Um sedã bonitão! (Fonte da imagem: Reprodução/Tesla Motors)

Quando você está falando com os seus amigos sobre carros e alguém resolve citar alguma coisa relacionada aos veículos elétricos acontece algo que é praticamente uma regra em qualquer grupo: um muxoxo, seguido de alguém falando que “carro elétrico não é carro”, vai fazer com que aquele que introduziu o assunto acabe desistindo da conversa.

Pois uma companhia da Califórnia, nos Estados Unidos, está ganhando rapidamente muito espaço no mercado – e vem mostrando que os defensores dessa nova tecnologia automotiva já podem começar a tirar dezenas de novos argumentos da cartola!

Chamada de Tesla Motors, a empresa vem revolucionando o mundo dos carros elétricos, apresentando veículos luxuosos com desempenho e design invejáveis, além de serem recheados de segurança e tecnologia. De quebra, eles ainda têm uma autonomia de funcionamento capaz de deixar as grandes multinacionais com o queixo caído. Confira!

Buscando a inovação

Um dos motes da Tesla Motors é focar sempre na inovação. Segundo o homem forte por trás da montadora, o bilionário Elon Musk, a energia elétrica será, dentro de pouco tempo, a principal fonte de energia dos veículos automotores (e também de nossas casas), superando a supremacia dos combustíveis fósseis.

Para tanto, a companhia investe pesado em algumas novas e, também, por que não, “antigas” tecnologias. As baterias dos carros da Tesla, por exemplo, utilizam as mesmas células de íon de lítio que o seu notebook tem em sua parte traseira.

Aqui, no entanto, muita coisa foi trazida praticamente da ficção. Os computadores de bordo, por exemplo, trazem recursos absurdos, e uma tela de mais de 17 polegadas serve para que você controle praticamente todos os aspectos do veículo, permitindo que você determine o grau de resistência do volante, controle o rádio ou navegue na internet.

Roadster – o começo do projeto

O primeiro veículo lançado pela Tesla Motors foi o Roadster. Focado em trazer um pouco da experiência dos carros esportivos para a “nova geração” de automóveis elétricos, ele teve cerca de 2.600 unidades vendidas em mais de 30 países diferentes – tendo como mercado principal os Estados Unidos.

Um esportivo poderoso (Fonte da imagem: Reprodução/Tesla Motors)

O carro foi produzido entre 2008 e 2012 e, para adquirir uma peça, você precisaria abrir a carteira. O esportivo elétrico não sairia por menos do que 109 mil dólares – aproximadamente 240 mil reais no câmbio atual.

Entre os seus diferenciais, além do fato de ele ser o primeiro veículo esportivo totalmente elétrico a chegar ao mercado dos EUA, a novidade conseguia chegar aos 100 km/h em apenas 3,9 segundos, marca antes inimaginável para um carro sem combustão fóssil. A sua autonomia também surpreendeu o mundo, sendo o primeiro a viajar mais de 320 quilômetros com uma única carga de energia.

Tesla Model S

O Tesla Model S representa, segundo Elon Musk, o segundo passo da Tesla Motors em seu plano de crescimento. Enquanto que o Roadster foi uma introdução ao mercado, o “S” vem para ser uma afirmação da empresa, sendo, atualmente, o seu principal produto. E, acredite, você ficará com muita vontade de fazer pelo menos um test-drive no veículo.

Parece um carro "simples", mas traz elementos revolucionários (Fonte da imagem: Reprodução/Tesla Motors)

Tudo começa por uma das principais inovações do carro: o seu motor. Como o próprio site oficial da empresa faz questão de salientar, em vez de ser composto por milhares de pequenas peças encaixadas e com movimento constante (como acontece em um carro comum), o motor do Model S é composto basicamente por uma única parte: o rotor.

Isso dá o poder da “aceleração instantânea” ao veículo. Graças a essa simplicidade, o automóvel, apesar de ser considerado como um sedã comum, consegue atingir 100 quilômetros por hora em incríveis 5,4 segundos. O Model S tem velocidade máxima de 200 km/h. A versão esportiva do carro pode ainda mais, chegando aos 100 km/h em cerca de 4,2 segundos.

Dirigindo com suavidade

Tudo no veículo foi pensado para trazer conforto ao condutor e aos seus passageiros. Por isso, o carro conta com uma suspensão a ar desenvolvida especialmente para o carro – algo que deixa qualquer viagem bem mais agradável.

Dessa forma, curvas são levemente sentidas, assim como a sensação de aceleração, pois o carro se ajusta de acordo com a velocidade e resistência aerodinâmica encontrada pelo caminho.

Uma nave espacial

Em alguns reviews de publicações especializadas em carros dos Estados Unidos, alguns editores citam que entrar em um Model S é como estar embarcando em uma nave espacial. Tudo no carro funciona com base em alta tecnologia.

"Telinha" de controle (Fonte da imagem: Reprodução/Tesla Motors)

Para ligar o veículo, por exemplo, basta que o motorista esteja com a chave no bolso enquanto ele se senta no banco. E o melhor é que o carro entra em funcionamento e você nem percebe, afinal de contas, o motor não faz qualquer barulho.

Outros aspectos do carro também mostram todo o capricho da equipe de desenvolvimento, que parece ter se preocupado com cada pequeno detalhe. A porta de recarregamento fica escondida e só aparece quando você aproxima o plug para conectá-lo. As maçanetas das portas funcionam de maneira parecida e ficam recolhidas quando não são necessárias.

Como um computador

Como dito acima, a tela de 17 polegadas sensível a toques que fica no meio do painel traz o controle sobre praticamente tudo no veículo. Ar condicionado, rádio, GPS ou o computador de bordo com controles até sobre as marchas e a suspensão do carro, por exemplo, podem ser acessados por ali. O legal é que a abordagem da Tesla também é diferenciada em vários aspectos diferentes.

Para abrir os tetos-solares, por exemplo, você acessa uma imagem inteira do automóvel ali naquele display principal. Basta arrastar o dedo sobre o teto do “carro virtual” e ajustar qual o nível de abertura que você deseja para seu “veículo real”.

Nesse controle principal, você também tem acesso à câmera traseira do carro. Com qualidade de imagem em alta definição, a ideia é que esse telão deixe ainda mais fácil a tarefa de estacionar esse bólido com calma e tranquilidade.

Mas, pera aí, um telão desses às mãos do motorista é um perigo para o trânsito! Pensando nisso, a Tesla Motors colocou, também, botões físicos no volante do Model S. Como o painel “tradicional” do carro também foi substituído por uma tela LCD, ali você consegue visualizar praticamente todas as informações que seriam exibidas no display de 17 polegadas.

Controle absoluto (Fonte da imagem: Reprodução/Tesla Motors)

Com tantas tecnologias visuais e todo esse capricho nas telas presentes dentro do carro, não é de se estranhar que o automóvel conte com a colaboração da NVIDIA e toda a sua experiência no mercado de placas de vídeo. Sim, pois uma GPU da marca faz parte dos equipamentos que compõem o Model S.

Energia!

Como já dissemos anteriormente, as baterias utilizadas nos carros da Tesla são de lítio, o mesmo material usado em diversos outros equipamentos eletrônicos, como tablets, notebooks e celulares. O gerenciamento da energia armazenada nelas é que aparece como um dos principais diferenciais dos veículos da companhia.

Seu carro na tomada! (Fonte da imagem: Reprodução/Tesla Motors)

Além do Roadster, que bateu recordes de autonomia com uma só carga de energia, o Model S já provou que é capaz de fazer ainda mais. O carro vem com duas opções de bateria, permitindo que você escolha entre 60 kHw e 85 kWh. Ambas contam com um alcance enorme, entretanto a segunda opção chega a números até outrora inimagináveis para um veículo elétrico “normal”.

Enquanto que a bateria de 60 kHw consegue atingir uma autonomia de 370 quilômetros, a de 85 kWh pode chegar à incrível marca dos 482 quilômetros rodados – isso a uma velocidade média de 88 km/h.

Vale lembrar também que os sistemas de frenagem do carro produzem energia, tudo de forma muito parecida com os KERS dos carros da Fórmula 1. Assim, o consumo na cidade é praticamente o mesmo visto nas estradas, não havendo aquela discrepância vista nos carros movidos a álcool e/ou gasolina.

Empresa recomenda o carregamento noturno (Fonte da imagem: Reprodução/NY Daily News)

Vale lembrar que o carro, quando comprado, vem também com uma espécie de adaptador, que deve ser instalado em casa para que você possa recarregá-lo sempre que puder. Essa nova “tomada” na sua casa transfere a energia para o veículo que, dependendo da corrente, pode ficar com o “tanque cheio” em apenas cinco horas e ao custo de aproximadamente 10,50 dólares.

Entretanto, nem tudo são flores quando o assunto são as baterias dos carros da Tesla Motors. Nesse artigo, por exemplo, um grande problema é citado: o fato de que o carro pode simplesmente “brickar”, ou seja, acabar virando um gigantesco peso de papel.

Isso teria acontecido com cinco modelos do Tesla Roadster e, ao que tudo indica, é um problema que pode surgir caso a bateria do veículo sofra uma descarga completa, algo que desativaria absolutamente todos os sistemas do veículo – inclusive impedindo as rodas de girar.

Tesla Model X

Com o sucesso alcançado pelo Model S, a Tesla já trabalha no seu terceiro passo para se consolidar de uma vez por todas no mercado automotivo: trata-se do Tesla Model X, uma SUV que seguirá os passos dos outros carros da companhia, sendo totalmente elétrica.

Ainda não há muitas informações sobre o carro no site oficial da empresa, entretanto, o que foi revelado já vem despertando uma coceirinha no bolso dos norte-americanos. O carro contará, por exemplo, com uma versão com dois motores, algo capaz de aumentar o torque do bólido em pelo menos 50%.

As portas do Model X também serão um algo a mais. Ao contrário do que é visto normalmente nos veículos “normais” da categoria, aqui você encontrará portas que abrem no estilo “Falcon Wings”, aquelas que abrem para cima como num clássico Lamborghini.

Recarregando: conheça as estações Supercharger

Quando você adquire um carro da Tesla, você tem a opção de comprá-lo com um “acessório” diferenciado: o acesso às Superchargers. Tratam-se de estações de recarregamento construídas e mantidas pela própria companhia, que disponibiliza lugares para que você faça cargas diferenciadas do seu veículo. E o melhor: você paga uma vez quando compra o veículo e, depois, nunca mais precisa desembolsar nada para abastecer o seu bólido (dependendo do tipo de serviço escolhido, é claro).

Nas estações Supercharger há um novo método de transferência de energia, capaz de encher 50% da carga de bateria do carro em apenas 30 minutos. Isso significa que ele pode rodar mais de 200 quilômetros sem precisar “abastecer” novamente.

E, se você estiver realmente com pressa, há outro tipo de serviço – este, com um custo. É possível ter uma carga completa no seu carro em menos de dois minutos. Isso porque você pode optar por trocar totalmente a bateria do seu carro, tirando a “usada” e colocando uma nova e recarregada. Depois, você paga somente a diferença de valor entre a bateria “antiga” e a colocada no automóvel.

As novas regras do jogo

Os veículos da Tesla Motors, pelo menos atualmente, vêm sendo considerados como verdadeiros “game changers”, produtos que conseguem chacoalhar um mercado e, por que não, revolucionar uma indústria, fazendo todos os grandes players tradicionais repensarem algumas das suas estratégias.

Carros precisam ser sustentáveis (Fonte da imagem: Reprodução/Tesla Motors)

Exemplos não faltam, afinal de contas, já há quem compare a experiência de se dirigir um Tesla Model S ao seu primeiro contato com algumas novas tecnologias que mudaram totalmente a nossa visão de um mercado qualquer. Ben Timmins, por exemplo, editor da revista Automobile Magazine, cita que dirigir o carro trouxe para ele a mesma sensação de quando utilizou um iPhone pela primeira vez.

Talvez tudo isso explique por que a Tesla Motors chegou a atingir uma capitalização de mercado de mais de 20 bilhões de dólares nas bolsas de valores dos Estados Unidos – o que representa nada menos do que o dobro do valor de mercado da Fiat por lá.

Elon Musk: Pensando no futuro

Em entrevista para o TED, Elon Musk citou que para encarar o mundo com olhos diferentes e ter sempre um espírito inovador é preciso pensar diferente, sempre buscando uma nova forma de encarar as coisas, “como a física faz”. E a vontade de surpreender o mundo parece mover o “Tony Stark da vida real”.

Por isso, Musk ainda não terminou com a Tesla. Entre os próximos passos da companhia está desenvolver um carro autoguiado, sonho perseguido por instituições de ensino e pela gigante Google, por exemplo. A busca de engenheiros para trabalhar no projeto, inclusive, já começou.

Falando no futuro, em reportagens datando do começo de 2012, especulava-se que a Tesla Motors estaria com planos de chegar ao Brasil em 2014. Se você ficou interessado nos carros da companhia, quem sabe já não seja hora de começar a guardar o seu dinheiro, não é mesmo?