Pandemia gera sensação de que dias ficaram mais longos, diz estudo

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Com a pandemia do novo coronavírus avançando ao longo do ano e as medidas de isolamento social ficando mais prolongadas, passamos cada vez mais tempo dentro de casa. Isso virou realidade tanto em tarefas que já eram do ambiente doméstico (como cozinhar e ver televisão) quanto em atividades que migraram de formato, como aulas a distância e trabalho em home office.

E, se você acha que tudo isso parece fazer o tempo passar mais devagar do que o normal, saiba que não está sozinho — e que há uma explicação científica para isso. Essa é a conclusão de um estudo conduzido pela pesquisadora Ruth S. Ogden, da Liverpool John Moores University, que avaliou a percepção da duração de dias e semanas de britânicos no meio das medidas de lockdown impostas pelo governo.

Segundo o estudo, a maior parte dos entrevistados afirmou que teve a sensação de "distorção na passagem do tempo" durante a quarentena, sendo que 80% dos participantes acharam que o dia passava mais devagar agora do que antes da pandemia.

De olho no relógio

A explicação para isso está em duas variáveis: idade e satisfação em relação ao nível atual de interações sociais. Quanto mais velho ou mais insatisfeito com a atual situação dos relacionamentos em geral, maior a sensação de que o dia demora mais para terminar. Alto nível de estresse e menor taxa de compromissos ao longo do dia também contribuem, em menor escala, para pensar que o relógio está "trabalhando" mais devagar.

Em outras palavras, quem está mais ocupado ao longo dia (não a ponto de se estressar) e satisfeito com as interações sociais, seja com quem está na mesma casa ou por videoconferências, tende a manter a mesma sensação de passagem de tempo que tinha pré-pandemia. Por outro lado, pessoas mais velhas ou que sentem falta de convivência com amigos ou parentes tendem a achar que os dias ficaram mais longos.

Estudos futuros

A pesquisa foi realizada com 604 participantes, todos moradores do Reino Unido, e os questionários aplicados entre os dias 7 e 30 de abril de 2020. A ideia foi avaliar tanto a passagem de tempo ao longo de um dia quanto de uma semana toda.

Os resultados devem ser comparados com estudos futuros que vão avaliar alguns dos fatores mais de perto, além de identificar que impactos o lockdown a longo prazo terá na percepção de tempo por parte da população, mesmo após o fim da pandemia. O artigo completo em inglês pode ser conferido no site do periódico PLoS ONE.

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