Muitas produtoras já tentaram adaptar as histórias dos personagens da Marvel Comics para os cinemas, mas poucos obtiveram sucesso como a Marvel Studios. Desde o primeiro filme do Homem de Ferro até o mais recente longa-metragem do Capitão América, a empresa acertou em boa parte das adaptações.

Deu certo com obras que envolviam personagens icônicos (Hulk, Thor e toda a turma), mas será que o estúdio saberia expandir o universo cinematográfico com histórias menos conhecidas? Este era o desafio em “Guardiões da Galáxia”, filme que foge do estilo heroico que vimos até agora e introduz um universo diferente recheado de novos personagens.

Para os fãs dos quadrinhos, é importante ressaltar que “Guardiões da Galáxia” não é uma adaptação de uma história completa nos mínimos detalhes. Na tentativa de agradar aos fãs e o público geral, a equipe da Marvel aproveitou determinados protagonistas e utilizou alguns vilões e cenários conhecidos, mas juntou tudo em uma história um tanto quanto inédita.

O resultado ficou muito bom, sendo que a Marvel conseguiu cumprir bem sua tarefa de concentrar tudo em apenas duas horas. Durante a projeção, você será apresentado a um novo time de heróis (os mais inusitados possíveis), conhecer mundos totalmente diferentes e ser jogado no meio da trama. Tudo é bem explicado e a diversão é constante.

Antes de entrarmos em detalhes específicos da trama, vale uma pausa para deixar o alerta: esta crítica contém spoilers. Se você continuar lendo, pode saber de alguma informação que acabará estragando o aproveitamento do filme. Nós avisamos.

Conheça os Guardiões da Galáxia

O grande diferencial do filme é composto pelos protagonistas. Os tais Guardiões da Galáxia, na verdade, são personagens não muito extraordinários e podemos mais encaixá-los no grupo dos anti-heróis. Eles são malandros, bandidos, perigosos, interesseiros, mas formam uma equipe bem diversificada.

A introdução de cada participante da equipe acontece de forma divertida e, felizmente, a junção deles não é forçada, já que acabam se encontrando em uma situação complicada e se unem para ir atrás de dinheiro. Não há explicações detalhadas sobre todos eles, mas uma ou outra informação é adicionada no decorrer da trama.

Peter Quill (Chris Pratt), também conhecido como Senhor das Estrelas, é o líder da turminha, mesmo que de forma forçada, já que ele não pediu pra comandar a galera. Ele é humano e tem umas armas bem convencionais, mas é um malandrão. É fácil simpatizar com o cara, principalmente porque ele tem um walkman recheado de músicas bacanas.

Integrando o time, temos Gamora (Zoe Saldana), que no gibi era a mulher mais perigosa do mundo, mas que aqui é apenas uma moça que não luta tão bem. Rocket (com a voz de Bradley Cooper) é provavelmente o cara mais divertido, já que, além de ser um guaxinim (na verdade, ele é uma alienígena que por acaso se parece com um guaxinim), ele sempre faz piadas e manda bem nos tiroteios.

Groot (com a voz de Vin Diesel) é um personagem bem improvável, mas que acaba atraindo a atenção por sua forma diferente. Ele é uma árvore que só sabe falar “I am Groot” (Eu sou Groot). Por incrível que pareça, não é difícil criar uma conexão com ele e simpatizar com suas ações. Para finalizar, temos o Drax (Dave Bautista), um brutamonte que quer apenas vingar sua família.

Só para traçar um paralelo, muitas características das histórias em quadrinhos não existem aqui, então não espere que o Drax tenha grandes poderes e seja o “Hulk das galáxias”. Outros membros que apareciam no gibi também foram deixados de fora e detalhes podem ser bem destoantes da história original. De qualquer forma, tudo funciona bem no longa-metragem.

Diversão do começo ao fim

A trama de “Guardiões da Galáxia” se desenvolve a partir da união inusitada desses personagens, mas eles não tinham uma missão propriamente dita. Em nenhum ponto do filme você os verá reunidos dizendo que estão formando um time e vão salvar a galáxia. Tudo acontece de forma inesperada e cada nova cena é uma surpresa.

Na verdade, como eles são malandros, a ideia deles era levar um objeto misterioso (conhecido como Orbe) para vender e todos ficarem ricos. Acontece que esse tal objeto cai em mãos erradas. Um cara chamado Ronan consegue o objeto e é claro que ele vai fazer alguma maldade. Agora, essa equipe precisa se unir se quiserem ter uma galáxia para viver.

Alternando entre ambientes belíssimos, recheados de elementos-surpresa e que conseguem convencer o público de que este é um universo completamente diferente, o filme entretém e deixa o espectador apreensivo para saber o que vai acontecer. Há muitas cenas de ação, com combates dos mais diversos tipos, naves voando para todos os lados e uma infinidade de criaturas bizarras.

Aliás, a diversidade é um ponto forte do filme. A plateia é constantemente bombardeada com informações sobre raças, objetos, planetas e situações diferentes, mas, felizmente, James Gunn (diretor da película) e sua equipe sabem recapitular as informações importantes e deixar a pessoa sempre orientada e interessada. Aliás, há algumas vezes que as explicações são até desnecessárias, mas antes pecar pelo excesso do que pela falta de detalhes.

A trilha sonora é certamente um dos pontos fortes. Mesmo sem ter uma grande variedade de composições próprias para o filme, as músicas comerciais escolhidas a dedo são ideais para as cenas dos mais variados tipos. Seja uma grande sequência de ação, um momento de comédia ou até mesmo uma situação dramática, as canções são geniais.

Alguma coisa não vai dar muito certo...

Os efeitos especiais e os recursos tridimensionais são muito bem elaborados e não cansam o espectador. É possível que, em uma ou outra situação (como a retratação de alguns cenários do planeta Xandar, que mais parecem maquetes de isopor), você acabe vendo algum desleixo, porém, no geral, o resultado é de ficar boquiaberto.

No fim das contas, “Guardiões da Galáxia” consegue ser mais um ótimo filme da Marvel Studios. O longa-metragem é a prova de que a produtora está pronta para encarar qualquer desafio e que o mundo está pronto para conhecer mais personagens deste incrível universo.

Entretanto, considerando os planos futuros da Marvel, temos sérias dúvidas do quanto a junção de todas as histórias pode dar certo. Considerando que os Guardiões, em algum momento, vão encontrar outros personagens (Vingadores e companhia), é de se duvidar que isso funcione bem, já que existe um sério problema de tempo e tecnologia.

Felizmente, podemos deixar essa questão para o futuro. O importante é que “Guardiões da Galáxia” consegue ser muito divertido e supera expectativas. Seja você um fã da Marvel ou apenas um humilde espectador que busca diversão, o filme é altamente recomendado. Se puder, veja no cinema!

“Guardiões da Galáxia” estreia nesta quinta-feira (31 de julho) nos cinemas de todo o Brasil.

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