Poeira e fuligem são algumas partículas que compõem as névoas. (Fonte da imagem: Reprodução/OnlineThatsMags)

De acordo com o portal China Dialogue, um investimento de 1,7 trilhão de yuans (algo em torno de US$ 275 bilhões) deverá ser feito pelo governo chinês em técnicas de “semeação de nuvens”. O objetivo é combater as névoas de poluição através da criação de chuvas – que são executadas no país comunista desde a década de 1950.

“Há, de fato, pontos a favor do fenômeno de semeação de nuvens desde que o processo seja segmentado”, comenta Roger Pedra, cientista climático da Universidade de Southem Queensland, em Toowoomba (Austrália). Chuvas artificiais são usadas com diversos propósitos em terras chinesas: para que o céu ficasse claro durante a abertura dos Jogos de Pequim, por exemplo, a semeação foi executada.

Em resumo, foguetes equipados com cargas de iodeto de prata são lançados contra as nuvens. Em seguida, a liberação do material é feita e cristais-d’água então se formam. Depois disso, partículas de gelo caem do céu – que podem chegar em estado líquido ou sólido ao chão, dependendo da temperatura. A intenção é fazer com que as chuvas artificiais limpem assim a poluição do ar em alguns pontos dos distritos chineses.

Pode funcionar?

A dúvida, contudo, está sobre a eficácia do processo no combate aos nevoeiros. Acontece que a fumaça é formada por partículas de fuligem ou poeira – que já deveriam ter agido como núcleos de gelo. Se a chuva não tiver caído, conforme diz Steven Siems, especialista da Universidade de Melbourne (Austrália), “adicionar mais partículas à onda de iodeto de prata não vai ajudar [a amenizar os níveis de poluição atmosférica]”.

Foguetes com cargas de iodeto de prata são lançados contra o céu. (Fonte da imagem: Reprodução/GZ)

Dados coletados por satélite sugerem que a China não apresenta condições favoráveis à semeação de nuvens – apesar de registrar a produção de 55 mil toneladas de chuvas artificias a cada ano. “Posso afirmar com segurança que não há [condições para a semeação]”, comenta ainda Siems – os núcleos de gelo já existentes e a poluição causada pela poeira do deserto de Gobi são os fatores que mais poderiam prejudicar a tentativa de limpeza.

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