O National Institute on Drug Abuse, nos Estados Unidos, está com uma questão intrigante nas mãos. Em seu último estudo, segundo o jornal The New York Times, foi encontrada uma redução no uso e na experimentação de substâncias — e a tecnologia pode ser um dos fatores que contribuíram para isso.

Segundo a diretora do instituto, Nora Volkow, o uso de drogas ilícitas além da maconha atingiu o nível mais baixo em 30 anos entre jovens, e o da própria maconha também decaiu em relação aos últimos dez anos. E por que isso é especialmente estranho? De acordo com os cientistas, teria que ser o inverso: há uma aceitação cada vez maior de algumas dessas drogas, incluindo o álcool, sem contar a ascensão de substâncias sintéticas entre os jovens.

E onde a tecnologia entra nisso?

Segundo Volkow, são duas as hipóteses do estudo. Na primeira, os adolescentes estão usando drogas em menor quantidade porque estão constantemente entretidos e estimulados por computadores, smartphones e outros aparelhos. A tecnologia pode ser uma alternativa que desperta sensações parecidas ou que causam um bem-estar a ponto de fazer com que o consumo dessas substâncias seja ignorado.

Jogar games e usar redes sociais preenche a necessidade da busca por sensações, a necessidade de buscar atividades inéditas

"Jogar games e usar redes sociais preenche a necessidade da busca por sensações, a necessidade de buscar atividades inéditas. Mas isso ainda precisa ser provado", disse ao jornal a doutora Silvia Martins, uma especialista em uso de drogas da Universidade de Columbia, nos EUA.

A segunda e menos provável é que o tempo gasto com esses aparelhos está consumindo um período antes usado para festas e reuniões em que o consumo de drogas era mais frequente. Porém, a pesquisadora sabe que tudo ainda não passa de uma hipótese, e estudos a serem realizados nos próximos meses vão ou não confirmar essas teorias — embora acredite que o cruzamento desses dados dificilmente seja só uma coincidência.

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