(Fonte da imagem: Asalasah)

Por muito tempo, acreditou-se que os gatos e cachorros não conseguiam enxergar cores. Essa crença tem base em diversas experiências científicas realizadas no começo do século passado, que acabaram embasando por certo tempo a teoria de que eles não conseguem ver além do preto e do branco. Mas a verdade é que os dois bichos enxergam em cores, embora de uma forma mais precária que nós, humanos.

Um dos experimentos científicos que fizeram com que a crença se disseminasse foi realizado em 1915 por DeVoss JC e Ganson Rose, dois cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. Eles estavam tentando determinar se os gatos conseguiam ver as cores e chegaram a uma resposta nem tanto conclusiva.

A experiência mítica

Os cientistas desenvolveram a seguinte experiência: dois frascos de geleia foram colocados na frente de nove gatos, um embrulhado em papel colorido e outro em papel cinza. Se os gatos tocassem com o focinho ou a pata no frasco com cores, ganhariam um peixe, mas se tocassem naquele com papel cinza, não ganhariam nada.

Depois de 18 meses e 100 mil tentativas, os gatos testados encostaram-se ao frasco colorido na metade das vezes. Como as chances de tocar no colorido e no cinza foram de 50% para cada, acreditou-se que os gatos não conseguiam distinguir as cores.

A experiência foi amplamente aceita pela comunidade científica devido à sua grande amostragem. No entanto, anos depois foi descoberto que gatos têm os bastonetes e cones em seus olhos, ambos responsáveis pela recepção da luz nos órgãos (e que produzem as cores).

(Fonte da imagem: Papacaio)

Dúvidas metodológicas

Logo, a pergunta foi feita: Se eles têm os elementos necessários para ver em cores, porque a experiência provou que não? Uma nova experiência foi realizada para eliminar essa dúvida, dessa vez mais precisa. Neurologistas usaram eletrodos na cabeça de um gato para entender a visão felina e tirar a prova de sua capacidade de enxergar cores. O experimento provou que eles realmente as enxergam.

Mas então porque os gatos não escolhiam os vidros coloridos na experiência de 1915 para ganhar um peixe? Novamente, a experiência foi realizada em 1960 para tirar a dúvida. Dessa vez, eles ensinaram os gatos que existe uma diferença entre o colorido e o preto e branco, para aumentar as chances de sucesso da pesquisa. 

O resultado do experimento: os gatos não dão a mínima para as cores. Esse foi o motivo do insucesso da primeira experiência, pois, segundo estudiosos, a capacidade de distinguir cores não é de nenhuma importância para os gatos. Mas a provável explicação para o fracasso das pesquisas é essa: você alguma vez já conseguiu dizer a um gato o que ele deve fazer?

A mesma experiência foi feita com cachorros e obteve-se muito mais sucesso, mas a causa provável é que os cães tentam agradar aos humanos – ao contrário de gatos que, provavelmente, escolhem a opção errada por insubordinação.

Visão animal

De qualquer maneira, a experiência realizada com os eletrodos revelou que gatos e cachorros só conseguem enxergar através de duas cores. Isso acontece porque eles têm apenas dois tipos de cones dentro do olho, que são responsáveis pela captação delas. Nós, seres humanos, possuímos três tipos de cones, capazes de captar o azul, o vermelho e o verde.

Os cientistas ainda não sabem ao certo quais são as duas cores que gatos e cachorros conseguem captar, mas é certo que eles contam com apenas dois tipos de cones. A probabilidade é que sejam o azul e o amarelo, ou azul e vermelho. Muitos acreditam que o verde é a única cor que não é captada pelos bichanos.

(Fonte da imagem: Blog do Tony)

Coloração

Os cones e os bastonetes, cujos nomes correspondem à forma destas células, são especializados em aspectos distintos da captação de luz: enquanto os bastonetes respondem à intensidade luminosa (níveis baixos ou altos de luz), os cones leem as frequências da luz, que, na banda visível do espectro eletromagnético, são o que conhecemos como cores. Assim, os bastonetes nos ajudam a ver de noite ou com pouca luz e os cones nos permitem perceber as cores.

Tanto nos bastonetes como nos cones, existem moléculas de um tamanho relativamente grande que absorvem os fótons que chegam a elas e que são as que produzem finalmente impulsos elétricos no nervo óptico. Ou seja, os fótons são a fonte de alimentação de bastonetes e cones, para que eles possam transformar os impulsos elétricos nas cores que nós enxergamos.

Deficiência? Depende do ponto de vista

Essa limitação visual de cães e gatos não é exatamente um problema, já que os animais a compensam de outras formas. Cães e gatos, por exemplo, conseguem ver muito bem na penumbra (até cinco vezes melhor que um ser humano), são capazes de diferenciar várias tonalidades de cinza e possuem enorme habilidade para detectar movimentos.

A boa visibilidade noturna de cachorros e gatos é possível por causa de um tipo de célula que é encontrada atrás da retina, em uma parte do olho chamada de Tapetum. Ela funciona como um espelho que reflete a luz de fundo, fornecendo a cones e bastonetes uma segunda chance de captar a pequena quantidade de luz disponível à noite. É por causa do Tapetum que os olhos de gatos e cachorros parecem brilhar no escuro.

É claro que há algumas desvantagens também. Ambos enxergam colorido, mas as cores são mais desbotadas se comparadas às que os humanos veem. Além disso, eles captam imagens com pouca definição e não percebem o verde, vendo no lugar tonalidades que vão do cinza ao preto.

Um mundo, diversas visões

As formas de ver o mundo são tão variadas quanto a própria natureza. Os três tipos de cones presentes em nosso olho nos permitem enxergar do vermelho ao violeta. Muitos insetos, aves, répteis e peixes têm tipos de cones extras, que permitem enxergar o ultravioleta — e por isso conseguem ver coisas invisíveis para nós. Como vimos, cães e gatos enxergam através de duas cores, mas eles são adaptados para a vida noturna, o que exige mais atenção às formas do que aos tons.

Os únicos bichos que enxergam em preto e branco são os que possuem apenas um tipo de cone, como os peixes abissais, que vivem em local de baixíssima iluminação, onde não há cores para serem vistas. No extremo oposto, há um camarão com 12 tipos de cones diferentes. Se nós, humanos, com três cones, enxergamos um mundo bastante colorido, imagine como deve ser a visão com nove cones a mais.

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