Por muito tempo, os consumidores de câmeras digitais e smartphones estiveram voltando seus olhos a apenas uma especificação dos módulos de captura: a resolução máxima permitida pelos sensores. Ou seja, grande parte do mercado estava voltada apenas à quantidade de megapixels oferecida pelos dispositivos.

Porém, com o passar do tempo — e também com o amadurecimento do mercado —, diversos outros recursos começaram a ser analisados pelos consumidores. Nisso estão a velocidade de câmera, recursos de estabilização ótica e até mesmo sensibilidade à luz. E há outro detalhe que começou a ser mostrado pelas fabricantes há pouco tempo, mas que também faz toda a diferença.

Estamos falando sobre a “abertura da lente”, que pode influenciar — e muito — nos resultados das fotografias. Você sabe os motivos pelos quais a especificação é tão importante? É o que nós vamos contar neste artigo. Porém, antes, confira como identificar o detalhe nos aparelhos que estão no mercado.

Como identificar a abertura de câmera?

Por muito tempo, os smartphones não eram divulgados com a abertura de lente como um diferencial. Agora, isso está mudando e já é possível observar as especificações até mesmo em alguns anúncios oficiais. O Samsung Galaxy S7, por exemplo, foi mostrado ao público com a promessa de que a lente com abertura f/1.7 seria uma grande vantagem.

O LG G5, por sua vez, foi mostrado ao público com a abertura f/1.8. Esse valor pode parecer maior do que o visto no modelo da Samsung, mas você logo verá que “quanto menor o valor, maior a abertura”. Isso você vai entender em pouco minutos...

Abertura do diafragma

Quando falamos sobre “abertura da câmera”, estamos também nos referindo à abertura do diafragma — um conjunto de lâminas presente nas câmeras. Isso acontece porque é este sistema que pode se abrir e fechar para permitir que a luz passe pelo obturador e chegue até o sensor. Como dissemos antes, quanto menor o valor após o “f”, maior é a abertura e isso significa que há mais luz passando ao mesmo tempo.

isso é tão importante porque quanto mais luz passar pelo equipamento, menos tempo será necessário manter o sensor exposto à luminosidade. Com esse período reduzido, a velocidade aumenta e as fotografias podem ser capturadas com muito mais estabilidade — uma vez que manter o sistema aberto causa lentidões e pode ser um dos grandes responsáveis pelas fotos tremidas.

Vários valores disponíveis em câmeras maiores

Entendendo os números

Agora você já sabe que a abertura do diafragma é “medida em números f, que são escritos desta forma: f/2.1, f/5.6, f/22, etc...” e também que quanto menor o valor, maior a abertura. Então, chegou a hora de entender o motivo disso com mais detalhes.

Em smartphones isso não é tão comum, mas em câmeras DSLR é possível ver dispositivos com abertura “f/22”. O valor é bem alto e significa que o diafragma do equipamento está quase fechado — permitindo que pouquíssima luz passe pela estrutura. Em ambientes escuros, isso não vai permitir que as fotos sejam capturadas com nitidez, mas pode ser uma boa pedida para ambientes externos com muita luz solar.

Quanto mais claridade, menor a abertura precisa ser

Por outro lado, o diafragma configurado em “f/1.2” representa uma abertura muito grande e pode ser perfeito para fotografias em locais fechados, eventos noturnos e outras situações em que a luminosidade externa seja baixa. Ao mesmo tempo, em ambientes com luz solar isso pode fazer com que as fotos fiquem muito claras — a ponto de não permitir que os objetos sejam identificados. Isso é exatamente o que acontece no seu olho, mas em vez de diafragma temos a pupila.

Quanto menor é o valor depois de "f", maior é a abertura

Para que nossos olhos não sejam castigados pela luz , existe a pupila, que controla quanta luz passa pela íris e chega à retina. Em ambientes escuros, a pupila é dilatada e mais luz é percebida, o que facilita a visão, mesmo sem a utilização de luzes artificiais. Quando acontece o contrário, as pupilas são contraídas e menos luz chega à retina, normalizando a luminosidade percebida.

O valor é fixo?

Enquanto câmeras de alto desempenho conseguem ajustar a abertura do diafragma em diversos momentos, isso não é uma realidade para os smartphones. Mesmo nos aparelhos mais completos e que permitem a alteração de configurações com muita liberdade, a abertura continua sendo sempre a mesma. E por que isso não significa que as fotos saem ruins nos smartphone?

Pelo fato de que há uma série de outros recursos que acabam compensando isso. Smartphones conseguem modificar o tempo de exposição — por meio da velocidade do obturador — e também podem aumentar a sensibilidade do sensor para que a luz faça mais diferença na captura. Esses fatores garantem que as imagens consigam ser capturadas com qualidade.

Valores ajustáveis apenas em câmeras com diafragma flexível

Por outro lado, essas compensações não representam que a qualidade das imagens será 100% igual à conseguida com diafragmas flexíveis. Vale dizer ainda que os equipamentos conseguem melhores resultados compensando a alta luminosidade — com diafragma aberto e menor exposição — do que nos momentos contrários — quando há diafragma fechado e maior exposição.

Abertura x profundidade de campo

Há um outro elemento que é muito importante para as fotografias e para a qualidade das imagens que serão capturadas: a profundidade de campo. Isso também é referente à abertura do diafragma.

Quando o diafragma é aberto, a profundidade do campo diminui. Então, somente o que está próximo às lentes é capturado com foco otimizado (macrofotografia). Já quando o diafragma é fechado, a profundidade de campo é aumentada e as câmeras capturam distâncias mais longas com a mesma focalização. Você pode entender isso fazendo uma experiência na sua casa usando apenas os seus próprios olhos.

Quando o diafragma é aberto, a profundidade do campo diminui

Deixando um objeto próximo a seus olhos, você pode perceber que a focalização deste objeto resulta no desfoque de todos os outros elementos que estiverem no mesmo cômodo. Para que o que está próximo possa ser visto com mais nitidez, a sua pupila é dilatada, assim como acontece com o diafragma das câmeras.

Agora deixe este objeto de lado e olhe pela janela. Busque um carro estacionado a vários metros e veja como o foco nele não é dos melhores. Com uma câmera, seria preciso fechar o diafragma para focalizá-lo, então, para realizar algo similar com os olhos, você pode contraí-los. Deste modo, a profundidade de campo é aumentada e os objetos mais longínquos podem ser vistos com mais clareza.

Se o diafragma estiver muito aberto, a profundidade de campo vai diminuir

Como já dissemos antes, isso é visto com muito mais clareza em câmeras DSLR e outros equipamentos profissionais. Já nos smarpthones, essa focalização “Macro” e desfoque de elementos acontece muito mais por influência de software do que pelo hardware, efetivamente.

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Viu como os recursos de câmera fazem muita diferença nos resultados de suas fotografias? É sempre bom ficarmos atentos a todos os detalhes. Afinal de contas, de nada adianta um aparelho com 20 megapixels e nada de qualidade, não é mesmo?

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