nickelodeon já confirmaram que o filme vai ter continuação, a qual tem estreia prevista para junho de 2016.

Cowabunga!

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