Mesmo que o bolso aperte na hora de pagar as contas e seja preciso fazer milagres na hora de presentear a família em aniversários ou outras datas festivas, o brasileiro parece não abrir mão de gastar bem no momento de comprar um smartphone. De acordo com dados do IDC Brasil, a atual crise econômica não impediu que os consumidores locais tivessem um gasto médio 27% maior na aquisição de um novo celular entre 2014 e 2015.

O levantamento da consultoria mostra que essa porcentagem corresponde a, em média, um aumento de R$ 750 para R$ 880 no orçamento dedicado a essa finalidade. O mais interessante, segundo a avaliação do analista Diego Silva, é que a alta do dólar e a suspensão temporária da chamada Lei do Bem – embora tenham contribuído para preços mais encorpados no mercado de eletrônicos – não foram os fatores decisivos para esse gasto maior por parte do público.

A alta do dólar e a suspensão temporária da chamada Lei do Bem – embora tenham contribuído para preços mais encorpados no mercado de eletrônicos – não foram os fatores decisivos para esse gasto maior por parte do público

“Com a explosão do dólar, ficou realmente inviável trabalhar com preços menores, mas estamos tendo sim uma mudança de comportamento no consumo, muito por conta do aumento da base instalada de celulares do país”, explicou ao site ComputerWorld. Esse novo padrão dos usuários fica mais claro quando observamos a migração de aparelhos mais simples para patamares de preço um pouco mais elevados – indicando que o brasileiro acaba buscando um dispositivo melhor que o atual em sua próxima compra.

Os celulares que custam até R$ 700, por exemplo, caíram bem de 2014 para 2015, passando de 59% da fatia de mercado local para 44%. O resultado disso foi uma boa movimentação em outras faixas de preço, com os smartphones de R$ 700 a R$ 1,3 mil saltando de 31% para 44% e os com o preço acima disso indo de 10% para 12%. O estudo do IDC indica que até os equipamentos mais caros – com acabamento premium, tecnologia de ponta e passando dos R$ 3 mil – triplicaram sua performance: indo de 1% para significativos 3%.

Sobe e desce

Claro que as fabricantes ficaram de olho nos usuários em busca de um upgrade, já que, de acordo com o IDC, 65% dos brasileiros já tinham comprado seu primeiro telefone inteligente, em 2015, e rumavam para o segundo – oferecendo uma boa janela para venda de gadgets mais robustos. “Esse consumidor começa a perceber e dar valor a algumas funções técnicas que influenciam no preço do aparelho. [...] Por isso, o segundo acaba sendo mais caro; o cliente acaba pagando um pouco mais e vê valor nisso”, comentou o analista.

Esse consumidor começa a perceber e dar valor a algumas funções técnicas que influenciam no preço do aparelho. [...] Por isso, o segundo acaba sendo mais caro; o cliente acaba pagando um pouco mais e vê valor nisso

As empresas que vendem esse tipo de produto apostam ainda no status que muitos consumidores atribuem a celulares mais caros e oferecem facilidades, como parcelamento, para que seja mais fácil adquirir um item mais luxuoso. Apesar dessa procura por smartphone de patamar elevado e do aumento dos gastos do usuário, o número de vendas por unidade caiu nos anos anteriores e deve continuar em queda pelos próximos meses.

Em 2014, o setor vendeu 54,5 milhões de dispositivos no país, enquanto em 2015 esse número passou para 47,2 milhões. Para este ano, a previsão do IDC é de que a comercialização fique na faixa das 42,9 milhões de unidades, mas ganhe um novo fôlego no último trimestre – preparando terreno para um novo crescimento do segmento em 2017. E você, anda contribuindo para esses dados na hora de comprar novos celulares?

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