Desde a estreia de Avatar em 2009, temos vivido a explosão dos cinemas com exibição de filmes em 3D. Sim, sabemos que a tecnologia já existia anteriormente, mas foi com esse longa metragem que ela realmente tomou o mundo de assalto. No entanto, como praticamente tudo na vida, a tecnologia não agrada a todos.

Há quem diga que sai de uma sessão em 3D com dor de cabeça ou se sentindo extremamente nauseado. Para descobrir o porquê de isso acontecer, a pesquisadora britânica Jenny Read elaborou um experimento científico, que contou com a participação de 433 voluntários, entre os 4 e os 82 anos. Eles fizeram uma série de testes antes e depois de assistir ao filme Toy Story, que foi exibido em TVs 2D para alguns deles e em aparelhos com a tecnologia 3D para outros.

Foram avaliadas as noções de equilíbrio dessas pessoas através de acelerômetros triaxiais atados a elas enquanto andavam por uma pista de obstáculos. Para verificar a coordenação entre olhos e mãos, os participantes precisavam guiar um arco por um arame cheio de voltas, sem deixar que as partes se encostassem. Se o efeito 3D realmente interferisse nos sentidos de parte dos voluntários, isso ficaria evidente nos testes que eles realizariam após terem assistido ao filme.

Equilíbrio e coordenação

Foram usados dois tipos de televisores 3D para o estudo, um com tecnologia de exibição “ativa” do efeito, e outro com exibição passiva, ambos amplamente comercializados. Profissionais médicos também avaliaram a condição dos olhos de cada participante, para garantir que não haveria nada que pudesse influenciar nos resultados do experimento.  

Ao comparar os testes feitos depois que as pessoas terminaram de ver o filme com os realizados antes, a pesquisadora não foi capaz de notar nenhuma piora no equilíbrio de nenhum dos voluntários, o que teria acontecido se alguém estivesse se sentindo tonto. Na verdade, por já estarem familiarizados com o percurso de obstáculos e com o formato do arame após os testes iniciais, muitos participantes se saíram melhor da segunda vez.

Também não houve resultado conclusivo que mostrasse alguma diferença entre as pessoas que assistiram o filme em 2D, 3D passivo ou 3D ativo. Da mesma forma, não foi encontrada nenhuma correlação entre a idade ou acuidade visual das pessoas com o tipo de exibição a que foram submetidas. Certos indivíduos que viram o filme com o efeito que simula profundidade, no entanto, relataram que tiveram algum desconforto ao fim da exibição, como dor de cabeça, tensão ocular.

Mente sobre o corpo

Alguns chegaram mesmo a mencionar a sensação de tontura ou náusea, mas como já foi dito anteriormente, nenhum deles apresentou qualquer queda de desempenho nos testes físicos realizados ao fim do filme. Além disso, alguns voluntários receberam óculos 3D para usar durante a exibição da animação, mas assistiram a ela em 2D.

Essas pessoas reclamaram de tontura na mesma proporção daquelas que viram o longa em 3D, cerca de 3% de cada grupo. Portanto, a pesquisadora não pôde concluir que o mal estar sentido por essas pessoas tenha relação direta com o efeito 3D. Em compensação, dentre o grupo que de fato viu Toy Story em três dimensões, 10% dos espectadores mencionou sentir algum grau de dor de cabeça ou tensão ocular.

A conclusão de Jenny Read é que a exposição ao efeito 3D pode realmente causar dores de cabeça em certa porcentagem de pessoas, mas salvo raras exceções, é muito improvável que isso de fato cause tontura em alguém. A questão é que muitas pessoas já esperam se sentir assim, e o subconsciente de cada um faz o resto.

É claro que somente um estudo sobre o assunto não põe um ponto final na questão, mas pelo menos já serve para tranquilizar algumas pessoas. Menos o fã de amendoim na imagem acima...

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