A ideia de colocar partes de plástico nas peças centrais dos motores de automóveis já anda pelas cabeças mais bem pagas da indústria automobilística desde os anos 1980 — em uma tentativa óbvia de tornar os carros mais leves e mais econômicos. Embora uma série de obstáculos tenha engavetado a proposta por décadas (incluindo os custos de fabricação), parece que agora um grupo de alemães realmente conseguiu botar um motor de plástico para funcionar. 

É claro que os pistões do motor dos pesquisadores do Fraunhofer ainda é feito de metal — a fim de aguentar as explosões e tal —, mas o revestimento é primordialmente feito de plástico. Para efeitos de comparação, esse invólucro pesa 20% menos do que um equivalente padrão, forjado em alumínio, o que certamente é de grande relevância quando se trata de desempenho e economia de combustível.

Um plástico especialmente resistente

Quando se pensa no funcionamento padrão de um motor de combustão interna, o que vem à mente normalmente são grandes temperaturas, juntamente com grandes pressões e também muita vibração — um conjunto que tradicionalmente não combina bem com a ideia de partes plásticas.

Entretanto, a Fraunhofer garante que o plástico moldado-injetado que forma o novo motor foi especialmente desenvolvido para aguentar condições extremas — e isso sem comprometer a performance geral do motor.

Estrutura de plástico reforçada aguenta níveis altos de pressão, temperatura e vibração.

Para conseguir esse desempenho, o grupo precisou alterar a geometria típica do motor, embora também tenham sido necessários reforços de metal em partes mais críticas da estrutura. Resta ainda a dúvida, entretanto, de como exatamente o protótipo conseguirá lidar com as diferentes taxas de dilatação dos materiais — a fim de fazer com que o plástico e o alumínio desses setores possam se expandir e se contrair igualmente quando expostos às altas temperaturas.

No futuro, algo inteiramente de plástico

Ademais, os projetistas garantem que os custos de produção do motor com partes plásticas deve ser basicamente o mesmo de uma versão convencional, inteiramente de metal. Mas as pesquisas devem continuar, com um objetivo de médio prazo em mente: construir um motor de vários cilindros com todas as principais estruturas formadas em plástico, incluindo os mancais do virabrequim.