Durante o período de gravação do filme Esquadrão Suicida, tanto se falou sobre a caracterização de Jared Leto como o Coringa que é impossível não se decepcionar com o resultado que vemos nas telas.

Não apenas o personagem pouco aparece na trama do filme, como a interpretação do ator deixa muito a desejar. Mesmo com um Oscar na bagagem (por Clube de Compras Dallas) e outra ótima interpretação no currículo (em Réquiem por um Sonho), Leto parece ser o aspecto mais fraco de Esquadrão Suicida.

Claro que o ator tinha uma tarefa ingrata de seguir a interpretação magistral de Heath Ledger como o Palhaço do Crime em Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas toda a badalação sobre sua versão do personagem é exagerada.

É muito mais interessante e rico, no entanto, o trabalho realizado por Margot Robbie na produção. A atriz parece ter se divertido no papel da Arlequina, criando uma figura tão simpática e divertida quanto genuinamente insana – e Margot apresenta uma construção gestual e corporal que personifica muito bem o imaginário que temos sobre a personagem.

Margot é a salvação de um filme que se perde entre tantos personagens, em uma história frouxa e com ritmo irregular. Assim como toda divulgação em cima do Coringa, a campanha sobre Esquadrão Suicida é bastante enganosa. Os trailers empolgantes e cheios de energias não se comprovam no resultado da obra.

Aliás, parece mesmo que o estúdio se apavorou com a repercussão negativa de Batman vs Superman e se desesperou na hora de editar Esquadrão Suicida. A reportagem do Hollywood Reporter, noticiada aqui no Minha Série, relatando o tumultuado processo de finalização do longa-metragem dá indícios do pânico que tomou conta dos executivos – e que gerou essa montagem pouco inspirada.

Alguns personagens são mal aproveitados, como é o caso do Capitão Bumerangue, um dos destaques e um dos melhores na produção; enquanto outros se perdem em meio a um roteiro mal acabado. O filme deixa mesmo a impressão de ter passado por várias interferências, de ter sofrido diversos cortes e refilmagens de última hora que levaram a um resultado que peca em unidade e coesão.

Em alguns momentos, temos até sensações de ideias e cenas de uma obra melhor, mais ousada e inspirada, mas que não se materializa – e no final, Esquadrão Suicida acaba não entregando o que prometia: não traz um Coringa mais interessante e não promove uma inversão da fórmula de super-heróis (mesmo tendo vilões como protagonistas). É apenas irregular, e uma ingrata decepção.

Via Minha Série.

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