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Instalado desde outubro do ano passado em São Paulo, o sistema de bloqueio de linhas em presídios está dando dor de cabeça para os criminosos. O software brasileiro está funcionando tão bem que fez com que presidiários ligassem para as operadoras tentando resolver o problema.

O sistema foi instalado em sigilo no dia 18 de outubro de 2012 no Centro de Detenção Provisória de Mogi das Cruzes, e apenas os funcionários responsáveis tinham conhecimento dos testes. Nos primeiros nove dias, 1.513 chips foram detectados, contanto os que estavam com os detentos, além de 264 funcionários e visitas recebidas.

A situação curiosa foi exatamente na reação dos presos: somente o serviço de atendimento ao cliente da TIM teria recebido 23 ligações nos três primeiros dias, caso as chamadas não fossem interceptadas.

Bloqueio total

O sistema foi criado pela Innovatech e é capaz de travar qualquer tipo de aparelho, desde os celulares e smartphones comuns até os que utilizam ondas de rádio, como Nextel. A grande vantagem é que, diferente de outros softwares já testados pela Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, desta vez o sistema não é capaz de interferir em ligações feitas do lado de fora da cadeia.

Para que isso funcionasse, a empresa usou uma estrutura semelhante à de amplificadores de sinal, invertendo suas funções. No lugar da amplificação, o sistema passou a “sugar” a transmissão. Dessa forma, os aparelhos ligados ou que receberam ligações dentro do Centro de Detenção Provisória de Mogi das Cruzes eram identificados instantaneamente.

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Embora o sistema tenha obtido um grande sucesso se comparado com tentativas anteriores, ainda não existem informações sobre o uso definitivo da tecnologia. No entanto, em entrevista à Folha de São Paulo, o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de São Paulo, Daniel Grandolfo, diz ser contrário ao bloqueio total nos presídios. Para ele, é importante obter informações das ligações feitas pelos presos.

"As interceptações feitas com autorização judicial já salvaram muitas vidas de agentes e policiais. Não dá para ficar sem informação do crime organizado. Se todos os presídios forem bloqueados, não saberemos quais são os próximos passos desses criminosos."

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