O desenvolvimento dos novos carros dirigidos automaticamente pode até estar avançando a uma boa velocidade, mas não há como negar que um dos maiores empecilhos para o avanço dessas tecnologias ocorre na hora do teste prático. Não é preciso ser nenhum gênio para imaginar o motivo: uma única falha desses veículos na hora de lidar com o trânsito comum pode resultar em estragos, acidentes, prejuízos enormes e, por vezes custar vidas.

Mas então, como evitar todos esses riscos e conseguir colocar os veículos automatizados em testes práticos? A Universidade de Michigan encontrou uma solução simples: é só criar uma cidade especialmente para que esses carros possam rodar livremente.

Pode parecer brincadeira, mas isso foi realmente o que aconteceu por lá. E assim nasceu a Mcity, uma mini-cidade de 32 acres repleta de ruas, estradas, curvas, esquinas, rotatórias, semáforos e placas de trânsito, entre outros, com pistas de asfalto, concreto, terra, cascalho... Enfim, com um pouco de tudo o que um carro pode encontrar durante um passeio.

Tudo isso, obviamente, tem bons motivos: a ideia é testar os carros nas mais variadas condições de terreno, visibilidade e tráfego, além de outras situações imprevistas, para então analisar se as reações do sistema estão de acordo com o esperado.

Junto disso, a universidade também tem como objetivo testar algo especialmente difícil de ser feito em um ambiente comum: a interação entre múltiplos veículos automatizados. Criar um sistema interligado em que as máquinas estejam as mais conectadas possíveis, no lugar de carros com sistemas “isolados”, é uma das grandes metas para eles.

Treinando em uma cidade de brinquedo

Como você pode ver pelo vídeo acima, a cidade mais parece um set abandonado de um filme. E isso fica ainda mais estranho considerando que temos carros vazios dirigindo sozinhos em pistas por onde passam bicicletas também vazias que percorrem um trajeto pré-programado, bem como pedestres de papelão que atravessam a rua aleatoriamente.

Vendo por esse lado, é difícil pensar como um veículo automatizado será capaz de lidar com todas essas variáveis de maneira perfeita. Mas é exatamente por isso que a Mcity se mostra tão importante, já que ela permite que alterações importantes sejam feitas no caso de falhas de programação.

“O tipo de teste que nós estamos falando em fazer – não é possível de fazer hoje na infraestrutura da universidade”, disse Ryan Eustice, professor associado de arquitetura naval e engenharia marinha. “Toda a vez que o veículo sai de uma curva, ele pode dar de cara com algo incomum. Isso vai nos dar uma oportunidade de tornar esses veículos maduros, robustos e seguros”, continuou ele.

Acima, alguns dos sistemas presentes na Mcity

Ficou impressionado com o resultado? Não é para menos. O projeto da Mcity, localizado no Campus Ann Arbor da universidade, não foi uma criação exclusiva deles: seu design e construção foram desenvolvidos em conjunto de diversas fabricantes de automóveis, empresas de tecnologia e do próprio Departamento de Transporte de Michigan, que devem tirar proveito das instalações para melhorar a eficiência de seus veículos.

Com isso, tudo o que resta é esperar a abertura oficial da “cidade” – o que deve ocorrer entre setembro e novembro deste ano.