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Robôs jogam futebol, lutam e dançam na primeira 'Olimpíada' de humanoides na China

A primeira edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides reuniu mais de 500 modelos em uma competição na cidade de Pequim.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule18/08/2025, às 21:00

updateAtualizado em 19/08/2025, às 09:42

Mais de 500 robôs participaram dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides 2025 encerrados no domingo (17) em Pequim, na China, evento que resultou em imagens bastante curiosas. As máquinas foram vistas jogando futebol, participando de provas de atletismo, partidas de tênis de mesa, lutas de boxe, apresentações de dança e muitas outras modalidades.

A competição, que também ficou conhecida como “Olimpíadas” dos robôs, reuniu 280 equipes de 16 países, entre os quais o Brasil, mostrando os avanços mais recentes em robótica e inteligência artificial. Segundo os organizadores, o evento permitiu testar tecnologias e coletar informações valiosas para o desenvolvimento de máquinas para diferentes utilidades.

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Os jogos de futebol entre os robôs foram bastante disputados. (Imagem: Getty Images)

Quais foram os destaques dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides?

Realizado no Oval Nacional de Patinação, construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 e palco de vários recordes, o campeonato de robôs humanoides envolveu diversos esportes tradicionais. Provas práticas como a classificação de medicamentos, serviços de limpeza e o manuseio de materiais também foram disputadas.

  • Nos jogos de futebol, acontecendo em um ritmo mais lento, cinco robôs com tamanho equivalente ao de crianças de sete anos estavam de cada lado, colidindo uns com os outros enquanto tentavam acertar a bola;
  • As provas de atletismo também chamaram a atenção, como na corrida de 1.500 m quando um dos humanoides “desmaiou” após acelerar o passo;
  • Nessa mesma competição, o modelo mais rápido superou os rivais com uma certa folga, completando o percurso em quase 6 minutos e 30 segundos, contra 3 minutos e 26 segundos do recorde mundial masculino;
  • Em uma luta de boxe, dois robôs de 35 kg se enfrentaram vestidos a caráter, com luvas e capacete, trocando ganchos de esquerda e direita, chutes e joelhadas, além de se mostrarem aptos a desviar dos golpes;
  • Já na prova de kung fu, um dos robôs lutadores tentou um golpe mais complicado, porém o movimento terminou com a máquina caindo de cara no chão, o que deixou alguns espectadores preocupados.

Em algumas das quedas, a intervenção humana foi necessária para colocar os humanoides de pé novamente. No entanto, muitos deles conseguiram se reerguer sozinhos, arrancando aplausos do público que pagou ingressos de até 580 yuans, o equivalente a R$ 438, pela cotação do dia, para ver as disputas de perto.

Os androides utilizados nos desafios são fabricados por marcas como Unitree, Fourier Intelligence e Booster Robotics. A equipe brasileira que participou do campeonato de futebol de robôs usou modelos T1 da Booster Robotics, aproveitando o torneio para desenvolver as capacidades de coordenação das máquinas.

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Os robôs humanoides também mostraram talento para as provas de atletismo. (Imagem: Getty Images)

Robótica em alta na China

Um dos maiores mercados de robôs do mundo, o gigante asiático vem investindo pesado no desenvolvimento de humanoides. O país tem planos de disponibilizar 1 trilhão de yuans (R$ 756,1 bilhões) em apoio a startups de tecnologias, incluindo as de robótica e IA, nos próximos anos.

Recentemente, o país inaugurou uma loja que vende robôs parecidos com humanos, trazendo um amplo catálogo de opções para facilitar o acesso da população a esse tipo de máquina. Há modelos que jogam xadrez, realizam diversos trabalhos, imitam cães de estimação e até réplicas de figuras históricas como Albert Einstein.

Há pouco tempo, a China também sediou a primeira maratona de robôs humanoides do mundo. Já quanto ao evento ocorrido no último fim de semana, a expectativa é de que ele seja lembrado como um marco para a robótica, de acordo com o presidente da Confederação Ásia-Pacífico RoboCup, Zhou Changjiu.

“Estou realmente animado com o fato de a China estar sediando os primeiros Jogos Mundiais de Robôs Humanoides. É fazer história. Daqui a uma ou duas décadas, olharemos para trás e reconheceremos isso como o nascimento das Olimpíadas de robôs. Assim como os Jogos Olímpicos se originaram na Grécia Antiga, as gerações futuras verão Pequim como o berço das Olimpíadas de robôs modernos”, disse ele, em entrevista à agência de notícias Xinhua.

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Perguntas Frequentes

O que foram os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides?
Os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides foram uma competição internacional realizada em Pequim, China, que reuniu mais de 500 robôs humanoides de 280 equipes de 16 países. Conhecido como a "Olimpíada dos robôs", o evento incluiu disputas esportivas e tarefas práticas, com o objetivo de testar tecnologias e impulsionar o desenvolvimento da robótica e da inteligência artificial.
Quais modalidades fizeram parte da competição?
Os robôs participaram de diversas modalidades, como futebol, atletismo, tênis de mesa, boxe, dança e kung fu. Também foram realizadas provas práticas, como classificação de medicamentos, serviços de limpeza e manuseio de materiais. As atividades demonstraram a versatilidade e os avanços tecnológicos dos humanoides.
Como foi o desempenho dos robôs nas provas esportivas?
O desempenho variou conforme a modalidade. No futebol, os robôs jogaram em ritmo mais lento e colidiam entre si. Na corrida de 1.500 metros, um robô chegou a "desmaiar" após acelerar demais, enquanto o mais rápido completou o percurso em cerca de 6 minutos e 30 segundos. No boxe, robôs de 35 kg trocaram golpes com luvas e capacetes, e na prova de kung fu, um robô caiu ao tentar um movimento complexo.
Quais empresas fabricaram os robôs participantes?
Os robôs utilizados na competição foram fabricados por empresas como Unitree, Fourier Intelligence e Booster Robotics. A equipe brasileira, por exemplo, utilizou modelos T1 da Booster Robotics na disputa de futebol, com foco no aprimoramento da coordenação das máquinas.
Qual foi o papel do Brasil nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides?
O Brasil participou da competição com uma equipe no torneio de futebol de robôs. Utilizando modelos T1 da Booster Robotics, os brasileiros aproveitaram o evento para desenvolver as capacidades de coordenação dos humanoides, contribuindo para o avanço da robótica nacional.
Qual é a importância desse evento para o futuro da robótica?
Segundo Zhou Changjiu, presidente da Confederação Ásia-Pacífico RoboCup, os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides representam um marco histórico. Ele acredita que, assim como os Jogos Olímpicos se originaram na Grécia Antiga, esse evento será lembrado como o nascimento das Olimpíadas dos robôs, impulsionando o desenvolvimento tecnológico e a popularização dos humanoides.
Como o público reagiu às apresentações dos robôs?
O público demonstrou entusiasmo, aplaudindo especialmente os robôs que conseguiam se levantar sozinhos após quedas. Os ingressos para assistir às competições chegaram a custar até 580 yuans (cerca de R$ 438), evidenciando o interesse popular pelo evento e pela tecnologia envolvida.
Por que a China tem se destacado no setor de robótica?
A China é um dos maiores mercados de robôs do mundo e tem investido fortemente no setor. O país planeja destinar 1 trilhão de yuans (R$ 756,1 bilhões) para apoiar startups de tecnologia, incluindo robótica e inteligência artificial. Além disso, iniciativas como a abertura de lojas de robôs humanoides e a realização de eventos pioneiros reforçam sua liderança na área.
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