A velocidade é algo que contagia e apaixona uma multidão de pessoas ao redor do mundo. Aqueles que levam isso mais a sério se tornam pilotos de corridas e outros, ainda mais aficionados na adrenalina causada por tal fenômeno, vão além e buscam quebrar recordes.

Essa ambição por mais vento no rosto se intensificou ao longo dos anos com o avanço da engenharia e o desenvolvimento de novas tecnologias. Hoje, alguns veículos especialmente projetados para superar limites alcançam velocidades supersônicas.

Mas, até que um carro chegasse a esse nível de complexidade e poder de propulsão, muitos experimentos e empreitadas aconteceram nesse percurso. E exatamente isso é o que vamos mostrar para você neste artigo, uma lista com alguns dos automóveis que, em algum momento da História, foram os mais rápidos do planeta — como investigou o site Gizmodo. Aperte o cinto e acelere nessa viagem ao passado.

1. La Jamais Contente

A primeira parada nessa jornada é em uma data bem mais antiga do que muitas pessoas podem imaginar. Era abril de 1899 quando o belga Camille Jenatzy (falecido em 1913) entrou no “La Jamais Contente”, também conhecido como “The Never Satisfied”, e se tornou o primeiro piloto a superar os 100 km/h. Nas imediações de Paris, ele pisou fundo e alcançou 105,882 km/h. Uma réplica do carro foi produzida em meados da década de 90 por estudantes da Universidade de Tecnologia de Compiègne, na França, e hoje está em exposição no Castelo de Compiègne.

Camille Jenatzy dentro do La Jamais Contente durante uma parada comemorativa em 1899.

2. Napier

Outra quebra de recorde relevante foi um feito de Arthur MacDonald pilotando o carro batizado de “Napier”, que possuía seis cilindros em linha. Em janeiro de 1905, durante uma prova em Daytona Beach, cidade na Flórida (EUA), ele atingiu 168,42 km/h. Na fotografia abaixo, você confere MacDonald ao volante do seu “possante”.

3. Chitty Bang Bang 4

No início dos anos 20, Louis Zborowski e Clive Gallop construíram em parceria uma série de carros de corrida batizada de “Chitty Bang Bang”, a qual foi inspirada em um livro, filme e musical de mesmo nome. Com a morte de Zborowski em 1924, John Godfrey Parry-Thomas comprou a quarta geração do veículo e o rebatizou para “Babs”. Dois anos mais tarde, o engenheiro e piloto galês entrou para a história ao chegar a 273,6 km/h. Ele morreu tentando bater um novo recorde de velocidade em 1927 dentro desse veículo. O automóvel foi restaurado e atualmente pode ser visto no Museu de Pendine da Velocidade, localizado no País de Gales.

J.G. Parry Thomas acelerando o Babs em 1926 para estabelecer o novo recorde mundial de velocidade.

4. Sunbeam Mystery

Henry Segrave deixou sua marca em março de 1927 a bordo do “Sunbeam Mystery”, popularmente chamado de "The Slug". Dotado de dois motores de avião, os quais geravam juntos mil cavalos de potência, o carro alcançou 327,97 km/h e foi o primeiro a ultrapassar os 320 km/h. O automóvel é mantido preservado no Heritage Motor Center em Gaydon, uma pequena cidade na Inglaterra.

Sunbeam em exposição no Museu Nacional do Motor em Beaulieu, no Reino Unido.

5. Golden Arrow

Não demorou muito e Henry Segrave viu seu recorde ser batido. Invocado, ele construiu o “Golden Arrow”. O carro possuía um motor de avião de 23,9 litros, capaz de gerar 925 cavalos de potência e operar a 3.300 rotações por minuto. Outra peculiaridade desse veículo era seu design, um dos primeiros com o nariz pontiagudo e rebaixado e um cockpit “apertado”. No trajeto de Daytona, em março de 1929, o automóvel acelerou a 372,46 km/h. O Golden Arrow jamais foi usado depois dessa conquista e hoje está estacionado no Museu Nacional do Motor em Beaulieu, no Reino Unido, como você pode observar na imagem seguinte.

6. Campbell-Railton Blue Bird

E parece que Daytona era o local mais adequado para se bater recordes de velocidade no início do século passado. Foi novamente na cidade estadunidense que Malcolm Campbell pilotou o “Campbell-Railton Blue Bird” a 438 km/h em fevereiro de 1933. Originalmente fabricado em 1931, o automóvel foi reformulado mais tarde ganhando um novo design e um motor V12 da Rolls-Royce. Dois anos depois o veículo foi novamente modificado e atualmente fica exposto no International Motorsports Hall of Fame, que fica no Alabama, nos EUA.

7. Thunderbolt

O “Thunderbolt” foi sem dúvida um dos principais carros da história das quebras de recorde de velocidade, sendo um dos protagonistas da disputa entre George Eyston e John Cobb no final dos anos 30. Em agosto de 1937, esse carro alcançou os 556,03 km/h com Eyston ao volante, então capitão das forças armadas britânicas. Pouco mais de um ano depois, ele viu Cobb derrubar seu feito ao atingir 568,58 km/h em setembro de 1938. Nesse mesmo mês, o militar voltou a pilotar o Thunderbolt e recuperou seu título ao marcar 575,34 km/h. Porém, no ano seguinte seu rival conseguiu mais uma vez reaver o posto com o veículo “Railton Special” e seus 594,97 km/h.

8. Railton Mobil Special

Após uma longa parada nessa corrida por recordes devido à Segunda Guerra Mundial, John Cobb resolveu potencializar seu antigo veículo, criando o “Railton Mobil Special”. Em setembro de 1947, o piloto voltou a assumir a liderança elevando sua marca para 634,39 km/h. O automóvel descansa no Museu Thinktank, em Birmingham, na Inglaterra.

9. Spirit of America

Craig Breedlove é mais um exemplo de piloto apaixonado por velocidade e pela superação de seus limites. Na direção do “Spirit of America”, um carro que inovou por adotar um motor a jato, em agosto de 1963 ele bateu seu primeiro recorde ao acelerar a 656,18 km/h pela Salina de Bonneville, em Utah, nos EUA.

Porém, o feito causou polêmica pelo fato de o seu veículo ter um chassi com apenas três rodas. A Federação Internacional de Automobilismo chegou a negar a quebra, mas no fim ela foi aceita. Não contente apenas com isso, Breedlove voltou ao mesmo lugar e em outubro de 1964 atingiu 754,3 km/h, e mais tarde alcançou 846,96 km/h. É possível visitar o Spirit of America no Museu de Ciência e Indústria, localizada em Chicago.

10. Green Monster

Construído pelos meio-irmãos Art Arfons e Walt Arfons, o “Green Monster” foi capaz de percorrer a Salina de Bonneville a 927,872 km/h em novembro de 1965. Contudo, é relevante deixar registrado que ele foi um dos competidores mais ferrenhos do Spirit of America, chegando a deter o recorde mundial duas vezes anteriores, mas que duraram pouco tempo. O veículo acabou se envolvendo em um acidente 1966 após a sua barra de direção apresentar defeito. Muitas de suas peças foram usadas na construção do seu sucessor.

11. Blue Flame

Se Daytona era o local predileto para a quebra de recordes na década de 30, nos anos 60 e 70 essa preferência ficou com a Salina de Bonneville. O lugar também foi palco para Gary Gabelich pilotar o “Blue Flame” em outubro de 1970 e voar baixo a 1.001,667 km/h. Um dos diferenciais desse automóvel era o uso como combustível de uma mistura de gás natural liquefeito e peróxido de hidrogênio.

Foto do Blue Flame em aparição no Festival de Velocidade de Goofwood em 2007.

12. Thrust2

Passando para a década de 80, em outubro de 1983 foi a vez do “Thrust2” assegurar o seu nome no Guinness Book. Projetado por John Ackroyd e conduzido pelas mãos hábeis de Richard Noble, o veículo rodou a 1.047,49 km/h no Deserto Black Rock, em Nevada, nos EUA. O Thrust2 marcou o que parecia ser o limite do potencial desse tipo de automóvel, já que seu recorde perdurou por aproximadamente 14 anos, sendo vencido por seu sucessor: o “ThrustSSC”. O carro pode ser visitado no Museu de Transporte de Coventry, que fica no Reino Unido.

13. ThrustSSC

Embora não tenha sido o piloto, Richard Noble foi um dos responsáveis pelo projeto e construção do “ThrustSSC”. Reescrevendo sua história no Deserto Black Rock, o carro foi dirigido por Andy Green, comandante da Royal Air Force, a força aérea britânica, em outubro de 1997. Nessa oportunidade, o veículo alcançou 1.228 km/h e, além do recorde de velocidade, se tornou o primeiro automóvel a quebrar a barreira do som.

Preparação do ThrustSSC para quebrar a barreira do som.

14. Bloodhound SSC

O próximo passo para a quebra do recorde de velocidade atual será dado pelo projeto “Bloodhound SSC”, anunciado em outubro de 2008. A ideia é fazer com que o veículo, que também será pilotado por Andy Green, chegue a mais de 1.600 km/h em apenas 42 segundos. Os primeiros testes desse carro supersônico estão planejados para 2016 na província do Cabo Setentrional, na África do Sul. Abaixo você confere uma imagem do automóvel, ainda em desenvolvimento.

Obviamente, esses são alguns dos veículos e feitos mais relevantes dentro da história dos recordes de velocidade. É válido salientar que existem diversos outros carros, inclusive em categorias diferentes — como automóveis elétricos ou que usam biocombustível —, que já deixaram suas marcas nos registros da FIA.