Sabe quando você está no cinema, com a sala escura e imerso no filme, quando uma luz intensa surge de algum canto da sala e distrai a todos? Normalmente, é um espectador que não conseguiu se segurar e precisou checar o Facebook ou WhatsApp durante a projeção. Essa prática é detestada por muita gente, inclusive este redator, mas é vista por bons olhos por um dos maiores figurões da indústria nos Estados Unidos.

Em uma entrevista ao site Variety, o CEO da rede de cinemas AMC, Adam Aron, afirmou que seria uma boa ideia liberar e incentivar o uso de smartphones e a troca de mensagens de texto durante uma projeção. O motivo? Os adolescentes e jovens adultos simplesmente não conseguem viver sem isso. "Quando você fala para alguém de 22 anos para desligar o celular e não arruinar o filme, eles ouvem 'por favor, corte o seu braço esquerdo até o cotovelo'. Você não pode falar para alguém de 22 anos desligar o celular. É como eles vivem a vida deles".

"Ao mesmo tempo, entretanto, temos que encontrar como fazer isso sem perturbar o público de hoje. Tem um motivo pelo qual as propagandas dizem para desligar o telefone, porque o cinéfilo não quer alguém do lado dele enviando mensagens ou com o celular ligado", diz o CEO da líder mundial em rede de cinemas em todo o mundo. Até aí, tudo bem.

Mas qual a possibilidade para ele? "O que é mais possível é que pegaremos auditórios específicos e faremos deles 'amigáveis para texting'", disse o executivo. A AMC é a maior rede de cinemas do mundo. Ou seja, se ele realmente colocar isso em prática, o cliente poderá escolher entre a sala "normal" e a com "jovens usando smartphone".

Precisamos mesmo disso?

A fala de Aron é baseada no cotidiano desses consumidores — é mais fácil para ele liberar o celular em vez de perder esses clientes em potencial. Só que o incômodo dessa prática é grande para a maioria do público que paga o ingresso e quer o escuro da sala: uma coisa é mexer no smartphone durante um filme em casa, com só você no seu próprio quarto.

E, se a solução do CEO é mesmo criar "áreas para usuários", o negócio é ainda mais preocupante. Os jovens de fato não conseguem desgrudar por duas horas dos aparelhos? E a indústria precisa mesmo se curvar a esse "mimo" a ponto de investir em uma "área para fumantes" para viciados em tecnologia? A atitude gerou revolta em vários usuários nas redes sociais. Por enquanto, não há indicativo de que a prática de fato será adotada pela AMC.

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