A robótica combinada com a inteligência artificial pode criar sombras de um futuro sinistro para humanidade, mas também é capaz de sugerir algumas soluções eficazes para diversos aspectos da vida humana. A mais recente prova deste último cenário vem da Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley), onde o professor Ken Goldberg criou o robô mais habilidoso do mundo.

Chamado de Dex-Net, ele conta com o apoio de inteligência artificial para tomar decisões rápidas e aprimoradas na hora de coletar objetos de uma superfície. Mais do que o tipo de material e de engates equipados no robô, seu principal trunfo é a tecnologia de redes neurais criadas pelos cientistas.

Conforme relata o MIT Technology Review, o software usado pela máquina é capaz de criar ambientes virtuais nos quais ele treina e aprende mais sobre como aprimorar a coleta de objetos. Com base na experiência prévia adquirida por meio da prática ou de treinamentos, o Dex-Net consegue supor qual a melhor forma de coletar um item mesmo que nunca tenha tido contato com ele anteriormente.

Diante desse poder de decisão, ele escolhe qual de seus dois braços utilizar — uma conta com sistema de sucção enquanto outra traz uma garra tradicional. Cada braço é comandado por uma rede neural diferente, que entra em ação para decidir, em tempo real, a melhor opção para cada cenário.

Coletas por hora

Para mensurar a eficiência do robô, os cientistas desenvolveram uma unidade de medida específica. Chamada de “média de coletas por hora”, ela transforma em estatística as ações do Dex-Net e comprova de forma precisa o quanto a máquina de Berkeley se sai melhor do que os seus pares da atualidade.

Enquanto os melhores robôs de uma competição organizada recentemente pela Amazon realizavam, em média, de 70 a 95 coletas por hora, o Dex-Net foi capaz de realizar de 200 a 300. À título de comparação, a média humana de coletas em um intervalo de 60 minutos é de 400 a 600, ou seja, o robô de Berkeley não está tão abaixo da capacidade de homens e mulheres de carne e osso.

Robôs como o criado por Goldberg podem ser úteis em tarefas simples em um ambiente doméstico, mas especialmente na indústria e em armazéns, manipulando, por exemplo, encomendas ou separando peças em uma linha de produção. Essa visão de um futuro robotizado é bem mais simpática do que a de “Matrix” ou “Exterminador do Futuro”.