A pesquisa European Tech Insights, conduzida pelo Center for the Governance of Change descobriu que 25% dos europeus são a favor de permitir que um sistema de inteligência artificial tome decisões políticas importantes. O estudo investiga como cidadãos de oito países europeus (França, Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, Holanda e Reino Unido) percebem as transformações tecnológicas que estão se desenrolando em suas cidades e no mercado de trabalho.

Ao serem perguntados sobre como se sentem a respeito de deixar uma inteligência artificial tomar decisões importantes para os rumos do país, os holandeses são os mais otimistas, com 43% dos entrevistados se mostrando favorável. A pesquisa, que ouviu 2576 pessoas, também mostra que fatores como gênero, nível educacional e ideologia não afetam a disposição das pessoas em permitir a interferência da inteligência artificial em decisões políticas. Pessoas com nível superior são tão ou mais inclinadas a aceitar isso que as de menor escolaridade, e não foram encontradas diferenças significativas em termos de gênero, idade ou ideologia. 

(Reprodução/European Tech Insights)

O relatório da pesquisa afirma que os resultados provavelmente estão relacionados com o crescimento da desconfiança dos cidadãos em relação aos governos e aos políticos, evidenciando um questionamento do modelo de democracia representativa da Europa. Provavelmente, essas pessoas acreditam em uma objetividade maior dos algoritmos quando comparados aos políticos, desconsiderando que a IA frequentemente reproduz problemas já existentes socialmente, como um viés que prejudique grupos marginalizados. 

Ao mesmo tempo que parte dos entrevistados demonstram algum grau de confiança na inteligência artificial, a maioria dos europeus espera que os governos estabeleçam novas regras para limitar a automação no mercado de trabalho e evitar o fechamento de postos de emprego. 67% dos entrevistados são a favor de aumentar impostos para empresas que cortem pessoal devido à automação, enquanto 72% acredita que o governo deve limitar o número de empregos que podem ser substituídos por máquinas. Além disso, 70% acredita que as novas tecnologias podem causar mais malefícios que benefícios caso não sejam controladas apropriadamente.