Um feito histórico, uma obra poética, um passo adiante, uma ação que pode contaminar outros planetas. Essas quatro definições podem ser usadas para classificar o lançamento do carro elétrico Tesla Roadster no último dia 9 pela SpaceX. Segundo cientista da Universidade de Purdue, dos Estados Unidos, tanto o veículo quanto o seu “piloto” manequim podem causar contaminações em outros planetas.

“Se houver um biota nativo em Marte, ele está sob risco de ser contaminado pela vida terrestre”, afirmou Jay Melosh, professor de ciências planetárias, atmosféricas e terrestres na instituição. “Os organismos da terra seriam melhores adaptados, tomariam conta de Marte e contaminariam o planeta, então, jamais saberíamos como era a vida nativa lá, ou eles não estariam tão bem adaptados quanto os organismos marcianos? Jamais saberemos.”

Apesar do temor, a Divisão de Proteção Planetária da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, garante que as chances de o Roadster aterrissar em um planeta são quase nulas. Contudo, como a agência não regulamenta o lançamento de dispositivos que ficarão em órbita, como é o caso do veículo da Tesla, ele não foi devidamente esterilizado antes de ser enviado ao espaço.

“Mesmo que eles tenham irradiado o exterior, o motor continuaria sujo”, comentou Melosh. “Carros não são montados de uma forma limpa. E, mesmo assim, há uma grande diferença entre limpo e esterilizado”, complementou o professor.

As temperaturas extremas e a radiação cósmica criam um ambiente hostil para as bactérias, mas algumas delas poderiam permanecer “em modo de espera” enquanto o veículo orbita por aí. Isso significa que elas "acordariam" em algum planeta caso o carro caia em algum lugar.

Para a professora de aeronáutica e astronáutica Alina Alexeenko, as bactérias do veículo mandado ao espaço podem ser, ao mesmo tempo, uma ameaça e um backup da vida em nosso planeta. “A carga de bactéria no Tesla pode ser considerada uma ameaça biológica ou uma cópia de segurança da vida na Terra”, comentou.