Assistir às corridas da Fórmula 1 e da NASCAR sempre é emocionante, com automóveis que correm a toda velocidade em pistas ao redor do mundo. Por mais que pilotar tais carros seja algo bastante distante da realidade de muitas pessoas, existem várias tecnologias que já saíram das pistas de corrida e foram para os veículos mais comuns de muitas cidades.

O Honda Fit e o Toyota Corolla são exemplos de carros que possuem mais semelhanças com os automóveis de competições do que você pode imaginar. As equipes de corrida sempre procuram desenvolver os veículos mais velozes que tragam desempenhos excelentes, contratando engenheiros e designers para aprimorar os automóveis atuais.

Como resultado, há muitas tecnologias provindas das corridas automobilísticas que influenciaram aspectos como desenho do motor, posição da ignição e espelho retrovisor de carros populares. Listamos aqui no TecMundo as 8 tecnologias dos automóveis de corridas que estão presentes em inúmeros carros:

1 – O câmbio semiautomático

Além do câmbio manual e do câmbio automático, existe o câmbio semiautomático – um meio-termo desses dois modos. Ele dispensa o uso da embreagem no carro, porém o piloto deve executar todas as trocas de marcha manualmente (exatamente como ocorre nas corridas de Fórmula 1). O câmbio é acionado pelas borboletas atrás do volante, empurrando as alavancas para cima ou para baixo.

Esse mecanismo tem origem nas máquinas da Fórmula 1 e foi lentamente propagado e adaptado para os demais carros – pouco comum em terras brasileiras, porém já popular em outros países, especialmente para os condutores que querem sentir mais adrenalina em seus veículos. O primeiro automóvel que fez uso do câmbio semiautomático foi a Ferrari 640, em 1989, e desde 1995 não há mais carros com um sistema manual de troca de marchas na Fórmula 1.

2 – O botão de ignição

Nas corridas, cada segundo é significativo. Por isso, os competidores ligam os seus automóveis com um botão de ignição (encontrado do lado esquerdo), e não ao girar a chave, o que faz com que o processo fique mais rápido. Veículos de vários times já utilizam esse tipo de tecnologia que, atualmente, também pode ser encontrada em automóveis específicos do mercado – apesar de cada montadora adaptá-lo de um modo diferente.

Por exemplo, em carros da BMW os condutores devem inserir a chave em um slot antes de empurrarem o botão, pois só assim o veículo será ligado (mecanismo implementado para evitar que o motorista ligue o automóvel acidentalmente).

3 – Suspensão ativa

As suspensões dos carros estão diretamente ligadas às tecnologias criadas para as pistas de corrida. É a suspensão ativa que merece destaque, com um sistema computadorizado que permite a correção de irregularidades da pista de modo eficiente, procurando manter as quatro rodas do carro sempre no chão.  

Os sensores eletrônicos enviam sinais sobre o tipo de solo ao computador, que consequentemente faz com que o carro levante, abaixe, endureça ou amoleça de acordo com o terreno. A novidade estreou em 1987, no Lotus 99T de Ayrton Senna. Em 1989, o Citröen XM foi lançado com o recurso, e desde então vários veículos vêm sendo fabricados com a suspensão ativa.

4 – Pneus

As categorias de corrida são, além de um modo de entretenimento popular, um laboratório para as montadoras de carros. Os pneus são um belo exemplo de como a tecnologia é aprimorada com o tempo e transferida para o cotidiano, pois inúmeras pesquisas já descobriram novas formas de evoluir o desempenho dos pneus com sulcos e reentrâncias.

A tecnologia aplicada em modalidades como a Fórmula 1 é tão significativa que praticamente qualquer automóvel de hoje tem pneus que sofreram influências diretamente das pistas de corrida. Inúmeras características, como formato dos sulcos, compostos estruturais, tipos de borracha e muito mais, foram originalmente aplicadas na Fórmula 1 e na NASCAR para depois serem adaptadas para os veículos comuns.

5 – Freios a disco

Com origem no final do século 19 (e adaptado várias vezes até o modelo atual), esse freio é caracterizado por trazer duas pastilhas que prendem um disco que acompanha a rotação da roda. A estreia do mecanismo foi em 1953, com o Jaguar XK 120, em Le Mans. Posteriormente, o freio a disco foi implementado no Triumph TR3, em 1956.

Os freios a disco são considerados bem mais eficientes do que os freios a tambor, proporcionando maior ventilação do sistema (o calor gerado pela fricção é dissipado) e frenagens bem menos abruptas. Atualmente, os freios a disco já se popularizaram bastante, tornando-se um padrão mundial, principalmente devido ao desempenho superior e à melhor durabilidade – concepção que foi inicialmente planejada só para as pistas de corrida.

6 – Espelho retrovisor

Pois é, todos os carros realmente possuem algum aspecto que é herança das pistas de corrida. Algo hoje tão básico, como o espelho retrovisor, foi inicialmente utilizado em 1911 na competição 500 Milhas de Indianápolis, pelo piloto americano Ray Harroun em um Marmon Wasp. Para termos noção, anteriormente os carros traziam um espaço para um copiloto avisar o motorista sobre possíveis perigos durante o trajeto.

Contudo, Ray Harroun não foi creditado por tal invenção, já que o engenheiro Elmer Berger, alguns anos depois, vendeu o conceito para montadoras de automóveis (e assim obteve a patente pelo espelho retrovisor).

7 – KERS

O KERS (sigla de Kinetic Energy Recovery System) é um sistema capaz de transformar a energia cinética gerada na frenagem em energia elétrica. Os testes começaram em 2008 na Fórmula 1 e, desde então, têm sido aprimorados. A energia produzida pelo KERS pode ser estocada em forma de energia mecânica ou elétrica e permite o aumento de potência momentaneamente.

Isso também é bastante interessante para o desenvolvimento de carros elétricos e híbridos, que assim poderão utilizar outras fontes de energia para locomoção. Inúmeras fabricantes, como a Toyota e a Volvo, já realizam pesquisas com o sistema para aplicá-lo em seus carros. Em breve, é muito provável que encontremos automóveis com o sistema KERS no mercado.

8 – Motor com duplo comando de válvulas

O DOHC (sigla de Double Overhead Camshaft), também conhecido como duplo comando, foi inicialmente adicionado em carros de corrida da Fiat e da Peugeot em 1912. A tecnologia é capaz de melhorar a eficiência do controle das válvulas do motor, e assim aumentar a potência e a economia em altas rotações. Hoje, por exemplo, todos os carros da Honda contam com o DOHC – tamanha é a popularização que o sistema obteve. 

Você conhece outras tecnologias que saíram das pistas de corrida e invadiram os carros mais comuns? Comente no Fórum do TecMundo.