A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) está desenvolvendo um projeto que tem como objetivo reciclar os cerca de US$ 300 bilhões de dólares em satélites desativados presentes na órbita terrestre. Seja pelo fim de seu tempo de vida ou por problemas técnicos, tais equipamentos são considerados lixo espacial e, ao menos até o momento, não há como reaproveitar nenhuma de suas partes.

Através do programa Phoenix, a DARPA pretende desenvolver tecnologias que sejam capazes de reutilizar muitas das peças funcionais desses equipamentos. Segundo a agência norte-americana, centenas de satélites em potencial possuem componentes que poderiam ser reaproveitados caso houvesse métodos capazes de realizar tal tarefa de maneira remota.

“Se o programa for bem-sucedido, lixo espacial pode se transformar em recursos espaciais”, afirmou a diretora da DARPA, Regina E. Dugan. Como os satélites em órbita não são projetados de forma a ser fácil desmontá-los, é preciso desenvolver novas tecnologias capazes de realizar uma espécie de cirurgia para a remoção dos componentes desejados.

Grande desafio a superar

O projeto se mostra bastante desafiador, ainda mais quando se leva em conta que todo o processo deve ser feito em um ambiente localizado a milhares de quilômetros de distância em que não há gravidade. Segundo a DARPA, para que o processo seja possível de ser realizado, será preciso investir na adaptação de tecnologias desenvolvidas para outras áreas.

(Fonte da imagem: Reprodução/YouTube)

Entre os exemplos citados pela agência estão as técnicas de telecirurgia, que tornam possíveis a realização operações a centenas de quilômetros de distância. Outro exemplo são as tecnologias de capturas de imagens do solo do oceano, que permitem a companhias petrolíferas perfurar somente em locais que se sabe haver os recursos desejados.

Para que essas tecnologias possam ser empregadas no espaço, é necessário um processo de reengenharia que as adeque a ambientes sem gravidade, com vácuo elevado e onde há altos níveis de radiação. Também é preciso desenvolver ferramentas capazes de segurar e realizar cortes precisos nas partes que devem ser reaproveitadas, além de um sistema capaz de moldá-las em um novo equipamento.

Diminuição de custos

“Para uma pessoa operando tais equipamentos, a complexidade é similar a tentar montar vários LEGOs ao mesmo tempo enquanto se olha através de um telescópio”, afirma David Barnhart, diretor do programa Phoenix. Para tornar a tarefa mais fácil, a agência planeja desenvolver “satlets”, satélites mais simples do que os convencionais e que possuem componentes capazes de reaproveitar os recursos disponíveis no lixo espacial.

Ao reaproveitar os componentes funcionais já existentes no espaço, a DARPA espera diminuir o alto custo necessário para manter o sistema de comunicação do planeta. Em vez de ter que investir na construção e lançamento de um sistema completo, caso os planos se concretizem, bastará às companhias construir um “satlet” e escolher quais componentes desejam reaproveitar assim que o equipamento estiver em órbita.

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