Nesta próxima quinta-feira, o filme “Transcendence – A Revolução” chega aos cinemas brasileiros. Dirigido pelo estreante Wally Pfister (que normalmente trabalha como diretor de fotografia nos filmes de Christopher Nolan) e roteirizado pelo também novato Jack Paglen (que, por sinal, será o responsável pelo roteiro do novo filme de Battlestar Galactica), o filme é uma ficção científica que entra profundamente no ramo da inteligência artificial.

Antes de continuar lendo, saiba que o texto pode ter alguns spoilers (mas muito do que vai ser dito aqui já é mostrado no trailer).

Na trama, acompanhamos a história do Dr. Will Caster (Johnny Depp) — o mais notável pesquisador no campo da inteligência artificial — e de sua esposa, a Dra. Evelyn Caster (Rebecca Hall). Esse cientista trabalha na criação de um computador inteligente, consciente e ambicioso. Essa máquina recebe o nome de PINN e, supostamente, deve ser usada para combinar a inteligência coletiva com as emoções humanas.

Ocorre que, como tudo que surge de novo, os experimentos altamente controversos — que trouxeram fama ao cientista — o transformaram no alvo principal dos extremistas antitecnologia, que, por medo de que a novidade acabe com a humanidade, farão o que for necessário para destruir o doutor e a máquina.

Numa tentativa de matar o Dr. Caster, um extremista acerta um tiro no cientista. Agora, com seus dias contados, o gênio por trás da máquina nada pode fazer senão esperar. Esse seria seu destino, caso sua brilhante esposa não tivesse a brilhante ideia de usar PINN para tentar salvar sua consciência. O que se sucede é a evolução desenfreada da máquina, o que abre espaço para um enorme debate sobre o futuro tecnológico.

Tecnologia pé no chão

Muitos filmes de Hollywood tentam levar a plateia para um futuro inimaginável, com carros voadores, viagem no tempo e coisas impossíveis. Felizmente, em “Transcendence – A Revolução”, o roteirista preferiu manter as coisas bem palpáveis e o mais próximo da atual realidade. Os carros ainda são normais, os celulares não são de outro mundo e os computadores são bem comuns.

A grande diferença do futuro apresentado no filme é uma evolução substancial no ramo da inteligência artificial e o desenvolvimento de supercomputadores (que ocupam salas inteiras) com processadores quânticos. Puxar para o lado do domínio da computação quântica foi uma boa ideia, visto que ela realmente pode nos levar a avanços impressionantes. O filme não tenta dar muitas explicações de como isso aconteceu, algo que o deixaria bem chato.

Aliás, é legal que o longa até mesmo faz uma comparação com o que temos hoje. Um dos personagens comenta que nossa tecnologia atual é avançada, mas um bocado inútil, com liquidificadores que podem se conectar com a internet (algo que não tem lá grande função para a humanidade). É esse negócio de tudo conectado com as redes sociais e sem melhorias significativas para o planeta.

Voltando à questão da tecnologia do filme, dá pra dizer que tudo foi bem pensado. A equipe responsável pela parte visual caprichou e há uma evolução significativa (e aceitável) entre o começo das máquinas futuristas e o desenvolvimento final do Dr. Will Caster. Há alguns exageros na parte final, mas ele se faz necessário para que o filme ganhe o expectador.

Os riscos da evolução

Um dos grandes medos da humanidade é retratado em “Transcendence – A Revolução”. A singularidade (que o próprio Johnny Depp chama de transcendência), que é quando a tecnologia supera o ser humano, é o grande assunto de debate do filme.

O longa-metragem tenta equilibrar as vantagens dos dois lados, mostrando como as pessoas ficam cegas pela tecnologia e se esquecem do lado humano, mas também retratando o medo, às vezes desnecessário, do avanço tecnológico.

De fato, considerando algumas ações das máquinas no filme (as quais são amparadas por seres humanos), é de ficar preocupado e pensar: e se algum dia realmente acontecer algo parecido? Não vamos debater isso aqui, mas é bom você pensar o quanto é válido a tecnologia substituir uma pessoa, pois, a partir do momento que os computadores têm consciência, emoções e criatividade, acabamos ficando defasados.

Um filme quase lá

Quanto aos aspectos técnicos do filme, podemos dizer que “Transcendence – A Revolução” tem boas ideias e é muito bem trabalhado. A fotografia, com cenários ideais para a proposta do roteiro, e a direção (que abusa de alguns clichês, mas se sai muito bem para o primeiro trabalho de Pfister) ficaram excelentes.

O problema mesmo é o roteiro. A história é bem explicada até uma parte e mesmo com alguns personagens deslocados e desnecessários é construída de forma convincente (ainda que com algumas ações burras, mas não vamos entrar nessa questão).

Ocorre que, no fim da projeção, parece que o roteirista se perdeu completamente. Talvez o cachorro tenha comido parte do script e ele acabou improvisando ou foi culpa do estagiário, mas a verdade é que tem muita coisa nas cenas finais que decepcionam.

A atuação de Depp não é das melhores (ainda que não possamos definir se é culpa dele ou do roteiro), bem como de boa parte do elenco — vale a pena mencionar que Morgan Freeman ainda continua sensacional com sua voz de ser superior e algumas piadinhas na hora certa. A maior surpresa talvez seja Rebecca Hall, que consegue se expressar legal e liderar boa parte do filme sozinha.

No fim das contas, “Transcendence – A Revolução” é uma boa pedida para quem gosta de tecnologia, mas não é um filme que todo mundo precisa conferir nos cinemas. Se você gosta do tema, vá ao cinema para evitar os spoilers. A estreia acontece no dia 19 de junho.

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