Avaliar os chamados “smartphones de entrada” não é exatamente uma tarefa fácil: devido às limitações técnicas que acompanham essa categoria de aparelhos, é preciso analisá-los mais sob o ponto de vista de alguém que está abandonando os “dumbphones” do que como um profissional que está acostumado com processador quad-core, telas com resolução Full HD e mil e um recursos exclusivos.

Esse processo se torna ainda mais difícil quando nos deparamos com produtos como o Alcatel OneTouch Fire, representante dos primeiros passos comerciais do Firefox OS. Uma novidade no campo dos sistemas operacionais portáteis, a plataforma tem o objetivo de representar uma alternativa ao Android, ao iOS e ao Windows Phone, especialmente para quem não quer ter que investir muito na hora de adquirir um gadget.

Neste artigo, você confere nossas impressões sobre o aparelho que, embora esteja longe de surpreender com seu desempenho, pode ser uma boa porta de entrada ao mundo dos smartphones para quem possui um orçamento apertado. Confira nossas impressões e, após finalizar a leitura, registre sua opinião sobre o produto em nossa seção de comentários.

Aprovado

Design simples mas funcional

Sendo bastante sincero, é difícil considerar o Alcatel OneTouch Fire um aparelho bonito no quesito design. No entanto, no que o aparelho peca em quesito visual, ele ganha em matéria de funcionalidade e durabilidade. Construído com base no que parece ser um simples bloco de plástico, o smartphone se encaixa de maneira confortável na mão, passando uma sensação de que estamos lidando com um produto capaz de resistir a quedas e a acidentes sem qualquer problema.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

A tela de 3,5 polegadas do dispositivo pode ser acessada facilmente utilizando somente um único dedo, o que o torna uma opção prática para o uso em ambientes públicos ou situações nas quais não é possível utilizar ambas as mãos. Em contraponto, é preciso notar que o display conta com resolução de somente 320x480 pixels e ângulos de visualização não muito generosos.

Levando em consideração o fato de estarmos lidando com um aparelho barato, o OneTouch Fire não decepciona, se mostrando prático de usar, leve e, acima de tudo, pequeno o bastante para poder ser transportado dentro de um bolso sem grandes incômodos. Apesar de não ser exatamente atraente, o design do gadget se mostra satisfatório pelo preço cobrado por ele.

Loja de aplicativos

Ao menos no quesito interface, a loja de aplicativos do Firefox OS se destaca no mercado de smartphones. Dispondo de menus simples, o Marketplace dispõe de um sistema de categorias que torna fácil encontrar softwares específicos, algo que é auxiliado por uma barra de pesquisas localizada na parte superior da tela.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

O principal problema é o fato de que não há uma seleção muito grande de programas à disposição para o sistema no momento atual. Embora seja possível instalar apps oficiais do Facebook e do Twitter e alguns jogos conhecidos como Cut the Rope, faltam opções como o Instagram, Vine e o Foursquare.

Os benefícios do HTML5

O principal diferencial do Firefox OS, o fato de ele ser totalmente construído com base no HTML5 (o que o torna um grande diretório de links para páginas da internet, se decidirmos analisá-lo friamente) colabora para uma experiência de uso que, se não se mostra ideal, dá relances de uma possível grandiosidade futura.

Entre os pontos que se destacam está a instalação de aplicativos, que acontece de forma praticamente instantânea devido à leveza de cada um deles. Além disso, a navegação pela internet proporcionada pela versão mobile do Firefox se mostra bastante confortável, por mais que a tela de 3,5 polegadas do aparelho torne difícil visualizar alguns elementos menores.

Bateria bastante duradoura

Durante os testes realizados, submetemos o OneTouch Fire à reprodução continua de vídeos hospedados no YouTube até que a bateria do aparelho fosse encerrada. Ao todo, o dispositivo conseguiu permanecer pouco mais de 7 horas ligado sob essas condições, marca que, se não exatamente surpreendente, se mostra respeitável.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

No entanto, graças ao hardware modesto presente no dispositivo, em situações de uso cotidianas esse tempo se estende muito além desse limite. Em média, foi necessário recarregar o smartphone em intervalos de dois a três dias, o que significa que não é preciso se preocupar caso você se esqueça de conectar o produto a uma fonte de energia ao chegar em casa — algo que seria impensável quando se trata de produtos mais poderosos.

Reprovado

Hardware deixa a desejar

Apesar de o preço de R$ 199 cobrado pelo Alcatel OneTouch Fire em sua versão pré-paga servir como indicativo de que o smartphone possui um hardware bastante modesto, ainda assim é difícil não se decepcionar com o que ele tem a oferecer. Embora a realização de tarefas simples ocorra sem problemas, não é raro ter que esperar alguns segundos até que o aparelho inicie aplicativos ou permita alternar entre suas diferentes telas de atalho.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

No entanto, o que realmente irrita são as “engasgadas” frequentes que o dispositivo dá, especialmente quando elas ocorrem sem motivo aparente. Não raras vezes foi preciso reiniciar o gadget porque ele decidiu não exibir corretamente algum elemento, isso sem contar os momentos em que o aparelho realizou tal ação de forma automática.

Contando com um processador Snapdragon S1 de 1 GHz e somente 256 MB de RAM, o aparelho deve ser evitado por quem é fã de jogos eletrônicos. Até mesmo diversões simples como “Cut the Rope” costumam “engasgar” em alguns momentos, enquanto alguns títulos mais pesados sequer conseguem ser carregados pelo dispositivo.

Embora isso seja compreensível para um aparelho de custo tão baixo, parece que a Alcatel pouco fez para diferenciar seu produto dos chamados “dumbphones”. Caso você já esteja acostumado a lidar com produtos com desempenho mais fluido, é difícil não ficar incomodado com a lentidão do OneTouch Fire.

Um sistema em busca de identidade

Com o OneTouch Fire, a Mozilla prova que, apesar de já ter uma base bem estabelecida, o Firefox OS é um sistema operacional que ainda precisa de uma identidade própria. Ao usar o smartphone, é difícil não ficar com a sensação de que estamos usando uma plataforma criada a partir de uma mistura de características do iOS com alguns dos recursos oferecidos pelo Android.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Com isso, embora proporcione uma experiência de uso que parece instantaneamente familiar, o aparelho gera certo desconforto por não dar uma direção clara do caminho que quer seguir. Enquanto os aplicativos tomam como base o que é visto nos celulares equipados com o sistema da Google, aspectos como a existência de um único botão capacitivo e a maneira como aplicativos são desinstalados copiam descaradamente os produtos da Apple.

O resultado dessa mistura é um sistema operacional que, embora funcional, ao menos no momento parece não ter qualquer identidade própria (a não ser o fato de ser construído usando o HTML5 como base). Também não ajuda o fato de a plataforma só estar disponível junto a aparelhos com especificações modestas, o que não contribui para uma ideia do real potencial do software (algo que a aliança com hardwares mais potentes poderia ajudar a esclarecer).

Vale a pena?

Após analisar o Alcatel OneTouch Fire, fica clara a intenção do aparelho de agradar a uma camada bastante específica de consumidores, que deseja conferir o que um smartphone tem a oferecer, mas não quer pagar caro por isso. Custando somente R$ 200, o aparelho é uma boa alternativa para quem não quer investir em um “dumbphone”, mas não deve atrair a atenção do público que procura aparelhos com bom desempenho.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Ao menos no momento atual, o Firefox OS parece um sistema interessante, mas que ainda precisa se desenvolver muito para conseguir competir no mesmo nível do iOS, Windows Phone e Android. Grande parte disso se deve à falta de características únicas da plataforma, que em grande parte parece uma pura adaptação do que foi feito pelos concorrentes — com algumas exceções notáveis, como sua loja de aplicativos.

Em resumo, o OneTouch Fire é um produto que, entre as opções disponíveis na mesma faixa de preço, não decepciona. No entanto, quem está esperando por um smartphone capaz de realizar algo mais do que tarefas básicas continuará tendo que investir uma quantia maior de dinheiro para adquirir um produto capaz de oferecer uma experiência de uso mais completa.

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